Cabo Verde e os 48
Depois de uma presença esporádica do Egito no Mundial de 1934 (os ‘faraós’ tinham eliminado Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amesterdão), de 1970 para cá houve sempre representantes africanos nos Campeonatos do Mundo: entre 1970 e 1978, apenas uma equipa, hoje são dez, com Cabo Verde a marcar presença pela primeira vez.
Já os asiáticos começaram por ter um representante em 1938 (as Índias Orientais Holandesas, hoje Indonésia), solidificaram presenças, ao longo dos tempos, com Coreia do Sul e Japão, e estão representados na América do Norte por nove seleções, entre as quais os estreantes Uzebequistão e Jordânia.
A Concacaf, que tem no México (18 presenças) e Estados Unidos (13 participações), as potências dominantes, apresenta em 2026 a novidade Curaçau.
Do tempo das 13 seleções que, por convite, estiveram no Mundial do Uruguai, em 1930, às 48 que hoje estão na América do Norte, a expansão planetária do futebol foi exponencial, e o nível médio atual está em grande medida marcado pela presença de uma quantidade assinalável de futebolistas nos campeonatos europeus, os mais competitivos, que juntam clubes com melhores meios, e são capazes de garantir uma evolução sustentada aos jogadores.
Por ter memória do que foram as primeiras participações mundialistas de algumas seleções que agora são levadas muito a sério, só posso ser favorável ao alargamento verificado em 2026, que pode trazer constrangimentos competitivos imediatos, mas resultará em benefícios futuros.
Quanto aos quatro estreantes, Cabo Verde, Uzbequistão, Jordânia e Curaçau, é inevitável que vejam esta participação como um ponto de chegada (o que não impede que façam história, não é Tubarões Azuis?). Só por estarem na América do Norte já são campeões, o resto logo se verá.
Relativamente a Cabo Verde, que sempre apoiou Portugal em todos os certames, ao mesmo tempo que foi fazendo o seu caminho com competência e muita devoção (que grito dei quando acabou o jogo com a Espanha!), tenho um desejo que gostava de ver concretizado: ter os ‘Tubarões Azuis’ a jogar o Mundial de 2030 em Portugal, seria, por um lado, acrescentar festa à festa; por outro, a garantia de que a presença na América do Norte tinha sido apenas o princípio de uma afirmação continental, que só se sedimentará com meios físicos, capítulo onde o futebol português, através de protocolos de cooperação, pode (e deve) ajudar.
*Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), nos Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans) e no Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 disputar-se-á por terras onde o ‘King’ espalhou o fulgor derradeiro da sua magia…