Rúben Fernandes jogou dez vezes no Estádio da Luz. Só ganhou duas, ambas com o Gil Vicente - Foto: A BOLA
Rúben Fernandes jogou dez vezes no Estádio da Luz. Só ganhou duas, ambas com o Gil Vicente - Foto: A BOLA

Tramaram o Benfica duas vezes seguidas no Estádio da Luz (e não foi há muito tempo)

Rúben Fernandes era o capitão do Gil Vicente que venceu duas vezes em menos de um ano no reduto encarnado. Ele e Pedrinho, que também esteve presente em ambos os encontros, revelaram ao nosso jornal quais os segredos para ferir a águia no... próprio habitat

Parece haver uma tendência curiosa a relacionar Benfica, Gil Vicente, Estádio da Luz e… covid-19. Nesses tempos (que parecem longínquos) de pandemia em que havia restrições nos estádios de futebol em Portugal, as águias receberam os galos no seu reduto duas vezes: a 17 de abril de 2021 e a 2 de fevereiro de 2022. Curiosamente, os encarnados perderam os dois encontros na sua fortaleza e com o mesmo resultado: 1-2. 

A BOLA esteve à conversa com Rúben Fernandes, o capitão dessas turmas gilistas que tombaram a formação lisboeta em duas temporadas seguidas no anfiteatro da Luz. Na realidade, os triunfos foram alcançados em menos de um ano e isso pode ser sido um fator crucial: «A base da equipa manteve-se de uma época para outra. Grande parte dos jogadores eram os que tinham jogado a época anterior, e isto tornou muito mais fácil, com a equipa a estar mais orientada.»

O treinador dos minhotos era Ricardo Soares e, às suas mãos, tinha grandes jogadores, recorda o atual defesa-central do Varzim: «Tínhamos equipas muito boas nessas duas épocas [2020/21 e 2021/22]. Estávamos muito entrosados, havia boas dinâmicas entre os jogadores, e claro que assim é muito mais fácil conseguir uma vitória no Estádio da Luz.»

«Na verdade, nunca é fácil ganhar ali, como toda a gente sabe, mas estando a equipa num bom momento, e defensivamente coesa, conseguimos as duas vitórias que foram importantes e motivadoras», enaltece o jogador de 40 anos, lembrando que os barcelenses chegaram a estar a vencer por 2-0 nas duas partidas. «É muito importante defender bem e estarmos todos coesos desde o ataque até à defesa, principalmente quando estamos em vantagem. Acho que é o que resolve este tipo de jogos e, por isso, é que às vezes há dessas surpresas», sublinha. 

Vantagem de dois golos, defender bem, equipas idênticas, o mesmo treinador... São muitos os pontos em comum entre aqueles embates separados por apenas dez meses. Mas serão estes os únicos?

Bancadas despidas (ou quase)

«Além disso, no primeiro jogo, o estádio estava vazio. Claro que isso para o Benfica nunca é tão bom, porque a massa adepta do Estádio da Luz puxa por eles e isso é sempre muito importante para uma equipa. Nessa altura, não tinham adeptos e, se calhar, não sentiram esse apoio que necessitavam, como costumam ter em todos os jogos em casa. Por esse motivo, pode ter-se tornado um bocadinho mais fácil para nós», admite.

«No segundo encontro, também não podia estar o estádio cheio, mas, de qualquer modo, o Benfica tem sempre excelentes jogadores, equipas muito superiores às nossas e o mais normal é que vençam em casa e fora também, com ou sem adeptos», afirma, voltando a devolver todo o mérito aos galos.

Por fim, o defesa experiente que esteve seis anos ligado ao Gil Vicente revela que «o grupo era muito bom» e isso também empurrou a equipa para a vitória. «Davamo-nos todos muito bem uns com os outros», vincou.

Nascido em Portimão, o algarvio assentou arraiais em Barcelos, onde chegou em 2019. Também por esse motivo, além do facto óbvio de ter vestido as cores do galo durante seis temporadas, Rúben Fernandes admite: «Vou ficar sempre ligado ao Gil Vicente.»

Pedrinho foi talismã com… três assistências

No primeiro ano, o treinador do Benfica era Jorge Jesus. No segundo, era Nélson Veríssimo, que fora o escolhido pela estrutura benfiquista, de forma interina, rendendo o atual selecionador nacional, cerca de um mês antes. O ambiente de instabilidade na Luz, contrastava com o que se vivia no Minho, lembra Pedrinho: «Estávamos em fases muito boas.»

Ao nosso jornal, o médio criativo (atualmente nos turco Antalyaspor) sublinha que «nunca é fácil um pequeno ganhar em casa de um grande e fazê-lo duas vezes seguidas ainda menos». «Algumas equipas vão lá uma vez, marcam e depois só defendem, mas nós não. Fizemos um jogo muito interessante, com muito boas oportunidades, tivemos bola e personalidade. Foram resultados justos», afirma.

Pedrinho festeja com Samuel Lino e Fujimoto no triunfo de 2021/22 - Foto: A BOLA

Quanto aos «segredos», «um dos maiores foi saber ter bola, porque equipas grandes não gostam de correr atrás dela» — ideia incutida por Ricardo Soares, que, segundo o centrocampista de 33 anos, exigia aos seus pupilos que nunca se escondessem do jogo, «fosse quem fosse o adversário». No duelo de 2020/21, Pedrinho assistiu Antoine Léautey para o tento inaugural (o outro foi apontado por Lourency). Em 2021/22, dobrou as entregas e serviu com sucesso Samuel Lino e Aburjania. 

Para domingo, o médio-ofensivo, natural de Paredes e há cinco épocas na Turquia, antevê um bom jogo, mas alerta a antiga equipa para o perigo das águias: «São uma equipa diferente daquilo que era no ano passado, mais agressiva com e sem bola. Será um jogo um bocadinho mais difícil, mas sempre especial.»

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