Grande jogo com o City, a lição Casa Pia e o clássico com o Benfica: o que disse Farioli
Francesco Farioli fez esta sexta-feira a antevisão da deslocação do FC Porto ao reduto do Casa Pia, alertando que a derrota da época passada, por 2-1, «precisa de servir de lição». Depois do desgaste na Champions contra o Manchester City, onde elogiou a «exibição fantástica» da equipa, o foco está em somar três pontos. Questionado sobre a aproximação do Benfica e o clássico que se avizinha, o técnico rejeitou distrações. «A nossa abordagem é sempre a mesma: pensamos jogo a jogo», frisou, garantindo não ter «tempo nem energia a perder a pensar no clássico da próxima semana».
— O jogo da época passada contra o Casa Pia, em que perderam, continua na mente dos jogadores. O que espera da equipa em Rio Maior?
— O jogo da época passada precisa de servir de lição. Foi um jogo muito peculiar. O relvado não estava em grande estado, mas não foi esse o problema principal. Concedemos um par de situações em que pagámos um preço muito alto e, mesmo tentando atacar com tudo o que tínhamos, não fomos capazes de dar a volta ao resultado. Como sabe, foi a nossa primeira derrota na Liga e a memória desse jogo ainda está muito clara. Por outro lado, é uma nova época. Eles mudaram de treinador e alguns jogadores, como é normal. Mudaram bastante em termos de dinâmicas. Com o novo treinador, são uma equipa que joga um futebol positivo, que tenta pressionar e ter momentos com a bola. Agora jogam principalmente com uma linha de quatro atrás, o que não era algo que estivessem habituados a fazer na época passada, portanto há algumas mudanças. É uma equipa que quer e precisa de pontos, mas do nosso lado os pontos também são cruciais para a nossa jornada. Por isso, faremos uma boa sessão esta tarde para irmos realmente bem preparados, sabendo do ambiente que vamos enfrentar e da ambição do adversário, mas totalmente focados no nosso desejo e na necessidade de regressar com os três pontos.
— O Victor [Froholdt] ainda não está recuperado. Tem evoluído razoavelmente bem, mas o trauma foi bastante grande, como as imagens mostram. Por isso, continua a cumprir o protocolo e o processo de recuperação para voltar o mais rápido possível.
— Como está a energia dos jogadores depois da exigente partida contra o Manchester City?
— Acredito que está bem. O jogo, na minha opinião — e sei que a minha análise gerou alguns comentários e interpretações curiosas quando falei numa partida fantástica —, foi fantástico em relação ao tipo de exibição que esperava. Dadas as condições em que chegámos, não nos podemos esquecer de que nos faltavam cinco jogadores para enfrentar uma das melhores equipas do mundo. Ainda assim, exibimo-nos e competimos bem. O jogo esteve aberto até aos 92 minutos. Até criámos uma quantidade incrível de oportunidades. O facto de termos tido zero remates enquadrados é um dado estatístico, mas há situações que os dados não captam. Quando chegas 14 ou 15 vezes ao último terço em situações de três para dois, três para três ou quatro para três, obrigando o adversário a correr para trás, e falhas a oportunidade de os expor devido a centímetros ou falta de precisão, isso diz muito. Com a cabeça fria, e após uma boa análise do jogo, acredito que a equipa exibiu-se e competiu a um nível elevadíssimo. Tivemos a capacidade de lutar fisicamente contra eles e de correr mais do que o adversário nos três parâmetros avaliados. A exibição que exigimos aos jogadores esteve lá. Podíamos ter finalizado melhor? Sim, mas a análise fria do jogo mantém-se positiva após a revisão que fiz. Claro que não ficámos felizes com o resultado. Foi um jogo de exigência física e mental extrema. Tivemos ontem um dia para recuperar energia e utilizamos hoje e amanhã de manhã para preparar o Casa Pia da melhor maneira possível. Queremos chegar amanhã novamente com o estômago vazio e com a vontade de ir com tudo para competir e alcançar o resultado que pretendemos.
