Jesús ressuscitou a fé madeirense na permanência (crónica)
Em época pascal, o Jesús venezuelano dos madeirenses, ressuscitou a equipa na caminhada para os pontos da salvação e fez renascer a fé na manutenção com o regresso aos triunfos, depois de oito jogos consecutivos sem vencer na Liga e que estava a levar os alvinegros para a crucificação na classificação, em direção à morte do objetivo. Não foi ao terceiro dia como os relatos bíblicos, mas sim ao 69.º: foi a 25 de janeiro que Nacional tinha celebrado a última vitória, na receção do Rio Ave. «Jesus is King», estava escrito na camisola interior do avançado, que nesta época tem sido um verdadeiro Rei (dos golos) para a sua equipa.
Nesta ressurreição dos madeirenses, Jesús Ramírez contou também com a complacência dos opositores, com um erro crucial apenas com 10 segundos de jogo, quando na saída de bola Doué e Luan Patrick atrapalharam-se e pressionados perderam a bola para o avançado venezuelano, que foi travado pelo central brasileiro em cima da linha da área. Deus perdoa os erros, mas Jesús, de apelido Ramírez, não. Cheio de fé, olhou para a baliza e colocou a bola no lado esquerdo de Renan Ribeiro, que ainda se esticou, mas não conseguiu impedi-la de entrar.
Foi uma entrada em cheio dos madeirenses que lhes transmitiu tranquilidade para controlarem o ímpeto dos estrelistas, o que foi conseguido sem correrem situações muito complicadas para a sua baliza, até ao descanso.
Depois, houve milagre num tiro cruzado ao poste de Jovane Cabral que manteve o Nacional em vantagem, para saber sofrer no aperto que se seguiu. Moustier, com um remate que passou perto dos ferros fez os madeirenses suspirarem de alívio. Depois houve mudança de doutrina na equipa de Tiago Margarido, Jesús Ramírez teve na cabeça boa ocasião, e a Bóia da salvação dos três pontos foi lançada por Paulinho, que rececionou na perfeição um passe longo de Léo Santos, tirando Luan Patrick da frente para finalizar perante Renan Ribeiro.
O golo quebrou a reação do Estrela da Amadora, que não conseguiu incomodar Kaique como o estava a fazer antes de sofrer o segundo golo e ainda houve tempo para uma traição de Daniel Jr. a Jesús (Ramírez), que simulou uma queda na área antes de a bola chegar aos pés do Deus do golo madeirense, que finalizou com êxito, mas João Gonçalves apitou (e bem) a infração. Nos descontos, o brasileiro quase que foi perdoado, mas Renan Ribeiro não deixou.
As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (6), Alan Nuñez (5), Léo Santos (6), Zé Vitor (5), José Gomes (6), Miguel Baeza (6), Laabidi (6), Liziero (6), Gabriel Veron (5), Jesús Ramírez (7), Paulinho Bóia (7), Daniel Jr. (5), Lenny Vallier (4), Filipe Soares (4) e Chico Gonçalves (-)
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora (4x3x3): Renan Ribeiro (5), Max Scholze (5), Bernardo Schappo (5), Luan Patrick (4), Bruno Langa (5) Doue (5), Jansson (5), Alex Sola (5), Abraham Marcus (6), Rodrigo Pinho (5), Stoica (5), Moustier (5), Jovane Cabral (6), Jefferson Encada (4), Sydney van Hooijdonk (4) e Antonetti (-)
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«Vitória importante na 1.ª das sete finais. Esperamos que seja uma pedrada no charco e que a partir de agora encarrilemos numa cena de vitórias. Os jogadores, sob uma forte pressão, deram uma boa resposta, mantiveram a qualidade de jogo e para mim a grande diferença foi termos conseguido concretizar. A equipa jogou bem e conseguiu decidir no último terço com a cabeça fria e nos momentos de duelo com o coração quente.»
João Nuno, treinador do Estrela da Amadora
«Esta entrada não pode acontecer. Não podemos perder a bola de saída e dar logo uma situação que nos colocou em dificuldades. Depois, ainda temos a infelicidade de sofrer logo o golo no primeiro minuto e entrámos no jogo praticamente a perder. Na 2.ª parte, corrigimos e entrámos muito bem, estávamos completamente por cima , tivemos a bola ao poste, mas depois, num mandar de bola para a frente, o Nacional, e o Paulinho Bóia, que eu nem sei se queria receber daquela forma, tem a felicidade de acertar a receção e fazer 2-0. A partir daí, ainda tivemos mais uma ou outra situação, mas fomos mais com o 'coração' e perdemos a organização do jogo.»