Radamel Falcao, avançado do Millonarios - Foto: IMAGO

Ex-FC Porto arrasa futebol colombiano: «Não pode continuar a fomentar preguiçosos e mediocridade»

Após a eliminação no Mundial, Radamel Falcao deixa duras críticas ao modelo competitivo e à formação de jogadores no país

A eliminação da Colômbia do Mundial 2026, nos oitavos de final, frente à Suíça, após desempate por grandes penalidades, serviu de mote para Radamel Falcao tecer duras críticas à estrutura do futebol do seu país.

A lenda colombiana, que representou o FC Porto entre 2009 e 2011 (venceu uma UEFA Europa League) e comentava os jogos do Mundial para a ESPN, lamentou o desfecho, mas centrou a sua análise nos problemas de base que, na sua opinião, minam o futebol colombiano.

O avançado de 40 anos foi incisivo, apontando a falta de competitividade interna como a raiz do problema. «É uma vergonha que o nosso futebol não tenha uma terceira divisão, que não tenha competitividade e fomente a mediocridade e a preguiça», afirmou Falcao, criticando o sistema de apenas duas divisões.

Segundo o jogador, este modelo leva à estagnação. «Há equipas que não investem porque sabem que não vão descer, que têm orçamentos de primeira divisão e pagam uma miséria aos jogadores. Isto só gera mediocridade na instituição e nos próprios futebolistas, que sabem que nada acontece se ficarem em último», continuou.

Falcao sublinhou ainda a necessidade de uma reforma profunda na formação. «A nossa formação tem de melhorar, assim como a ênfase, o cuidado, a atenção, as ferramentas e as infraestruturas que se devem dar aos nossos jovens», defendeu, acrescentando que o país perde talentos prematuramente. «Talvez sejamos os únicos no mundo sem uma terceira ou quarta divisão, e perdemos jogadores aos 20 anos porque não têm onde jogar».

Sobre a eliminação da seleção orientada por Néstor Lorenzo, Falcao lamentou as oportunidades desperdiçadas e o desfecho nos penáltis, um problema que considera recorrente. «É uma lástima pelas oportunidades que tivemos, não soubemos capitalizá-las. Foi nos 11 metros, como tantas outras vezes, que cortaram as asas ao nosso futebol. É algo que temos definitivamente de trabalhar nos nossos clubes e na seleção», analisou.

Apesar das críticas, o avançado reconheceu os esforços da federação, que dotou a seleção de centros de treino em Bogotá e Barranquilla, mas insistiu que as mudanças estruturais são o mais urgente. «O nosso futebol merece mais», concluiu.

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