O jogo com o City, na minha opinião — e sei que a minha análise gerou alguns comentários e interpretações curiosas quando falei numa partida fantástica —, foi fantástico em relação ao tipo de exibição que esperava. Dadas as condições em que chegámos, não nos podemos esquecer de que nos faltavam cinco jogadores para enfrentar uma das melhores equipas do mundo.
— Para além do alerta que lançou sobre o valor do Casa Pia, há outro alerta em relação à classificação, dado que com o acerto do calendário o Benfica ficou mais próximo do FC Porto?
— A nossa abordagem é sempre a mesma: pensamos jogo a jogo. O que temos à nossa frente agora é muito claro. Queremos sempre tirar o máximo de todas as partidas, com o Casa Pia não é exceção. Não há tempo para distrações com o nosso passado recente — o jogo da Liga dos Campeões — e, sobretudo, não há tempo nem energia a perder a pensar no clássico da próxima semana. Esse jogo será daqui a dez dias. Teremos tempo suficiente para recuperar, recarregar baterias e preparar bem a equipa. Foco total e energia máxima apenas no jogo de amanhã.
— Poderá contar em breve com o Oskar Pietuszewski?
— O Oskar [Pietuszewski] vem de duas lesões praticamente na mesma zona, por isso temos de ter muito cuidado com o seu regresso. Ele já treina parcialmente com a equipa, mas queremos ter a certeza de que, quando voltar, o problema não se repetirá. Preferimos geri-lo com cuidado redobrado, por se tratar de um jogador muito explosivo. Tomando todas as precauções necessárias, queremos que regresse a 100% da forma, pronto para nos ajudar com as suas qualidades.
— O que falta a Santiago Gimenez para lutar pela titularidade? É importante que não vá à seleção na próxima paragem FIFA?
— A análise de um jogo é sempre pessoal. Contudo, o que diz está correto: a necessidade de ter todos os nossos avançados num excelente nível de forma e condição física será fundamental. Neste momento, o André Silva é o ponta de lança em melhor momento de forma. Tem feito um trabalho incrível pela continuidade que dá ao jogo, pelo entendimento tático, sacrifício e contribuição em golos. Estou muito satisfeito. Quanto ao Samu e ao Santi, falamos de perfis e situações diferentes. O Santi vem de dois anos com lesões, incluindo uma que exigiu cirurgia e longo tempo de recuperação. Recentemente, no início dos treinos em Milão, perdeu completamente a pré-época. Está agora aqui a evoluir, a trabalhar duro e muito motivado. Estive com ele a tomar café antes da conferência de imprensa e o espírito e desejo de ajudar estão lá no topo. Mas precisará de tempo. Honestamente, não sei se vai viajar para representar a seleção nacional. Esperamos que consiga ter minutos e sessões de treino adequadas para maximizar estas duas ou três semanas. Se ficasse aqui connosco, de certa forma, seria ainda melhor, pois este período serviria como um verdadeiro impulso para ele arrancar a época da melhor forma.
Neste momento, o André Silva é o ponta de lança em melhor momento de forma. Tem feito um trabalho incrível pela continuidade que dá ao jogo, pelo entendimento tático, sacrifício e contribuição em golos. Estou muito satisfeito. Quanto ao Samu e ao Santi, falamos de perfis e situações diferentes
— Para quando se prevê o regresso de Samu?
— Relativamente ao Samu, está a evoluir muito bem e a trabalhar intensamente para estar apto o mais rápido possível. Como disse, não gosto de colocar jogadores em risco. Quando tiver a luz verde de todos os departamentos médicos, será um prazer para mim, para a equipa e para os adeptos voltar a contar com a qualidade e energia dele.
