Rui Borges na corda bamba no Sporting
As férias não servem só para descansar, estar com a família, visitar praias e montanhas ou simplesmente relaxar. Servem para nos abstrairmos do dia a dia de trabalho mas ao mesmo observarmos mais de perto o pensamento de quem nos rodeia sobre determinados assuntos. Em agosto, o frenesim do mercado continua mas ao mesmo tempo a bola já rola a contar pontos e porque passamos mais tempo com os amigos, porque nos juntamos com mais vagar, essa calma permite escutar mais e atentar melhor… Ao jornalista, também os amigos que não nos veem há mais tempo, porque afastados no espaço, gostam de perguntar: então o que achas deste defeso do Benfica? O FC Porto vai ganhar isto outra vez? O que é que se passa com o Sporting? Então mete-se a ganhar e depois é uma camada de nervos…
E é sobre o leão que em agosto, depois de um defeso e pré-temporada de assertividade no mercado e entusiasmo no jogo jogado que, num ápice, as dúvidas começaram a pairar. Sobretudo sobre o treinador, neste arranque de campeonato o mais visado pelas incertezas sportinguistas. É assim o futebol, é assim o clube de Alvalade mesmo em época de virtudes desportivas. É o preço de ser grande.
Na sexta-feira passada no Alentejo, ao final da tarde numa clubisticamente democrática mesa de esplanada, um amigo leão perguntou a outro que passava do outro lado da rua: então, não foste a Alvalade? A resposta surgiu na ponta da língua: enquanto lá estiver aquele treinador não meto lá os pés! E lá foi em passo apressado, porque o jogo com o V. Guimarães estava prestes a começar e uma coisa é não meter os pés em Alvalade enquanto aquele treinador lá estiver, outra é não ver de todo o jogo. No final dos 90’, do 3-0 que se transformou em 3-2 de corda na garganta, o pensamento do tal leão que não gosta de Rui Borges não só não deve ter mudado como deve ter-se tornado mais persistente.
Aqui chego ao ponto: Rui Borges é neste momento o mais pressionado de todos os treinadores da Liga. Uma pressão a que não é alheia a humilhante derrota na final da Taça de Portugal aos pés de um muito digno Torreense da Liga 2. O que pesa da época passada não foi tanto o falhanço do tricampeonato, amenizado pela entrada direta na Champions, antes o fracasso do Jamor, que estava a ser esquecido por conta do mercado e dos jogos de pré-época mas que surgiu logo ao primeiro empate e com as exibições que se seguiram a duas confortáveis vantagens no marcador, uma perdida e outra quase…
Rui Borges é nesta altura o elo mais fraco em Alvalade. Nem presidente, nem estrutura estão tão na mira dos tais adeptos que não metem os pés em Alvalade e dos 50 mil que apesar disso continuam a meter. Os indícios são que a massa adepta não vai ter a paciência que uma equipa em revolução precisaria, daí a urgência numa exibição consistente durante 90’.
A questão é a mesma desde dezembro de 2024, a capacidade de Rui Borges ser grande. Já mostrou que é capaz de o ser, porque quem faz o que o Sporting fez na última Liga dos Campeões só pode ser grande, mas não há paciência que resista a tantas vantagens desperdiçadas... Nem treinador que resista se isso se tornar num padrão.