Farioli aponta dois jogadores do FC Porto à Seleção e destaca Thiago Silva
Francesco Farioli, treinador do FC Porto, concedeu uma entrevista RTP onde abordou a festa nos Aliados, depois da conquista do campeonato.
«Quando vim para o FC Porto, num dos primeiros dias, disseram-me que tinha de os levar de novo aos Aliados. Era algo que faltava ao clube, internamente, mas em especial à cidade. Senti isso desde o início, quando ia sair para jantar, quando encontrava pessoas fora do clube, todos me referiam a necessidade de ganhar, vencer, e os Aliados são o objetivo final de todo o trabalho. E, para mim, o que aconteceu, foi o reflexo deste extraordinário desejo. Disputámos 34 jogos, 32 em casa, só em dois éramos menos nas bancadas. O que aconteceu, no Dragão, Ribeira e Aliados, não me lembro de uma rua que não tivesse gente, não me lembro de ninguém na rua sem algo a celebrar o FC Porto, todos com t-shirts, cachecóis e bandeiras. Víamos gente no Porto, em Gaia, nas varandas, nas pontes, a seguir o barco... Toda esta imagem permanecerá connosco para sempre. Tive aqui vários amigos que vieram de Itália e todos ficaram muito agradecidos, porque diziam que em todo o lado lhe falavam da magnitude do que fizemos», referiu, fazendo um balanço da temporada.
«A primeira parte da competição deu-nos o impulso certo, fizemos 49 pontos em 51 possívels. É algo absolutamente incrível. Na 2.ª metade da época, com lesões e diferentes competições, desperdiçámos mais pontos do que era desejável. Sim, ganhámos jogos 1-0, 2-1, houve momentos que, como em Braga, estávamos a perder e tivemos de dar a volta. O campeonato português tem um nível muito alto, a cada campo que vamos encontramos diferentes dificuldades, treinadores que dificultam a nossa tarefa. Nem sempre é facil estar na melhor versão, devido ao nível de energia, falta de tempo em termos de preparação para os jogos. Mas para combater isso, a ética deste grupo foi incrível, porque às vezes é difícil explicar o quão pouco tempo temos, sobretudo quando jogávamos fora na Liga Europa. Organizávamos sessões de treino no avião... A este nível, sem o empenho do grupo, sem a capacidade de receber informação, de mudar o chip entre competições, o que fizemos não seria possível. O meu nível de gratidão aos jogadores e seres humanos é muito alto, não sei mesmo como lhes agradecer pelo que fizeram por mim. Tudo isso foi recompensado com um nível de emoção que começou no Dragão, teve paragem na Ribeira e acabou nos Aliados, numa festa que nunca ninguém vai esquecer», apontou, confessando que o FC Porto jogou sempre para vencer todas as provas.
«Sempre jogámos para vencer tudo, as três competições. A forma como fomos capazes de chegar a meio de abril em todas as competições… foi gerir o grupo. A prioridade era vencer todos os jogos. Quem disse que demos prioridade a algo, não percebeu o nosso plano e o trabalho do clube nos dois mercados. Tive a oportunidade de pôr todos em movimentos e como protagonistas, porque tive um fantástico grupo de trabalho, que me permitia mudar oito ou nove jogadores. Não podes fazê-lo se sentirmos que vamos ser esmagados num jogo. O que fizemos foi gerir a energia. Um grupo com a mentalidade de que não ninguém mais importante que o clube. Esta união fez a diferença», disse.
Diogo Costa e Froholdt
Questionado sobre se está preparado para eventuais saídas de Froholdt e Diogo Costa, Farioli atirou. «Não quero pensar nisso, senão estragam-me o verão, acho que mereço umas férias tranquilas. Quero ver o Diogo Costa no Mundial, está feliz por voltar a jogar na Champions. Froholdt quer jogar a Champions, é jovem, terá tempo para sair, espero que não seja na próxima época. Haverá jogadores que querem sair para ter oportunidades, sabemos o que queremos fazer, mas agora queremos celebrar a nossa conquista», disse, sendo confrontado sobre Gustavo Sá e Lewandowski: «Os que não jogam no FC Porto não faço comentários.»
Evolução de Rodrigo Mora
Francesco Farioli destacou a evolução de Rodrigo Mora durante a temporada, acrescentando que «poderá ajudar a Seleção Nacional».
«O Rodrigo teve uma evolução incrível, toda a gente via os números dele na época passada, mas agora considero que é melhor jogador do que era há um ano. Vejo-o agora como médio mais avançado num sistema de três médios, tem características diferentes de Gabri Veiga e Fofana, são muito diferentes. Hoje é mais completo do que há um ano, está pronto para jogar em qualquer equipa, poderá ajudar a Seleção Nacional. Espero que vá ao Mundial», comentou, falando também de Alberto Costa: «É um jogador que poderá merecer essa oportunidade [de ser chamado à Seleção], pela consistência que teve na época. Quando veio da Juventus conhecíamos as qualidades dele, mas durante a época evoluiu muito em termos de carácter, consistência e capacidade para ser um jogador importante. O fim de época dele foi notável. É um jogador que também está preparado para a Seleção Nacional.»
Mundial sem Itália
Sem Itália no Mundial, Farioli assumiu que irá assistir à competição como um «estudioso do jogo e com interesse em ver novas tendências de jogo», não esquecendo Portugal: «É óbvio que agora tenho uma ligação especial a Portugal, o nosso capitão vai estar lá, talvez o Rodrigo [Mora] também. Gostaria de ver uma final entre Portugal e Brasil, com o Thiago Silva do outro lado.»
Thiago Silva, Fofana, Moffi e Luuk de Jong
Farioli abordou o futuro de quatro jogadores no Dragão: Thiago Silva, Fofana, Moffi e Luuk de Jong.
«Já falei com todos eles, já sabem a minha decisão e também conheço a decisão de alguns deles. É importante para nós agora alinhar tudo, entender as possibilidades que iremos ter e no fim tomar as melhores decisões para o clube. Estamos numa situação em que temos de finalizar as coisas, porque temos algumas ideias-chave de todos eles, conhecemos as deles, algumas serão possíveis, outras não. Por agora, mais do que tudo, há um grande sentimento de gratidão para todos eles», referiu, acrescentando: «A começar pelo Luuk [de Jong], que sempre quis trabalhar com ele, fez-me chorar na época passada pelo PSV, mas aqui percebi que ele também é um campeão enquanto ser humano, um líder fantástico. Infelizmente não jogou muito, mas o golo que marcou em Alvalade foi muito importante. Deu-nos muito. O Moffi e Fofana são dois jogadores que conhecia bem, vieram e tiveram impacto. O Thiago Silva é um dos melhores defesas da história do futebol, foi um privilégio para mim enquanto treinador trabalhar com um jogador desse nível. Ver um jogador com esta idade ter ainda este nível, esta consistência, esta liderança é algo absolutamente único. Sem dúvida que seria um dos jogadores que eu meteria no meu CV.»