«Quando fala em italiano é porque Farioli está chateado»
A chegada de Francesco Farioli ao FC Porto trouxe uma ruptura em relação à época anterior, depois de o italiano ter sido oficializado como novo treinador dos dragões com contrato até 2027. «Mudou muita coisa da época passada para esta. Jogadores e treinadores ficaram aqui poucos», lembrou Mora, recordando também que o próprio técnico vinha de um ano complicado no Ajax.
«Acho que isso foi o que uniu este grupo. Viemos todos de uma época difícil e esta ia ser uma época de felicidade para todos nós. Toda a gente acreditou na mensagem do mister e, juntos, conseguimos», explicou. Na identidade da equipa, não hesita: «Acho que a imagem de marca é a exigência física. Nós corremos muito e isso nota-se em todos os jogos e reflete-se no resultado. Foi algo que ele demonstrou desde a pré-época que queria».
Toda a gente acreditou na mensagem do mister e, juntos, conseguimos
Para um jogador talentoso como Mora, houve ajustes obrigatórios. «Tive de me adaptar um bocado ao estilo de jogo do Mister e mudar talvez a minha forma de jogar», admitiu. «Tive de me esforçar mais a nível físico e defensivo, que foi o que ele me pediu». O balanço é positivo: «Sinto que sou um jogador diferente e melhor em muitos aspetos. Defensivamente estou melhor e, com bola, agora vou buscar mais o jogo atrás para fazer a equipa jogar. Sou um jogador mais completo».
Mora reconheceu que a adaptação ao modelo de jogo de Francesco Farioli não foi imediata, numa fase marcada também pela gestão partilhada com Gabri Veiga. O médio português admitiu alguma frustração inicial, revelando que ambos chegaram a abordar o tema com o treinador italiano. «Não é fácil. Eu e o Gabri falávamos muito e ficávamos chateados, porque queríamos jogar mais. Sair aos 60 minutos era um pouco frustrante, mas falámos com o mister e acabámos por nos habituar à ideia», explicou.
Eu e o Gabri falávamos muito e ficávamos chateados, porque queríamos jogar mais. Sair aos 60 minutos era um pouco frustrante, mas falámos com o mister e acabámos por nos habituar à ideia
Apesar da concorrência direta, Mora destacou a relação saudável entre os dois jogadores e até momentos de descontração na convivência com Farioli. «Sempre tivemos uma relação muito boa, como tem de ser. Houve até uma vez em que lhe perguntámos, na brincadeira, porque é que não jogávamos juntos», contou.
Farioli é uma pessoa tranquila, não é de se exaltar ou de berrar. É um treinador muito sério e focado no que tem de ser feito
Como pessoa, Farioli é o que mostra nas aparições públicas: «É uma pessoa tranquila, não é de se exaltar ou de berrar. É um treinador muito sério e focado no que tem de ser feito. Lembro-me de ele falar das feridas que nós tínhamos da época passada e que ele também tinha [no Ajax], e que este era o momento para as curar. E esta época curou-as. Ele fala inglês connosco; se falar italiano é porque já está chateado.»