Jota Silva lembra 'falhanço' Sporting: «Foi duro. O meu mundo desabou»
A transferência falhada para o Sporting marcou o último verão de Jota Silva e acabou por ser o ponto de viragem numa fase particularmente instável da sua carreira. Em entrevista ao The Athletic, o extremo português recordou os dias finais do mercado, a turbulência vivida no Nottingham Forest, a mudança para o Besiktas e o sonho intacto de regressar à Seleção Nacional.
No verão de 2025, Jota Silva tinha (praticamente) tudo acertado para regressar a Portugal e vestir a camisola do Sporting. Forest e leões chegaram mesmo a acordo para um empréstimo de 4,5 milhões de euros, com opção de compra de 15 milhões, já em cima do fecho do mercado. O negócio caiu… por um minuto.
«Sentiu-se várias vezes que estava quase feito. Mas mudava dia após dia. Acabou da pior forma possível. Falhar uma transferência por um minuto é duro», admitiu o jogador, que não esconde o impacto emocional do desfecho. «Não tenho problemas com o Forest ou o Sporting... mas não vou mentir. Foi difícil. Quando recebi a chamada a dizer que os documentos não foram entregues a tempo... o meu mundo desabou. Mas no dia seguinte, acordei às 8 da manhã e fui treinar. Os meus colegas de equipa ajudaram-me. Fiquei calado e não falei, porque naquele momento, podia dizer coisas por impulso», continuou.
O contexto no clube inglês também não ajudou. O jogador descreve um ambiente de incerteza no Nottingham Forest, com rumores constantes sobre o futuro de Nuno Espírito Santo e problemas internos ao mais alto nível: «Somos humanos e sentíamos isso. Quando lês notícias sobre o treinador poder sair, é normal perceber que algo pode acontecer. Todos os dias chegávamos ao clube sem saber o que ia acontecer. Depois do treino, era pegar no telemóvel e ver: ‘Haverá surpresa hoje?’»
Uma nova vida em Istambul
Sem Sporting, o destino acabou por ser a Turquia. A 12 de setembro, Jota Silva deixou o Forest para rumar ao Besiktas, onde reencontrou estabilidade e minutos. E não escondeu a satisfação.
«Encontrei o Besiktas e quero estar aqui. Posso jogar, posso mostrar o meu futebol. Estou feliz», afirmou o extremo, que soma 10 jogos e dois golos pelo histórico clube de Istambul. «Sinto algo parecido com o que sentia no Forest: somos uma equipa que luta até ao fim. Se fores um cão dentro de campo, tens sempre uma hipótese.»
Jota admitiu, ainda, que gostaria de ver o empréstimo transformado em definitivo, embora recorde que ainda tem dois anos de contrato com o Forest.
O sonho da Seleção continua
Com duas internacionalizações por Portugal, Jota Silva mantém a ambição de voltar a convencer Roberto Martínez, especialmente com o Mundial no horizonte. E acredita que tudo começa no relvado.
«Se eu jogar com a garra que sei que tenho, o mínimo é que o selecionador saiba o meu nome. Se depois me escolher ou não, isso já depende dele», sublinhou.
Depois de um verão caótico e de uma transferência que caiu por segundos, Jota encontrou em Istambul o palco para recomeçar no presente, com os olhos no futuro.