Haaland marcou os dois golos da Noruega na partida - Foto: IMAGO

Haaland veio do outro mundo para acabar com o sonho do hexa (crónica)

Num grande jogo de futebol, o goleador foi quem mais brilhou. Bis na reta final a selar uma vitória norueguesa sobre o Brasil, por 2-1. Neymar voltou aos golos pela canarinha mas não impediu o conjunto escandinavo de chegar aos quartos pela primeira vez na história

Num dos jogos mais esperados destes oitavos, Brasil e Noruega corresponderam às expectativas e, em Nova York, deram um espetáculo digno da Broadway. Mas, entre todas as estrelas que estiveram em campo, Haaland foi a que brilhou mais, guiando os nórdicos a uma vitória por 2-1.

Com Paquetá ausente por lesão, Ancelotti alterou a estrutura, abdicando de um médio para jogar em 4x4x2, lançando Martinelli para formar dupla de ataque com Matheus Cunha. Do lado norueguês, Ryerson deixou de ter carta branca para subir no terreno (graças a Vinícius) e Sorloth ficou mais encostado à linha, com Haaland na frente e Odegaard nas suas costas. Aursnes e Schjelderup começaram no banco.

E se haviam dúvidas se este iria ser um grande jogo, os primeiros 15 minutos dissiparam-nas. Logo aos 3', os milhões de brasileiros espalhados pelo mundo apanharam um valente susto quando Berg atirou para o fundo das redes. O susto, porém, durou pouco, já que o lance foi invalidado por fora de jogo de Sorloth, autor da assistência.

A resposta chegou aos 14'. Ajer derrubou Matheus Cunha na grande área e, após ser chamado ao monitor, Ismail Elfath assinalou penálti. Bruno Guimarães assumiu... e Nyland advinhou o lado.

Este lance deu o mote ao que iria ser o resto do primeiro tempo. Nyland, de um lado, e Alisson, do outro, ditaram a lei, negando todas as oportunidades que existiram... e não foram poucas. O encontro esteve sempre vivo, com as equipas a presentearem os adeptos com um futebol de qualidade, ofensivo, a arriscarem — tanto que, por vezes, o jogo ficou partido e algo desorganizado — e o golo podia ter chegado para qualquer lado. Ao intervalo, contudo, reinava o nulo.

Segundo tempo recheado

O esférico voltou do reatamento com um sotaque norueguês carregado. Com as alas renovadas — entraram Schjelderup e Bobb —, o conjunto escandinavo ia trocando passes, num ritmo moderado, pela certa, tentado fazer crescer a impaciência brasileira. Resultou... durante 15 minutos. Depois? Só deu Brasil... e Nyland.

Vinícius — que esteve em grande plano — ofereceu o golo a Endrick (59'), Rayan tentou a sorte (62') e Bruno Guimarães esteve na cara do golo (63'). Todos estes lances acabaram da mesma maneira: defesa do guardião viking.

Ninguém parecia capaz de desatar o nó. Mas, num jogo que era uma autêntica constelação, faltava uma estrela aparecer. Já com Aursnes e Neymar em campo, Schjelderup bailou do lado esquerdo e cruzou para a área. À espera estava o inevitável Erling Haaland, que movimentou-se rápido para se antecipar a Gabriel Magalhães e cabeceou para o fundo das redes (80').

O maldição Noruega estava bem viva, o sonho do hexa a desvanecer-se, mas o Brasil não desistiu. A canarinha tentou o tudo por tudo até ao fim. Mais uma vez, Nyland mostrou-se à altura a segurar a vantagem nórdica. Depois, chegou a machadada final. Aos 90', Haaland recebeu de fora de área, parou, olhou e atirou forte e rasteiro, batendo Alisson pela segunda vez e aumentando as dúvidas: será mesmo deste mundo?

Antes do final, tempo para um momento simbólico. Aos 90+8', Neymar converteu uma grande penalidade para chegar ao 80.º golo com a camisola da seleção, o primeiro em dois anos e meio.

De nada serviu. A Noruega está pela primeira vez nos quartos, aumenta a série de invencibilidade frente ao conjunto brasileiro (já vai em cinco jogos) e manda a canarinha para casa com um recorde negativo: pela primeira vez na história, Brasil fica seis edições de Mundiais sem ganhar (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).

Melhor em campo: Erling Haaland

Não é surpresa nenhuma. Pode parecer que anda desaparecido, mas, quando chega a hora H, ele está sempre lá. Foi o que aconteceu. Em duas oportunidades, fez dois golos e deitou por terra as aspirações canarinhas. Letal. Nota, no entanto, para a grande exibição do guarda-redes Nyland, que esteve inspiradíssimo

A figura: Vinícius Júnior

Terminou a caminhada de Vinícius no Mundial 2026 e de forma tão cruel. O avançado exibiu-se a um bom nível, liderou o ataque brasileiro, criou jogadas de perigo (aquele passe para Endrick é extraordinário), mas não conseguiu guiar o escrete até aos quartos. Daqui a quatro anos há mais, Vini.

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