O ex-FC Porto que joga com Messi e filho de Rui Borges e que marcou penálti após... defender quatro!
Ricardo de Montalegre? Só faltou mesmo tirar as luvas…
Dani Gomes foi o herói da final da Taça Transmontana AF Vila Real/AF Bragança, que opôs Montalegre (conquistou o campeonato distrital vila-realense em 2025/26) e Vinhais (vencedor no distrito bragançano).
Depois de ter mantido a baliza a zeros no tempo regulamentar (0-0), o guardião defendeu quatro (4!) penáltis na decisão dos onze metros.
Como se não bastasse, o jovem de 22 anos ainda assumiu o remate decisivo para levar, pela primeira vez, os bravos do Barroso à conquista da Taça Transmontana. 2-1 (após grandes penalidades) foi o resultado final, a favor da equipa onde jogam também Mário Borges — filho do treinador do Sporting, Rui Borges — e… Messi — nigeriano de 28 anos, na décima época em Portugal, com passagens pelo Vila Real, Vila Meã, Barrosas, Marco 09, Ferreira de Aves, Juventude Pedras Salgadas, Operário Lagoa e Régua.
Por falar em nomes de gigantes, voltemos a Dani Gomes. «Foi um momento único. Quando defendi o quarto e depois acabei por dar a vitória à minha equipa, foi a maior alegria que pude ter naquele momento», afirma, em entrevista A BOLA, o jogador que esteve ligado ao FC Porto, entre 2011 e 2020.
Quanto às defesas, o portuense, a cumprir terceira época no Montalegre, confessa que não houve trabalho de casa nenhum. Apenas «instinto». Sobre ter batido o último penálti foi mesmo «confiança do mister»: «No final do jogo, fui ter com o meu treinador de guarda-redes e perguntei-lhe se tínhamos alguma indicação dos jogadores deles. Disse-me que não, para ir no instinto. Foi o que fiz e deu certo, felizmente. Entretanto, o treinador principal também veio falar comigo a perguntar se estava confiante para bater o quinto penálti. Disse que assumia a responsabilidade e batia sem problemas.»
Nascido a 2 de março de 2004, tinha Dani Gomes pouco mais de três meses de vida e o protagonista da alcunha que no início do texto se lhe deu — Ricardo — já fazia felizes não só os montalegrenses, mas os portugueses no geral, no Euro 2004, frente à Inglaterra (2-2), com o guardião a defender, epicamente e sem luvas, um penálti a Darius Vassell e a marcar o decisivo logo a seguir, dando a vitória às quinas (6-5).
Apesar de ter feito agora proeza idêntica (com as diferenças, sobretudo, competitivas que saltam à vista) Dani Gomes não poderá, todavia, dizer que se inspirou no ex-guarda-redes da Seleção nacional, já que a tenra idade não lhe permitia ainda criar memórias desse jogo a 24 de junho de 2004 contra os ingleses. «Já não o vi jogar. Só me lembro de ver os vídeos, mas houve um senhor que disse que eu tinha sido melhor do que o Ricardo em 2004 [risos]», conta.
E, se por um lado, o jogador é demasiado novo para dizer que aprendeu com o internacional português, o mesmo já não pode dizer sobre… outro Ricardo.
Ricardo Silva foi um dos treinadores de guarda-redes que Dani Gomes teve na formação FC Porto. Em conversa com o nosso jornal, o atual técnico do Al Kharaitiyat (Catar) recorda-o: «Era um miúdo com uma vontade incrível de treinar e muito resiliente. Já tinha uma qualidade acima da média e um potencial incrível, independentemente de ser mais baixo…»
«Baixo? O Dani é gato de baliza»
Casillas, Sommer, Quim… Dani sonha ser mais um na lista dos baixinhos notáveis.
A estatura — 1,82 metros — foi, precisamente, um dos pontos que podem ter tramado Dani Gomes e que levou a um medo na aposta daquele «miúdo», considera Ricardo Silva: «O problema do Dani, um guarda-redes de rendimento que nós víamos com potencial para o futuro, pode ter sido mesmo o não crescer mais. E, como se sabe, muitas vezes olha-se a isso, infelizmente.»
«Mas ele não ficava nada atrás dos outros. Pelo contrário. Muitas vezes fazíamos duelos aéreos no treino, em situações de cruzamento, e ele ia ganhar bolas que os outros com mais altura não ganhavam, porque tinha uma boa impulsão, era forte, explosivo, elástico e, acima de tudo, muito competitivo», elogia o ex-técnico do Wolverhampton, descrevendo o jovem como um «gato de baliza» e considerando ainda que «é um talento que não deve ser desperdiçado».
«Por aquilo que é em termos de resiliência, de trabalho e de vontade de vencer, acredito que o Dani pode ascender a outros campeonatos e até chegar à Liga. Se lá não chegar, não terá sido por culpa dele, mas sim de quem tiver medo de apostar», acrescenta aquele que foi o treinador de guarda-redes das equipas técnicas de Vítor Pereira nas últimas três temporadas.
Ricardo Silva nota que, «atualmente, ao mais alto nível, só há David Raya e Yann Sommer com estatura baixa, mas já vimos em Portugal Beto, Quim e até Casillas» — um dos ídolos de Dani Gomes. «Atualmente, é o Diogo Costa, mas antes era o Casillas pela altura dele», afirma o jogador, quando questionado pelo «tal tema que tem ouvido falar diversas vezes ao longo dos anos de futebol».
«Sinceramente, tento esquecer isso e trabalho em busca de que alguém esteja disponível para apostar em mim e dar confiança ao meu trabalho», garante o keeper, que espera «poder ajudar o Montalegre a fazer uma boa época no Campeonato de Portugal e, no próximo ano, dar o salto para outros patamares.»
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