Bruno Fernandes fez o 2-0 - Foto: Imago
Bruno Fernandes fez o 2-0 - Foto: Imago

«Estamos a fazer de tudo para que cheguemos ao jogo da melhor maneira»

Bruno Fernandes foi o jogador escolhido para fazer a antevisão ao encontro de estreia no Mundial com o Congo

Bruno Fernandes acredita que, por estar este ano com menos jogos nas pernas, pode vir a ser ainda mais útil à Seleção Nacional:

«Espero que seja benéfico para mim e que assim possa ajudar a minha seleção estando melhor, mais fresco. Assim espero. Não me senti bem em outras alturas, em outras competições, mas obviamente tendo menos minutos, tendo menos jogos nas pernas, qualquer jogador que chega aqui com bastante jogos, mas não tantos como muitos outros, pode beneficiar disso. Espero que isso possa fazer alguma diferença, não só da minha parte, mas todos aqueles que na nossa Seleção tiveram menos minutos que outros. Que as nossas pernas possam estar um bocadinho mais frescas principalmente do que a dos nossos adversários, sobretudo quando for preciso.»

Sobre as críticas das idas à praia já nos Estados Unidos:

«O balanço é positivo. O Matheus Nunes já respondeu a isso, mas volto a frisar. Foi algo que já estava planeado, algo que faz parte da adaptação também. Se não estivéssemos na praia, teríamos de estar fechados no quarto do hotel, o que não provavelmente não é o melhor para a questão física, pelo facto de não termos tanta capacidade para fazer mobilidade, para nos mexermos, para andar um bocado e também para ter momentos de grupo, momentos em que podemos criar boas memórias e um bom ambiente com algumas brincadeiras, algumas palhaçadas. Momentos mais tranquilos que serão importantes. Mas nós estamos habituados a que qualquer coisa que façamos seja vista por alguns de maneira positiva, por outros de maneira negativa. A mensagem que quero deixar para o nosso povo e para vocês também em geral é que estamos a fazer de tudo para que cheguemos ao jogo para representar o país da melhor forma. Acreditem que tudo aquilo que estamos a fazer, incluindo as idas à praia, são para benefício da condição física de todos os jogadores, para que possamos também descansar da melhor maneira, podermos ajustar os horários da melhor maneira e também adaptar ao sol como o Matheus falou... Nós, em Manchester, não temos sol muitas vezes, por isso é importante também termos essa adaptação.»

A diferença de ranking entre Portugal e o Congo:

«Em primeiro lugar, o ranking conta pouco neste tipo de competições, porque o ranking é bonito e está lá, os pontos são obtidos de maneira diferente por cada seleção, porque não jogamos uns contra os outros regularmente. O Congo é uma seleção muito capaz, uma seleção com muita qualidade, com jogadores que maioritariamente jogam nas grandes ligas também. Podem não ter nomes tão sonantes como a nossa seleção, mas têm nomes bastante conhecidos e com carreiras muito boas até ao dia de hoje, que merecem todo o nosso respeito. São uma seleção bastante física defensivamente, que tanto pode jogar com uma linha de cinco como uma linha de quatro, já avaliamos isso. 
São uma seleção também com muito boa capacidade de transição pela capacidade dos médios deles conduzir a bola e também pela velocidade que têm na frente. Mas nós, mais do que isso, sabemos daquilo que somos capazes, daquilo que temos de fazer defensivamente para não dar muitas oportunidades... A reação à perda da bola, quando acontecer, tem de ser ser muito forte. E, principalmente, tentar controlar o jogo com bola, porque somos bastante capazes disso e de criar muitas oportunidades e depois finalizá-las, se possível, da melhor maneira.»

Vitinha, João e Bruno: é o melhor meio-campo do Mundial?

«Sinto-me bem, porque o nosso meio-campo é repleto de qualidade: o João [Neves], o Vitinha, o Bernardo, o Rúben Neves, o Samú, são todos jogadores que acrescentam algo diferente à nossa seleção. Obviamente, não vou entrar pela questão dos três jogadores porque não sei se vão jogar os três. Não sei se o mister vai decidir assim ou não, mas o que sei é que, independentemente de todos os nomes que disse, qualquer um deles pode jogar e a seleção está bem servida. E, como disse do Congo, há sempre nomes mais sonantes, outros menos sonantes, mas todos são importantes e na nossa seleção não há diferença entre ser o melhor jogador da Premier League ou o bicampeão europeu, porque olhamos para todos da mesma maneira, olhamos para todos com a sensibilidade de saber que o nosso colega que está ao lado quer jogar na posição em que estamos a jogar, mas ao mesmo tempo está lá para nos ajudar e para dar o melhor pela nossa seleção. Por isso, prefiro não entrar por aí.
Espero que Portugal, independentemente do 11 que jogar, não só o meio-campo, tenha o melhor 11 do Mundial.»

Ainda há nervosismo em jogadores tão experientes?

«Eu, particularmente, fico sempre nervoso. Sinto como se fosse o primeiro. Estou nervoso por estar aqui agora, estarei nervoso amanhã, mas acho que é um nervoso de ansiedade, de querer jogar, de querer estar dentro do campo. Ainda há pouco tive a possibilidade de ver o relvado e a minha vontade não era tanto vir aqui falar convosco, com todo o respeito, era mais de entrar e poder dar uns toques. Esse nervosismo faz parte, representamos a nossa seleção, o nosso país, o nosso povo, o sonho de milhares de meninos e meninas que estarão em Portugal a olhar para nós. Eu já fui essa criança, que em 2004 no Europeu, a primeira competição de que tenho memória, caminhava pelas estradas com a bandeira às costas, a bandeira pintada na cara, até aos ecrãs gigantes para tentar ver Portugal. E vejo um pouco desse menino ainda em campo e, mais do que isso, quero que esses meninos que tanto olham para nós e tanto nos idolatram possam amanhã sentir-se bem representados. Foi assim que começou o meu sonho. Hoje estou aqui e espero que muitos deles consigam também alcançar esse sonho.»

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