Motor da Caravela em Blesa tem passado tudo a Ferro… (crónica)
Já ninguém se lembra de Clayton e André Luiz. É sem aqueles que, durante boa parte da época, foram considerados os talismãs vilacondenses que o Rio Ave vive o melhor momento da temporada. Leva três vitórias consecutivas e quatro jogos seguidos sem perder. A bordo desta nova Caravela potente, há pouco saudosismo e muita Blesa: cinco golos em sete jogo para o recém-chegado avançado espanhol.
Por falar em tentos, o Estoril até apontou o primeiro. Logo ao minuto 16', por Ferro. Os canarinhos já tinham ameaçado por Guitane, dois minutos antes, que, da esquerda para o meio, num gesto muito característico do canhoto, pôs à prova Van der Gouw. Não marcou o avançado, faturou o defesa, após um belo cruzamento de Holsgrove, num livre.
Os forasteiros só conseguiram assustar a sério perto do intervalo. Aos 43', Vrousai apanhou uma bola perdida depois de uma defesa incompleta de Robles. Na recarga, o capitão dos verdes e brancos rematou cheio de confiança, mas Ricard Sánchez fez um grande corte em cima da linha.
Os anfitriões entraram melhor na etapa complementar e causaram muito perigo novamente na bola parada. No entanto, seria, precisamente, dessa forma que iriam sofrer, por Brabec (54'). Bezerra cruzou, na sequência de um livre pela esquerda e o central, no coração da área, restabeleceu a igualdade.
A partida animou. O conjunto de Ian Cathro reagiu de forma positiva e foi, novamente, à procura da vantagem. Ficou perto aos 59', não fosse Vrousai a aliviar no limite do golo (cá se fazem, cá se pagam). No minuto seguinte, João Carvalho atirou à barra, num remate de fora de área, com o pé direito (Van der Grouw ainda defendeu).
A animação passou, depois, para a área contrária, onde Tsoungui jogou a bola com a mão. O árbitro assinalou penálti, mas o VAR convidou-o a reverter a decisão, já que havia fora de jogo nesse lance. Begraoui imitou o colega pouco depois, mas, aí, não existiu irregularidade que safasse os estorilistas. Blesa não tremeu e, numa espécie de panenka, aplicou a reviravolta. E, claro, como não podia faltar, encheu o balão, no seu icónico (e já habitual) festejo. São quatro golos nos últimos três encontros e todos decisivos.
O Estoril, que não perdia em casa desde novembro, não desistiu e carregou até ao fim. Sem sucesso. Os rioavistas souberam sofrer, para garantir os três pontos e confirmar melhor momento da época. Nunca antes, o Rio Ave nunca tinha celebrado três triunfos seguidos nem estado quatro jogos seguidos a pontuar.
As notas dos jogadores do Estoril (4x3x3): Joel Robles (5); Pedro Carvalho (5), Ferro (6), Bacher (5) e Ricard Sánchez (6); Tsoungui (5), Xeka (5) e Holsgrove (6); Guitane (6), Begraoui (5) e João Carvalho (6); André Lacximicant (5), Jandro Orellana (5), Pedro Amaral (5), Pizzi (5) e Alejandro Marqués (4)
As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Van der Gouw (6); Vrousai (6), Brabec (6), Gustavo Mancha (5) e Nelson Abbey (5); Nikitscher (5) e Ntoi (5); Bezerra (6), Olinho (6) e Spikic (5); Blesa (7); Ryan Guilherme (5), Tamble Monteiro (5), João Tomé (-) e Lomboto (-)
Ian Cathro (treinador do Estoril)
A ordem dos golos nem sempre explica tudo num jogo de futebol. Não entrámos bem no jogo. Na segunda parte, tenho na cabeça as paragens do VAR, que quebram o ritmo, criam ansiedade e não conseguimos empatar na reta final, mas os mostrámos vontade até ao fim.
Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave)
É um resultado muito importante para nós. É a continuação das boas exibições. Na segunda parte, fomos quase sempre melhores do que o Estoril, que tem uma grande equipa. É muito difícil jogar aqui como nós jogámos. Por isso, merecemos a vitória.