Marocas celebra o quarto golo da conta pessoal contra o 1.º Dezembro - Foto: Paulo Santos/Imortal
Marocas celebra o quarto golo da conta pessoal contra o 1.º Dezembro - Foto: Paulo Santos/Imortal

Marocas jura que marcou cinco golos no mesmo jogo, mas o árbitro 'roubou-lhe' um

Goleador do Imortal brilhou no arranque do Campeonato de Portugal. Conta ter marcado meia dezena, mas o juizdescontou-lhe um... Albufeirenses estiveram até à véspera sem saber contra quem iam jogar... 1.º Dezembro ou Sacavenense?

Um, dois, três, quatro… Marocas sabe contar até mais, mas o árbitro fê-lo baixar a manita.

Aos 38 anos, Mário Duarte — com alcunha «desde pequenino» de Marocas — volta a ter oportunidade de competir nos nacionais ao serviço do seu clube de coração: o Imortal.

Na sexta época seguida nos algarvios, depois de ter andado a percorrer o país (continente e ilhas), o ponta de lança não consegue parar de faturar. Foi o melhor marcador do principal campeonato da AF Algarve, nas últimas duas temporadas — com 22 golos em 2024/25 e 20 em 2025/26 —, e quer agora manter a toada no Campeonato de Portugal.

Foi mesmo com a veia goleadora a pulsar na máxima força que o jogador se apresentou de novo aos nacionais, depois de ter sido campeão distrital do Algarve, naquele que descreveu como o «momento mais alto no clube, aos 38 anos, com a subida de divisão».

Celebração icónica de Marocas, após a conquista do campeonato distrital pelo Imortal - Foto: Paulo Santos/Imortal

A 18 meses dos 40 e quando alguns pensariam que o atacante já não teria muito para dar ao futebol, Marocas ficou na boca do país por ter marcado quatro (ou cinco…) golos na vitória da turma de Albufeira, por 5-0, sobre o 1.º Dezembro, na primeira jornada.

Em entrevista A BOLA, o capitão detalha como foi cada um dos cinco tentos… até mesmo o que o árbitro considerou que era autogolo: «O primeiro [32’] foi de penálti, após uma falta sobre mim. O segundo [42’] foi uma boa jogada, num cruzamento pela esquerda do Rafael Baião e eu encostei. Na segunda parte, foi outra vez o Baião que, pelo lado esquerdo, fez o cruzamento para eu fazer o terceiro [51’]. No quarto golo [61’], fizemos pressão, recuperámos a bola, que chegou até mim, e rematei de pé esquerdo. Por fim, o quinto [81’], que o árbitro diz que foi autogolo [risos], foi um cruzamento rasteiro pela esquerda, eu toco na bola, que depois toca no defesa atrás de mim.»

«No vídeo, parece que a bola vai na direção da baliza, depois de eu tocar. Não sei precisar, mas parece... No entanto, no final, o que interessou foram os três pontos. Não penso muito se marquei quatro ou cinco», afiança.

Na verdade, para o currículo do atleta que chegou a atuar na Liga 2 pelo Santa Clara (2014/15 e 2015/16) e UD Oliveirense (2015/16),  quatro até foi melhor do que cinco: «Já tinha marcado cinco golos no Esperança de Lagos, uma vez em que ganhámos 12-1 ao Beira-Mar de Monte Gordo. Quatro nunca tinha acontecido, mas agora já posso dizer que sim.»

Marocas foi do Benfica de Castelo Branco (do Campeonato de Portugal) para o Santa Clara (da Liga 2) em 2014 - Foto: D.R.

Dedicatórias muito especiais…

Mesmo que fosse apenas um golo, o importante nesta partida era ganhar. Marocas queria, fosse como fosse, dedicar a vitória a duas pessoas próximas que viu partir recentemente: «A semana passada ficou marcada pelo falecimento de um ex-dirigente, o sr. António Ferreira. Fiquei muito abalado porque era uma pessoa Imortal a 100% e, só de falar com ele, sentíamo-nos mais do clube, porque ele sabia tudo... Eu não sou muito religioso, mas acho que foi ele que nos deu força que ajudou a conseguir a exibição que fizemos. Dedico-lhe tudo a ele. Além disso, também perdi um tio que gostava muito do Imortal…»

«É por eles, mas também pelos que estão ainda vivos e que me apoiam no dia a dia, como a minha mulher, que fica com os meus filhos para eu ir treinar e jogar. É uma peça fundamental», louva, como emoção.

