Hulk com a camisola do FC Porto em clássico contra o Benfica, em 2010/11. 10 anos antes, chegava a Portugal para jogar no... Vilanovense (IMAGO)

Sabe qual foi o primeiro clube de Hulk em Portugal? O 'único' de José Oliveira

Os pergaminhos do Vilanovense permitiram-lhe, ao longo dos anos, conquistar, em Gaia, um respeito sem igual. Foram vários os craques que por lá passaram, mas o que frustra, agora, os adeptos são os «tijolos» do futuro

Além de ser «o maior de Gaia», como concordam os entrevistados, o Vilanovense esteve, em tempos, entre os grandes do futebol português. De 1972 a 1977, brilhou na segunda divisão nacional (zona Norte), diante de emblemas como SC Braga, Académica ou Beira-Mar.

Foram também vários os nomes de grande nível que passaram pelo clube, tanto na formação - exemplos de Hulk (sim, o Vilanovense foi o primeiro amor do Incrível em Portugal) e Bruno Vale (internacional A pelas quinas) - e também nos séniores, como Nélson (antigo lateral-direito do Benfica e seleção portuguesa), que chegou à Europa, oriundo de Cabo Verde, para jogar no Vila - como é carinhosamente tratado.

Nélson e Ronald Koeman, à data treinador do Benfica, em 2005. Três anos antes, o defesa jogava ni Vilanovense (o seu primeiro clube em Portugal) - Foto: A BOLA

Fora os sonantes, há um nome que António Martins recorda ainda com mais carinho, o de José Oliveira: «Hoje, jogaria num grande. A bola batia-lhe e entrava na baliza, não havia hipótese de travar.»

«Um insulto à nossa história»

O ponta de lança José Oliveira também falou com o nosso jornal e lembra que só chegou ao «clube do coração» aos 22 anos: «Nós, gaienses, sabemos que todas as equipas de Gaia têm o seu valor e o bairrismo é inexplicável, mas o Vilanovense era o clube a que todos queriam chegar: pelo historial, valores e por aquele estádio único...»

José Oliveira, o goleador do Vilanovense, nas décadas de 1970 e 1980 - Foto: D.R.

É, precisamente, a despedida do acarinhado Parque de Jogos Soares dos Reis que convida a antiga glória daquele «recinto absolutamente icónico» à conversa: «Estou emocionado, porque amo o Vilanovense… Querem plantar betão sobre as nossas memórias. Cada tijolo será um insulto à nossa história.»

Porém, tal como fez dentro de campo, o agora adepto, com 69 anos, não vai virar a cara à luta: «O tribunal bateu o martelo, mas não bateu o nosso espírito. Quem acha que esta decisão é o fim, enganou-se, porque é apenas o início da maior demonstração de força e união do nosso Vila. Só perde quem desiste. A nossa bancada agora é a rua.»

Os adeptos rubro-negros estão unidos num dos momentos mais difíceis da história do clube - Foto: Vilanovense

Fecha-se, então, a reportagem, tal qual se começou: cheia de esperança no porvir. Até porque, enquanto houver um gaiense, não morre o Vilanovense.

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