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UEFA e FIFA em rota de colisão por causa do regresso da Rússia
A UEFA prepara-se para bloquear o regresso das equipas russas às competições internacionais, uma postura que contrasta com a recente decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) de levantar a suspensão do país e que antecipa um novo confronto com a FIFA.
Recorde-se que as equipas russas foram banidas de todas as competições há quatro anos, na sequência da invasão em grande escala da Ucrânia. Na esteira da decisão do COI, a FIFA já sinalizou que irá reavaliar a sua posição, tendo afirmado na terça-feira que iria «analisar a decisão antes de decidir os próximos passos».
Apesar da ausência de um comentário oficial por parte da UEFA, fontes de várias federações nacionais asseguram que não há qualquer cenário realista para o regresso das equipas russas ao futebol europeu. Esta posição intransigente coloca em risco a participação da Rússia no Campeonato do Mundo, uma vez que a qualificação europeia para o torneio da FIFA é organizada pela UEFA. As federações mais poderosas, como as de Inglaterra, Alemanha e França, continuam a opor-se firmemente à reintegração.
Esta não é a primeira vez que a UEFA enfrenta pressão interna sobre esta matéria. Há três anos, o organismo foi obrigado a recuar num plano para reintegrar as seleções jovens russas, após forte oposição de pelo menos uma dúzia de federações-membro. Com a reeleição do presidente Aleksander Ceferin agendada para o próximo ano, é pouco provável que este queira arriscar o apoio de uma parte significativa do seu eleitorado.
Em sentido contrário, a FIFA, sob a liderança de Gianni Infantino, parece mais recetiva à readmissão da Rússia. O presidente da FIFA, conhecido pela sua relação próxima com Vladimir Putin desde o Mundial de 2018, já manifestou o seu desejo de ver o país de volta. Em fevereiro, Infantino afirmou à Sky News que a FIFA iria analisar a questão, defendendo que «esta proibição não alcançou nada, apenas criou mais frustração e ódio».
A questão russa ameaça, assim, aprofundar o fosso entre as duas entidades mais poderosas do futebol, que já esta semana se envolveram numa troca de acusações pública. O conflito mais recente surgiu quando o comité disciplinar da FIFA levantou, de forma inédita, a suspensão de Folarin Balogun antes do jogo do Mundial entre os EUA e a Bélgica. A UEFA acusou a FIFA de cruzar «uma linha vermelha» que prejudicava a integridade da competição, ao que a FIFA respondeu com acusações de hipocrisia.
A decisão do COI de levantar a suspensão ao Comité Olímpico Russo, que estava em vigor desde outubro de 2023, abre a porta à participação de atletas e equipas russas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028. Contudo, o próprio COI ressalvou que cada modalidade tem autonomia para decidir e que, no caso do futebol, a participação em 2028 é impossível, dado que os torneios de qualificação já se iniciaram.
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