Marco Silva no Hearts-Benfica - Foto: Imago
Marco Silva no Hearts-Benfica - Foto: Imago

Hoje é dia de ver a verdadeira face deste Benfica

Na derradeira decisão rumo à fase de liga da UEFA Europa League, a equipa encarnada procura afastar a intermitência deste arranque de época e mostrar a sua mais bela versão

Quando hoje o Benfica pisar o relvado da Luz para defrontar o Aarhus na primeira mão do play-off de acesso à fase de liga da UEFA Europa League, a grande questão que pairará não será apenas de foro tático, mas quase de natureza existencial.

Afinal, qual é a verdadeira face desta equipa? A versão avassaladora e sem piedade que aplicou sete golos ao Casa Pia, em Rio Maior, seis ao Hearts e cinco ao St. Gallen na Luz? Ou a versão cinzenta e desconcertante que tropeçou no empate caseiro com o Académico de Viseu, a jogar à porta fechada, e que já viveu momentos de sobressalto nesta caminhada europeia?

A oscilação de rendimento neste arranque de temporada tem sido o grande enigma da formação encarnada. O futebol praticado nos dias de inspiração total atesta um potencial ofensivo avassalador e uma capacidade de sufocar adversários como há muito não se via.

No entanto, as falhas pontuais de concentração e as quebras inexplicáveis de ritmo vistas em certos compromissos deixam no ar um aviso sério para este duelo decisivo com o campeão dinamarquês. Num mata-mata europeu, a margem de erro é baixíssima e qualquer deslize em casa pode transformar a viagem à Dinamarca numa dor de cabeça inteiramente desnecessária.

Neste cenário de exigência máxima, a notícia do regresso de Fredrik Aursnes aos convocados assume relevância capital.

Ao sétimo jogo oficial da temporada, o internacional norueguês — um dos grandes pilares da sua seleção no recente Campeonato do Mundo — está finalmente 100% recuperado e de volta às opções da equipa técnica.

Aursnes é muito mais do que um futebolista polivalente de utilidade tática ímpar; é a verdadeira bússola emocional e o equilibrista silencioso de que este Benfica tanto necessita para estancar as flutuações de rendimento e conferir maturidade ao setor intermédio.

O embate com o Aarhus marca, por isso, o momento da verdade. O percurso até aqui demonstrou que a equipa tem dentes afiados para trucidar qualquer oponente, mas precisa urgentemente de regularidade para solidificar o seu estatuto internacional.

Frente ao campeão dinamarquês, o Benfica só tem um caminho possível: vestir o fato das grandes noites europeias, agarrar a vantagem na eliminatória e dar uma resposta categórica ao nível da demonstrada na última ronda da Liga que afaste em definitivo os fantasmas da intermitência.

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