— O FC Porto alcançou frente ao City o maior volume de quilómetros da época e manteve os picos de sprint até ao último quarto de hora. Pergunto-lhe que leitura faz destes dados e como se gere agora esse desgaste físico em tão poucos dias, tendo em conta a exigência que habitualmente o FC Porto coloca nos jogos?-
— Para jogar a este nível da Liga dos Campeões, o que conta não é só o volume de corrida, mas especialmente os picos de intensidade, que são muito superiores. Quando as equipas adversárias aceleram, temos de estar prontos para lidar com as transições em espaço aberto, porque não queremos mudar a nossa identidade. Pressionámos em marcação homem a homem várias vezes e estivemos perto de marcar dessa forma por intermédio do William Gomes. Tivemos momentos de pressão extrema muito bem executada. A equipa lidou perfeitamente com as exigências e superou o adversário fisicamente nos três parâmetros. O perfil atlético deles é impressionante, mas compensámos isso com vontade e com o trabalho físico acumulado desde a pré-época. Estou extremamente satisfeito com a atitude dos jogadores, que cumpriram as exigências do nosso modelo. No ano passado, em 53 jogos, corremos mais do que o adversário em 52 ocasiões. Este ano a fasquia subiu, mas o padrão mantém-se. Sabemos da exigência do nosso estilo de jogo e a equipa está preparada. Quando tivermos todo o plantel disponível, teremos oportunidade para rodar, garantindo pernas e cabeças frescas, mantendo sempre a nossa identidade.
—Sem Froholdt, e considerando que contra o City apostou em Pablo Rosario como médio interior direito, que enquadramento pode dar a Seko Fofana e Inbeom Hwang na estratégia para bater o Casa Pia?
— Sobre o Seko Fofana, aplica-se exatamente o que disse do Santi Gimenez. É um jogador que chegou há poucas semanas. Teve um verão muito curto, após o Mundial, e uma pré-época quase inexistente devido a uma pequena lesão em Rennes. O físico, para mim, vem sempre em primeiro lugar: olho para eles como atletas antes de os ver como jogadores de futebol. Para jogar com intensidade na sua posição, o Seko precisa de estar a 100%. Acredito que, neste momento, ele tem capacidade para entrar e causar impacto, mas ainda não está pronto para ser titular. A próxima paragem das seleções será crucial para o ajudar a recuperar a forma impressionante que demonstrou na época passada. Quando estiver pronto, será mais uma excelente opção para o nosso meio-campo.
— Referiu os lances de contra-ataque contra o City. Há um vídeo viral de uma jogada onde o FC Porto quebra a pressão num três-para dois liderado pelo Fofana, mas a finalização perde-se. Esses centímetros que falham preocupam-no, tendo em conta que já ocorreu no passado, ou com o regresso do Oskar Pietuszewski e do Gimenez em melhor forma é um problema que se resolve naturalmente?
— Sobre os vídeos bonitos que se tornam virais no Twitter... infelizmente, isso não dá pontos. Tivemos vários momentos muito positivos, mas ser bonito não chega para ganhar jogos. Obviamente, a entrada de jogadores como o Pietuszewski, um Santi Gimenez na máxima força ou o Samu, trará uma maior eficácia e frescura ao ataque. Dei o exemplo do William após o jogo. Ele tem 20 anos, há pouco mais de um ano estava na equipa B, e agora jogou contra adversários de topo mundial que valem dezenas de milhões de euros. É natural que, perante um nível de oposição tão alto e a enorme carga mental, a eficácia decaia ligeiramente. Não podemos criticar os jogadores por isso; é parte do processo de maturação. Na Liga dos Campeões foi o jogo de estreia de vários dos nossos jovens, como o Alberto, o Gabri Veiga e o próprio William, e todos tiveram excelentes desempenhos. Ao juntar a inexperiência a esse nível ao elevado desgaste físico, a minha análise do jogo só pode ser positiva. O Manchester City já é passado. Foco total na preparação tática e anímica para o Casa Pia. Sabemos bem das dificuldades que o campo do Casa Pia nos causou no ano passado, mas estaremos prontos e com ambição total para realizar um grande jogo.