Cristiano Ronaldo, o tempo e o modo
Creio que vale a pena regressar ao tema Cristiano Ronaldo, a propósito da atualidade da Seleção Nacional. Trata-se de uma matéria séria no contexto do futebol, e é importante que não subsistam quaisquer dúvidas quanto ao que penso sobre o assunto.
Em primeiro lugar, Cristiano Ronaldo. Imediatamente antes da partida da Seleção Nacional para os Estados Unidos, foram entregues a cada jogador da equipa nacional biografias de Diogo Jota, assinadas por mim e com dedicatórias individualizadas. Na que escrevi para CR7, coloquei: «A Cristiano Ronaldo, melhor jogador do Mundo», porque é assim que entendo que deve ser recordado. É esta a forma que julgo mais correta de ser inscrita em todas as ruas e avenidas deste país que lhe forem dedicadas, porque, em determinados períodos — e não só quando ganhou as Bolas de Ouro — o fora de série madeirense foi, de facto, o melhor do Mundo. Foi. Por isso, o respeito, a admiração e a gratidão que sempre sentirei por ele, expoente máximo do desporto português e principal embaixador de Portugal à escala planetária.
Mas há que não confundir a beira da estrada com a estrada da Beira. Tudo na vida tem o seu tempo, e o tempo de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional, que sempre defendeu de forma irrepreensível, em minha opinião, acabou. É a lei da vida a falar mais alto; CR7 está em espantosa forma física para quem tem 41 anos, mas isso já não é suficiente. De solução para a equipa de todos nós (aquele jogo de Solna, a 13 de novembro de 2013, num Suécia 2-3 Portugal em que assinou um «hat-trick», foi um momento sublime para quem gosta de futebol), o capitão do Al-Nassr passou a problema. Martínez pagou o preço de o ter feito jogar 440 dos 450 minutos que a Seleção Nacional disputou no Mundial, e percebeu-se que, no limite, aquilo que CR7 tem para dar é muito menos do que lhe foi pedido. Se ele aceitar fazer parte do grupo como elemento aglutinador, desde que esteja disposto a ter uma participação desportiva longe da centralidade, nada terei a opor. Se Jorge Jesus, que o treinou na Arábia Saudita, entender de forma diversa, sujeitando a equipa a adaptar-se àquilo que Cristiano tem para dar, haverá mais do mesmo. Aguardemos para ver o que CR7 tem a dizer, bem como o novo selecionador nacional, porque Ronaldo não faz as convocatórias; essas serão da responsabilidade do «mister».
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…