Presidente da FIFA alvo de queixa por violação da neutralidade política
A organização não governamental de defesa dos direitos humanos FairSquare anunciou esta quarta-feira que irá apresentar uma queixa contra Gianni Infantino, presidente da FIFA, junto da comissão de ética do Comité Olímpico Internacional (COI). A acusação baseia-se em «violações repetidas da neutralidade política».
No centro da controvérsia está a relação próxima entre Infantino e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país que acolheu o Mundial 2026, tal como Canadá e México. A FairSquare argumenta que esta proximidade viola os princípios da Carta Olímpica, que exige que os membros do COI, como é o caso de Infantino, atuem «independentemente de interesses comerciais e políticos».
Um dos episódios citados pela ONG foi a presença do líder da FIFA, de 56 anos, no «Conselho da Paz» de Trump, em fevereiro de 2026, onde usou um boné com as inscrições «USA» e «45-47», uma alusão aos dois mandatos presidenciais do político norte-americano.
Na altura, um porta-voz do COI desvalorizou a polémica, afirmando: «Compreendemos que a FIFA apoia, através do futebol, um vasto programa de investimento para a reativação do desporto em Gaza, na Palestina, fornecendo infraestruturas desportivas, ações educativas e projetos de desenvolvimento de alto nível.»
A comissão de ética da própria FIFA já tinha sido contactada pela FairSquare. A queixa surgiu depois de Infantino ter atribuído um «Prémio FIFA da Paz» a Donald Trump em dezembro de 2025, o que foi considerado uma violação do princípio de neutralidade. Esta iniciativa da ONG recebeu o apoio de 50 deputados europeus e da Federação Norueguesa de Futebol, mas a FairSquare salienta que não há qualquer indicação «de que tenha sido aberta uma investigação sobre esta queixa».
A questão foi também abordada na passada terça-feira por Kirsty Coventry, presidente do COI, a propósito do caso Balogun, em que a suspensão do jogador norte-americano para os oitavos de final contra a Bélgica terá sido levantada após um apelo de Trump a Infantino. «Tanto quanto sei, a comissão de ética não recebeu qualquer queixa sobre este assunto», declarou Coventry, acrescentando: «Obviamente, se recebesse, iria analisá-la.»