Bruno Fernandes a correr atrás de Pedri no Espanha-Portugal. Foto IMAGO
Bruno Fernandes a correr atrás de Pedri no Espanha-Portugal. Foto IMAGO

Bruno Fernandes também foi um problema

Roberto Martínez já foi, Cristiano Ronaldo talvez vá, mas é muito perigoso pensar-se que isso resolve tudo

Enquanto o povo destila ódio contra Roberto Martínez (maioritariamente justificado) e esquece tudo o que Cristiano Ronaldo fez no passado (o que não invalida que se questione se faz sentido, sequer, ser titular, quanto mais jogar 440 minutos em 450 possíveis neste Mundial, aos 41 anos, com Gonçalo Ramos no banco...), outros fatores tão ou mais importantes na eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial, às mãos da Espanha, vão sendo ignorados.

Mas há um que não consigo desprezar: o problema em que se transformou Bruno Fernandes. Em primeiro lugar, porque, para Martínez, chegou a parecer quase tão indiscutível quanto Ronaldo — e o facto de nos oitavos, com a exibição paupérrima que estava a fazer, ter concluído o jogo, com o selecionador a preferir substituir Vitinha, é o maior sinal disso.

É certo que a culpa disso não é de Bruno Fernandes, é do selecionador, e o mesmo vale para Cristiano Ronaldo. No caso de Bruno Fernandes, porém, o problema não é apenas raramente sair; grave, grave é que, estando em campo, anda há vários anos a jogar um jogo diferente do resto da Seleção.

A forma como analisou a derrota contra a Espanha prova-o. Para o médio ofensivo do Manchester United, Portugal voltou «a cometer o mesmo erro de baixar muito as linhas e dar demasiado a bola ao adversário». Infelizmente, Bruno não foi ao fundo da questão: porque é que isso acontece sempre. E é pena, porque um dos motivos é ele próprio.

Bruno quer sair sempre a pressionar, quer impedir que o adversário chegue ao meio-campo com a bola controlada, quer recuperá-la em terrenos avançados. É admirável, mas é preciso ter equipa para isso.

Com Ronaldo a ponta de lança e João Neves (52 jogos, 3784 minutos esta época) e sobretudo Vitinha (67 jogos, 5373 minutos em 2025/26) sem poderem com uma gata pelo rabo, Portugal pode pressionar 10, 15, 20 minutos — como fez na reta final da primeira parte contra a Espanha — mas inevitavelmente terá de recuar, caso contrário começam a aparecer avenidas entre o meio-campo e a defesa.

O próprio Bruno também é responsável por elas — é muito bonito pressionar alto, mas se o adversário muda de velocidade convém vir atrás dele, caso contrário está a criar inferioridade numérica. E só faz sentido fazê-lo quando toda a equipa consegue subir, como um harmónio, coisa que Portugal está bem longe de ser. Ou teremos apenas um médio a correr para a frente e a ficar fora das jogadas...

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