«Sabor a mini-Estádio da Luz»: Benfica provoca euforia encarnada… e verde na Suíça
A expectativa começou a ser construída a 17 de junho, dia do sorteio da 2.ª pré-eliminatória da UEFA Europa League. O papel exaltado por Branco de Kock, gestor de calendários e regulamentos da UEFA, selou o primeiro jogo oficial do Benfica na Suíça desde 2017.
A confirmação do duelo inédito contra o St. Gallen precipitou os primeiros pedidos de bilhetes a Márcio Araújo, presidente da casa do Benfica de Zurique, situada a cerca de 80 quilómetros do palco da partida da primeira mão (19h).
«Mal saiu o sorteio começámos logo a receber e-mails a pedirem-nos bilhetes», começou por contar a A BOLA. A mobilização esgotou-se, ainda assim, em «cerca de 900 bilhetes» para as águias, correspondentes a cinco por cento da lotação do recinto. O estádio Berit Sitter tem capacidade para cerca de 18 mil espectadores em jogos internacionais.
Os sócios residentes em nove países europeus (Suíça, Áustria, Alemanha, Itália, França, Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos) tiveram prioridade na compra de ingressos, que «voaram mal foram colocados à venda», de acordo com Márcio.
Nem a presença de dezenas de adeptos infiltrados nas bancadas afetas ao St. Gallen evitam um cenário pouco habitual quando o Benfica visita a Suíça: as águias não vão jogar em casa. Márcio considerou «quase impossível» que «mais de 2.000 adeptos» encarnados marquem presença no estádio. A euforia tambem se pinta em tons de verde.
Os adeptos do Benfica estarão em minoria na casa do terceiro clube com a melhor média de assistência na liga suíça. «Para o St. Gallen é um jogo grande. Têm uma massa adepta muito boa e vão ter o estádio cheio. Não digo que nós, adeptos do Benfica, enchíamos o estádio todo, mas 10 mil conseguíamos», frisou Márcio.
«O Benfica não pertence a esta competição»
Gabriel Magalhães, elemento da direção casa do Benfica de Rorschach, a cerca de 13 quilómetros de St. Gallen, explica o maior obstáculo a uma invasão encarnada: a paixão dos adeptos do St. Gallen. O dirigente reconhece que «há muitos benfiquistas que querem ir ao jogo», mas frisa que as águias «vão estar em desvantagem» nas bancadas.
Gabriel antecipa, ainda assim, «um dos jogos com mais adeptos visitantes da história do St. Gallen». «É um jogo fora que tem sabor a mini Estádio da Luz. Vai estar casa cheia de certeza», reiterou. O antigo apanha bolas do clube suíço antecipa um jogo entre dois clubes com «realidades distantes».
«O Benfica não pertence a esta competição», atirou. A localização estratégica do local da primeira mão, a parcas dezenas de quilómetros de Alemanha e Áustria favorece a mobilização encarnada na cidade, «não só no estádio, mas também na receção aos jogadores». O dirigente antecipa dias «algo especiais» para os comandados de Marco Silva pois «vão poder ver que, mesmo fora do país, existem muitos portugueses e benfiquistas».
«Apoio não vai faltar», mas Márcio e Gabriel admitem que a partida na Suíça «podia ter calhado numa melhor data.» Quis o destino (e o sorteio) que o duelo inédito em St. Gallen acontecesse durante o período de férias de muitas famílias de emigrantes. «Muitos portugueses já não vão estar no país, incluindo eu», revelou o dirigente da casa de Rorchach, que vai assistir à segunda mão no Estádio da Luz.
Já Márcio regressa à Suíça três dias depois do duelo da primeira mão. «Muita gente aproveita este período para ir de férias. As nossas estão marcadas, não dá. Haverá mais oportunidades», exclamou, resignado.
Do «pequeno Estádio da Luz» ao sucesso no… futsal
Para quem permaneceu na Suíça e não teve oportunidade de comprar bilhete para a primeira mão, pequenas embaixadas de portugalidade são a solução. Márcio Araújo conta que entre 70 e 100 pessoas «assistem sempre» a jogos dos encarnados na casa do Benfica em Zurique. «Fazemos da casa um pequeno estádio da Luz», explicou.
O quotidiano, ainda assim, pinta-se com todas as cores do futebol português: «A casa é mais um ponto de encontro, tanto para benfiquistas como portistas e sportinguistas. O Benfica vem cá e todos os portugueses estão a apoiar. Não há problemas.» «Só mesmo os fanáticos» não reconhecem a afinidade às águias no jogo desta noite.
A cerca de 18 quilómetros do estádio do St. Gallen, os benfiquistas podem reunir-se na casa do Benfica de Rorschach. A ponte para o Estádio da Luz com vista para Alemanha e Áustria é descrita como um espaço para «viver a cultura portuguesa». «Existem sócios da casa que não são benfiquistas», reiterou.
Tal vínculo independente de afinidades clubística encontra explicação… dentro da quadra. A equipa da Casa do Benfica de Rorschach milita na primeira divisão do futsal suíço, tendo alcançado a final da última edição da taça. O conjunto «ganhou forte prestígio» na comunidade portuguesa, mas também no desporto helvético.
«Aqui na Suíça gosta-se da comunidade portuguesa», frisou. Gabriel destacou a integração total de mais 270 mil emigrantes lusos que integram uma «cultura trabalhadora» e «não muito problemática».
Centenas de emigrantes lusos que não regressaram às origens para descansar viajam até St. Gallen, mesmo sem bilhete, por horas soldadas no combate à guerra da saudade de todo um próprio clube e do país. 36 dias depois do sorteio que precipitou o regresso do Benfica à Suíça.
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