O conjunto de Albufeira regressou em grande aos nacionais - Foto: Paulo Santoa/Imortal

Pai, antigo craque da Liga, é o grande ídolo

Diz o povo que filho de peixe sabe nadar e, no mar de Albufeira, Marocas soube mesmo dar continuidade ao legado do pai, Tó Manel.

Mais do que uma referência antiga do futebol algarvio, o progenitor destacou-se na carreira de jogador quando chegou ao principal escalão do futebol português pelas portas do Beira-Mar. 

O também avançado representou o conjunto de Aveiro em 1991/92 e 1992/93, tendo sido peça crucial nos dois oitavos lugares seguidos dos aurinegros na Liga. No primeiro ano, foi mesmo o melhor marcador da equipa beiramarense, com seis golos apontados.

Quando questionado quem era a principal referência no futebol, Marocas não hesita: «O único que idolatro é o meu pai.»

Marocas ladeado pelo seu ídolo... o pai, Tó Manel - Foto: Paulo Santos/Imortal

«Comecei a jogar futebol por causa dele. Sempre foi a minha referência e continua a ser. Lembro-me de ele me levar ao primeiro treino, no antigo Estádio da Palmeira [Albufeira]. A partir daí, sempre gostei de ouvir as histórias dele e de ver as pessoas a associarem as minhas características de jogo às dele. Por isso, sempre segui os passos dele», acrescenta.

Um 'caso' que ficará para a história

Ora Sacavenense, ora 1.º Dezembro… Em Albufeira, dizia-se que estavam a tentar arranjar uma equipa à altura do Imortal. Não foi possível...

Ainda antes dos muitos golos de Marocas, o encontro entre Imortal e 1.º Dezembro despertava atenções em todo o país, devido à polémica a envolver o emblema de Sintra, a FPF, os tribunais e… o Sacavenense.

No dia em que arrancou o Campeonato de Portugal (último sábado, dia 15) ainda havia quem tivesse dúvida se seriam os de Sintra ou os de Sacavém a entrar na competição. «Foi um bocado constrangedor, para organizar o jogo, porque não sabíamos com quem íamos jogar e tínhamos de acertar as coisas», revela o avançado que, além de jogar, também trabalha na secretaria do clube.

Este imbróglio teve início em julho, quando os sacavenenses alegaram que os sintrenses não cumpriam os requisitos para disputar o Campeonato de Portugal, devido a pagamentos em atraso, reclamando, por isso, o lugar na edição 2026/27 do quarto escalão nacional.

A vaga manteve-se em aberto até dois dias antes do arranque da prova (14 de agosto), quando a FPF designou a formação do município de Loures para disputar a Série 4, no lugar do 1.º de Dezembro. Mas no dia seguinte, num volte-face inesperado, a poucas horas do primeiro jogo da contenda, a FPF (contrariada, sublinhe-se) reintegrou o 1.º Dezembro, cumprindo a decisão do Tribunal Central Administrativo Sul.

Marocas reconhece a dificuldade em preparar a partida, num caso peculiar que teve tanto de preocupante — na parte técnica — como de divertido — no balneário —, mas que no fim os albufeirenses souberam neutralizar: «Estávamos apreensivos, porque não conseguíamos preparar o jogo. Ainda assim, passámos a semana a fazer brincadeiras, dizendo que ainda estavam a tentar arranjar uma equipa à nossa altura e que não queriam era jogar contra nós.»

O Imortal acabou a golear o 1.º Dezembro, apesar de ter focado mais o seu trabalho semana no Sacavenense, «porque os feedbacks das pessoas que estavam por dentro do assunto era de que eles é que iam entrar». 

«Horas antes do jogo, não sabíamos quase nada sobre o 1.º Dezembro, mas a equipa técnica lá conseguiu recolher algumas informações e passou-nos», explica, sublinhando que, apesar disso, «a estratégia manteve-se».

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