Eduardo Quaresma ofereceu o golo a Luis Suárez mas o Gil empatou e colocou justiça noi resultado - Foto: ROGÉRIO FERREIRA/KAPTA+
Eduardo Quaresma ofereceu o golo a Luis Suárez mas o Gil empatou e colocou justiça noi resultado - Foto: ROGÉRIO FERREIRA/KAPTA+

Galo de peito feito empurrou leão às cordas (crónica)

Luis Suárez levou o Sporting em vantagem para o intervalo quando se esperava o nulo mas o empate final não se explica apenas pela expulsão de Gonçalo Inácio: ganhou forma sobretudo porque o Gil foi expedito taticamente, sólido a defender e capaz de subir as linhas, impedindo os verdes e brancos de fazerem o jogo associativo e marcar o golo que colocou justiça no resultado

A entrada em falso do Sporting no ano novo não se explica apenas porque ficou reduzido a dez aos 80’, quando Gonçalo Inácio impediu Gustavo Varela de seguir isolado para a baliza de olhos no 1-1. Explica-se sobretudo porque o Gil Vicente foi sólido no processo defensivo, fechando as portas, e sobretudo porque na segunda parte o galo encostou o leão às cordas até conseguir o empate que pode afastar mais ainda os verdes e brancos dum poleiro que o FC Porto ocupa e que pode ficar a sete pontos de distância.

Os verdes e brancos vinham de três jornadas consecutivas a golear — 6-0 ao Aves SAD em casa; 4-1 ao V. Guimarães fora; 4-0 ao Rio Ave em Alvalade. Ímpeto ofensivo que faz dos leões a equipa mais concretizadora da Liga, mas desta vez com o desafio de jogar no terreno do 4.º classificado e 4.ª defesa menos batida da Liga, equipa sensação a adivinhar dificuldades não vistas por outras bandas. E que se confirmariam.

Rui Borges tem gostado do que tem visto e por isso mexeu pouco, só em duas posições, uma por opção e outra por obrigação. Por opção a troca de lateral-direito, o espanhol Fresneda no lugar do grego Vagiannidis. Por opção a entrada de Matheus Reis para lateral-esquerdo, que Mangas foi lesionado de última hora e não viajou para o Minho — ainda sem Pedro Gonçalves (nem Quenda nem Geny), Maxi continuou subido no terreno, a extremo, mais perto do golo e com isso quatro na conta pessoal nas últimas três jornadas… Ontem porém, durante quase todo o jogo, os leões tiveram as faixas bloqueadas, sem por aí criarem vertigem de outros jogos…

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O Gil Vicente já não contou com Pablo, grande figura da equipa que ruma ao West Ham e deixa a carteira gilista recheada com 10 milhões de euros! Não atacou com Pablo, recorreu a Gustavo Varela, única alteração de César Peixoto a querer acabar com série de seis jogos sem vitórias — cinco empates e uma derrota. A Varela juntava-se no memento defensivo Santi García, transformando o 4x2x3x1 num 4x4x2 sólido como rocha que que fechava as zonas de finalização aos leões.

O Sporting tinha bola pelo meio mas sem conseguir furar nem flanquear e o Gil, expedito taticamente e a farejar brechas, começava a enervar um leão que só aos 16’ ameaçou golo com cabeçada de Ioannidis por cima. Antes, tinham sido os da casa a inaugurar o perigo com Rui Silva a defender remate acrobático de Gustavo Varela (15) e depois aos 40’ outra vez o guarda-redes leonino a evitar o golo desta vez a Touré e a começar a tornar-se como uma das grandes figuras do jogo.

Rui Borges olhava para o relógio da sorte, o Casio que usa nos jogos no pulso esquerdo e não via a hora do leão marcar. Quem viu Luís Suárez a desmarcar-se aos 45’ foi Quaresma e num passe magistral pelo meio abriu os caminhos do golo até aí fechados ao colombiano (e a todos os outros), desmontando o controlo defensivo do Gil e levando os verdes e brancos em vantagem para oi intervalo quando se esperava o nulo.

Segunda parte de vertigem

À meia hora de jogo, lesão de Cáseres obrigara César Peixoto a meter Zé Carlos em campo, mais mexidas só depois dos 60’ e de um primeiro quarto de hora da segunda parte vertiginoso, seis lances de finalização, sobretudo os de Suárez (53’ e 54’) e de Touré (55’) e Luís Esteves (59’), que tanto podiam ter alargado a vantagem (num altura em que Trincão aparecia mais por dentro e confundia) como dado o empate que foi pairando com o passar dos minutos e ganhou forma os 87’ com o golo de cabeça de Carlos Eduardo, respondendo ao primoroso cruzamento de Luís Esteves.

E não se justificou apenas por ter acontecido a expulsão de Gonçalo Inácio, antes porque o galo tinha voltado do intervalo de peito feito e de linhas mais subidas e sem medo dum leão que se foi encostando às cordas até ao soco final, que o deixou ainda mais atordoado.

Já com 11 contra dez mas ainda antes do 1-1, vira-se desde logo o Gil a arriscar tudo a lançar Mutombo e Carlos Eduardo. Com tantos lesionados e por isso sem grandes opções no banco, Rui Borges, que já fizera entrar Morita e Alisson e recuado Maxi, foi obrigado a estrear Rômulo para defender o lugar de Gonçalo Inácio. Mas foi mesmo o Gil a empatar e ainda Rui Silva a tirar o 2-1 a Joelson (90’). Num último fôlego, o leão ainda arranjou força para subir à área do galo mas com o apito final a tirar conclusão de que não fez muito mais do que o lance do golo… e o pior pode vir a seguir, se o FC Porto ganhar ao Santa Clara no domingo…