Ruben Amorim a falar com Bruno Fernandes no Manchester United, em Old Trafford
Ruben Amorim a falar com Bruno Fernandes no Manchester United, em Old Trafford - Foto: IMAGO

Lenda do United arrasa Amorim: «Se te viras contra os chefes, perdes o emprego!»

Gary Neville não poupa críticas à postura do treinador nos seus últimos dias em Old Trafford e revela os bastidores da queda

O sismo que abalou Manchester esta manhã, com o despedimento de Rúben Amorim, já mereceu a primeira grande análise de Gary Neville. Para o antigo capitão dos red devils, o desfecho não surpreende e justifica-se à luz da postura «emocional» do treinador e à sua incapacidade de adaptar a equipa ao seu «sistema fetiche» de três centrais.

Em entrevista à Sky Sports, Neville confirma que a reunião de sexta-feira passada entre Amorim e o diretor desportivo, Jason Wilcox, foi o catalisador do despedimento.

«Teria ficado desapontado se o diretor desportivo não tivesse pedido explicações após o jogo com o Wolves», disparou o antigo jogador do Manchester United, segundo o qual Amorim terá reagido de forma negativa à cobrança interna, transpondo esse mal-estar para as conferências de imprensa.

«A realidade é simples: se te viras contra os teus chefes, seja num clube de elite ou num supermercado, não vais manter o emprego, és despedido. O Ruben decidiu descarregar publicamente e isso só podia acabar de uma forma», disse, sublinhando que a posição do treinador se tornou «insustentável» por falta de apoio político interno.

Tacticamente, Gary Neville considera que a insistência de Ruben Amorim no 3x4x3 (ou 3x5x2) foi uma «experiência falhada» que o clube não podia mais suportar.

«Estou chocado com o quão mal os jogadores se adaptaram. Os laterais na Europa já não crescem a saber jogar como alas num sistema de três centrais. É uma falha partilhada entre o treinador, que não soube adaptar-se, e o clube, que não recrutou para isso.»

Para Neville, o Manchester United viveu num «estado constante de crise de identidade» sob o comando do português: «As experiências têm de acabar. O United tem um ADN próprio — futebol de ataque, agressivo, com alas puros. Amorim tentou impor algo que não encaixava na história deste clube.»

Com Darren Fletcher a assumir o comando interino, Neville espera um choque de gestão imediato, começando pelo desenho táctico. «Acredito que o United voltará já ao sistema de quatro defesas contra o Burnley. Precisamos de largura, velocidade e entretenimento.»

Quanto ao sucessor definitivo, Neville evitou dar nomes, mas deixou o perfil traçado: «Alguém com experiência, que não queira reinventar a roda e que respeite o que Bobby Charlton sempre defendeu para este clube. O Manchester United não pode mudar por ninguém; o treinador é que tem de se ajustar ao United.»