Estragaram os planos ao 'pompiere' Amorim
Celebrizada por Salvador Sobral - mas cantada anteriormente por Joana Barra Vaz no Festival da Canção de 2018, ano em que Ruben Amorim iniciou a carreira de treinador -, a canção «Anda estragar-me os planos» é banda sonora ideal para o novo desafio do técnico.
Não foi o Benfica, foi outra paixão de infância a baralhar as ideias de Ruben, que abdicou do ano sabático que tinha em mente para aceitar um convite do ilustre AC Milan, clube que tinha o sonho de treinar, conforme revelou em entrevista de 2017, ao Expresso.
As cassetes de Paolo Maldini, Franco Baresi, Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Dejan Savicevic talvez tenham influenciado o regresso antecipado aos bancos, já em 2026/27, e se o timing não foi o previsto, o destino segue o planeado, novamente no estrangeiro. Depois de Casa Pia, SC Braga, Sporting e Manchester United, Amorim volta a assumir o papel de bombeiro. O pompiere que vai tentar apagar o fogo numa casa que não vence o scudetto desde 2022 e que, desde então, só conquistou uma Supertaça, sob o comando de Sérgio Conceição, contratado uma semana antes para suceder ao compatriota Paulo Fonseca.
O Milan anda de olho nos treinadores portugueses, está visto, e se o sucesso desportivo não tem sido muito, isso dirá mais do momento do clube italiano do que propriamente da qualidade dos nomes referidos.
Amorim gosta desse contexto, como assumiu ao trocar o Sporting pelo Manchester United, dizendo então que ia para um clube no qual também podia fazer as coisas à sua maneira. A experiência em Old Trafford mostrou que dificilmente encontrará uma corporação como aquela que teve em Alvalade, nomeadamente a nível diretivo.
Só que para lá da questão sentimental, a tal simpatia antiga pelo AC Milan, Amorim sabe que depois de um ano sabático dificilmente teria um convite que permitisse lutar por títulos, como este que agora recebeu. Pelo menos nas principais ligas europeias...
Mas se Amorim deixa Zlatan Ibrahimovic estragar-lhe os planos, se está farto de manhãs mecânicas, tardes tontas e serões serenos, como diz a canção, permita-se também deixar algo ao acaso e quebrar a rotina de alguns anos. Sem renunciar às ideias fortes que sustentaram a ascensão meteórica como treinador, Ruben pode, aos 41 anos, deixar-se levar um pouco pela dança, e não apenas do ponto de vista tático.