Coco Gauff falou sobre a repressão da imigração e a morte de manifestantes nos EUA - Foto: IMAGO

Gauff contra o ICE: «As pessoas não deviam morrer nas ruas só por existirem»

Tenista norte-americana comentou os acontecimentos recentes no país natal

A número cinco mundial, Coco Gauff, manifestou-se perturbada com os recentes acontecimentos nos Estados Unidos, afirmando não ter receio de abordar as questões sociais e políticas do seu país. A tenista norte-americana, que se encontra no Dubai a preparar a sua participação no Tennis Championships, tem-se mantido informada sobre a atualidade, apesar de passar cerca de 11 meses por ano em viagem.

Gauff admitiu que tem sido «difícil» acordar com notícias sobre a repressão da imigração e a morte de manifestantes, referindo-se especificamente aos casos de Alex Pretti e Renee Nicole Good, mortos por agentes federais do ICE - a agência de Imigração dos Estados Unidos - no Minnesota. «Obviamente, não sou a favor de tudo o que se passa nos EUA. Não acho que as pessoas devam morrer nas ruas apenas por existirem. Não gosto do que está a acontecer», afirmou a atleta de 21 anos.

Apesar da sua preocupação, a bicampeã de torneios do Grand Slam fez questão de sublinhar o seu orgulho em ser americana. «Preocupo-me muito com o nosso país. Acho que, por alguma razão, as pessoas pensam que não, mas a verdade é que sim. Tenho muito orgulho em ser americana», declarou. «No entanto, penso que, quando se é de um país, não se tem de representar todos os valores da liderança. Há muitas pessoas que acreditam nas mesmas coisas que eu, na diversidade e na igualdade. Espero que, no futuro, possamos regressar a esses valores.»

O ativismo parece estar no ADN de Gauff. A sua avó materna, Yvonne Lee Odom, foi uma figura central na dessegregação das escolas públicas em Delray Beach, na Flórida, durante a década de 1960, transmitindo os seus valores à neta desde cedo. A própria tenista, com apenas 16 anos, discursou num comício do movimento Black Lives Matter, citando Martin Luther King Jr.: «O silêncio das pessoas boas é pior do que a brutalidade das pessoas más».

Gauff, que no passado também se pronunciou contra a morte de civis inocentes em Gaza, rejeita a ideia de que os atletas se devam abster de comentar temas políticos. «Muitas pessoas nas redes sociais gostam de dizer para nos mantermos fora da política», observou. «Mas fazem-nos estas perguntas nas conferências de imprensa. As pessoas querem ouvir a nossa opinião.»

A tenista garante que nunca se sentirá desconfortável ao ser questionada sobre estes assuntos e que dará sempre a sua opinião honesta. «Nunca me senti dividida quando me fazem uma pergunta, porque é relevante. Se me perguntarem, vou dizer o que sinto», explicou. «Alguns jogadores optam por dizer 'sem comentários', o que é um direito deles. Eu compreendo. Outros preferem dar a sua opinião. A coisa que mais detesto é quando as pessoas dizem 'fiquem de fora', quando somos nós a ser questionados.»

«Quando me perguntam, não tenho problemas. Porque eu vivi isto. A minha avó é literalmente uma ativista. Isto é literalmente a minha vida. Por isso, não tenho problemas em responder a perguntas difíceis», concluiu.

No plano desportivo, Coco Gauff, atual número cinco do ranking mundial, iniciará a sua campanha no Dubai na terça-feira, defrontando a vencedora do encontro entre Jelena Ostapenko e Anna Kalinskaya.