Haaland estreou-se em jogos do Campeonato do Mundo com um bis - Foto: IMAGO

Frieza norueguesa e 'fator Haaland' congelaram calor iraquiano (crónica)

Iraque ainda sonhou, mas a qualidade nórdica, com o goleador do Manchester City em destaque, imperaram. Vitória norueguesa por 4-1 num jogo em que Aursnes foi titular e Schjelderup entrou na segunda parte. 28 anos depois, Noruega volta a vencer num Mundial

Foi um duelo de regressados ao Campeonato do Mundo. Iraque e Noruega voltaram a marcar presença na maior competição do futebol internacional após longos períodos de ausência: os iraquianos não disputavam a prova desde 1986, enquanto os nórdicos estavam afastados desde 1998. Em campo, o contraste foi evidente: frio escandinavo contra calor do Médio Oriente, poder físico contra resistência, qualidade individual contra organização coletiva, técnica refinada contra espírito de sacrifício. Duas realidades — e culturas — distintas estiveram frente a frente, num daqueles encontros que recordam a essência do Mundial e tornam a competição única. No final, a frieza escandinava congelou o deserto árabe e a Noruega sorriu, ao vencer por 4-1.

Mas, entre tanto que os separava, houve uma coisa que uniu Iraque e Noruega: os goleadores. A primeira parte — que não teve muitas chances claras, mas foi pautada pela intensidade, organização e emoção — pertenceu a eles. Do lado nórdico, o inevitável Erling Haaland estreou-se em Mundiais sem acusar a pressão do momento. Aos 29', na primeira grande chance que teve, aproveitou um cruzamento de Wolfe para aparecer ao segundo poste e inaugurar o marcador. 14 minutos depois, mostrou todo o seu faro goleador ao forçar o erro do guarda-redes iraquiano e fazer o bis.

Pelo meio, o goleador do conjunto asiático também brilhou. Num movimento perfeito, com uma impulsão irrepreensível e uma finalização letal, Aymen Hussein (39') voou entre os gigantes noruegueses e cabeceou para o fundo das redes, fazendo, na altura, o empate e deixando os adeptos iraquianos a sonhar.

Com 2-1 ao intervalo, o espetáculo amornou no segundo tempo. Sempre com um crença notável, o Iraque mostrou personalidade e tentou assumir o jogo, em busca do empate. Do outro lado, a Noruega pendia para as alas, com o desconcertante Nusa no corredor esquerdo e o atrevido Ryerson com várias investidas pela direita. Mas, apesar de tudo isto, a verdade é que (praticamente) não houve balizas.

A Noruega foi privilegiando a gestão da vantagem, concentrada em neutralizar o ímpeto iraquiano e explorar os lances de bola parada. A estratégia revelou-se certeira. Aos 76', já depois da entrada de Schjelderup e da saída de Aursnes — aos 73' —, o recém-entrado Ostigard surgiu no sítio certo para corresponder a um cruzamento de Odegaard, assinando o golo que deu aos nórdicos a tranquilidade e acabou, definitivamente, com as esperanças do Iraque.

Ainda antes do apito final, tempo para mais um golo. Haaland novamente em destaque, desta vez, a assistir Thorstvedt, que disputou o lance com Aymen Hussein e fez com que o avançado tocasse o esférico para a própria baliza, selando o 4-1 final.

O melhor em campo: Haaland

Só podia ser ele. Fez a estreia em Mundiais e, como se ali sempre tivesse estado, assumiu o protagonismo ofensivo da Noruega. Dois golos na primeira parte — os dois à matador — e uma assistência na segunda guiaram a Noruega até à maior vitória de sempre do país em Mundiais. E isto foi só o início da história de Haaland em Campeonatos do Mundo. Esperemos os próximos capítulos...

A figura: Aymen Hussein

Sim, é verdade que marcou um autogolo ao cair do pano. Mas foi numa altura em que o jogo já estava arrumado e esse momento nunca se irá sobrepôr àquele cabeceamento de génio. Um momento que fez sonhar um país, que ficará marcado na história do Iraque e, acima de tudo, um prémio merecido para um jogador que começou o percurso neste Campeonato do Mundo a ser interrogado pela polícia norte-americana durante... sete horas.

A iniciar sessão com Google...