Frederico Varandas faz 'reset' ao plantel do Sporting (foto: Miguel Nunes)
Frederico Varandas faz 'reset' ao plantel do Sporting (foto: Miguel Nunes)

Não desligue: o Sporting está em atualização

SAD liderada por Frederico Varandas decidiu que era preciso fazer um 'reset' à máquina, mas deve ponderar o risco de ficar demasiado tempo com o dedo a pressionar o botão

No final de uma época sem qualquer título adicionado ao palmarés — após nove troféus conquistados em sete anos —, a SAD do Sporting decidiu que era altura de fazer uma espécie de reset. Até no emblema, mas sobretudo no plantel, dada a convicção de final de ciclo para vários jogadores.

O ponto de partida não é descabido, mesmo que possa estar muito influenciado pelas marcas deixadas pela tumultuosa saída de Viktor Gyokeres para o Arsenal. Daí que a saída para o Atl. Madrid de Morten Hjulmand, que chegou ao mesmo tempo que o sueco, seja absolutamente compreensível. Sem colocar em causa o profissionalismo do dinamarquês, que era capitão de equipa, a SAD liderada por Frederico Varandas sabia que adiar agora a venda seria arriscar mais uma despedida menos amigável.

Esse pacto estava assumido, assim como a decisão de capitalizar o rendimento desportivo de Hidemasa Morita até ao último dia, renunciando a qualquer compensação financeira pela venda do médio japonês, decidido a contemplar outras experiências na carreira, aos 31 anos, e em concreto o sonho de jogar na Premier League.

As duas decisões da administração leonina são perfeitamente compreensíveis, até porque foram devidamente acauteladas. O tempo tratará de polir a avaliação, mas a intervenção no mercado foi pragmática, já que Sergi Altimira, Silas Andersen, Pedro Lima e Issa Doumbia foram garantidos logo para arranque de pré-época.

Rodrigo Zalazar chegou já para salvaguardar a saída de Trincão, e até o adeus provável de Pedro Gonçalves e Daniel Bragança parece precavido. Ibrahima Ba já acautela a provável transferência de Ousmane Diomande e o dinheiro que sobra ainda dá para um lateral novo, que faça mais sombra a Maxi Araújo, tendo em conta que Ricardo Mangas já vai embora e abre um espaço no corredor que também serve a Nestor Irankunda.

O Sporting sabe o que quer e decide rápido, o que é de louvar, mas às tantas interrogo-me se não fará mal à máquina ter o dedo tanto tempo no botão, para forçar o reinício. Mais do que analisar as decisões indivualmente, é a dimensão global que levanta dúvidas para a nova temporada.

As atualizações são essenciais para manter uma performance elevada, mas o Sporting pode correr o risco de perder as definições do sistema.

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