Mundial
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Nos quartos, 72 anos depois! Voo imperial premiou a paciência suíça (crónica)
Vancouver testemunhou, não só o último jogo do Mundial 2026 no Canadá, mas também história em movimento. A Suíça entregou a bola à Colômbia, foi protegida pela sorte em momentos chave e carimbou os quartos de final nos penáltis (4-3).
A Suíça sofreu o primeiro golpe ainda antes do apito inicial de Ivan Barton. Johan Manzambi, uma das revelações do torneio, sofreu uma lesão no joelho no derradeiro treino antes do duelo contra a Colômbia e ficou fora das contas de Murat Yakin para os oitavos.
A perda do autor de três golos e duas assistências nas últimas três partidas intensificou o espírito resultadista da Suíça, que abdicou da posse de bola em prol de uma postura confortável em 4x5x1 com linhas coesas. A Colômbia controlou o esférico sem sobressaltos à boleia de James Rodríguez, mas ficou mais perto de ser feliz na segunda parte através de uma transição rápida.
Lerma recuperou a bola em zona subida, Suárez e James trocaram toques simples e rápidos e Puerta tentou a sorte em jeito, aos 22'. Remate colocadíssimo do médio do Racing Santander foi afastado pelas mãos milagrosas de Kobel. A pausa para hidratação ajudou a Suíça a recuperar o fôlego e a identificar o elo mais fraco da defesa colombiana.
Rieder aproveitou o adiantamento de Muñoz, que garantia a largura do ataque cafetero, para romper pela esquerda. Camilo Vargas disse presente (30'). O conforto e o tempo a que teve direito com a bola controlada deslumbrou a Colômbia. Os homens de Néstor Lorenzo pecaram no último terço na primeira parte... e perderam o controlo dos acontecimentos na segunda.
Yakin trocou Jashari por Sow ao intervalo e tirou os dividendos. A Suíça ganhou critério à boleia de mini sociedades para ferir um corredor direito colombiano defendido por Munoz e Puerta, na vez de James.
A hora de jogo, ainda assim, precipitou nova vaga amarela liderada por Luis Díaz e Luis Suárez. O avançado do Sporting conseguiu finalmente escapar aos defesas suíços na segunda parte, aos 63', mas, após bom roubo de bola a Xhaka, atirou ao lado.
A falta de inspiração e o receito de cometer erros fatais reduziram o ímpeto ofensivo de ambas as equipas na última meia hora de jogo. O choque e a quezília substituíram o critério e a (pouca) nota artística, precipitando minutos confusos e pouco agradáveis para os adeptos do desporto rei.
A falta de arte marcou uma tarde em Vancouver muito tranquila para Vargas e Kobel, salvo raras exceções. Sow e Ndoye ainda criaram uma última jogada de relativo perigo, no tempo de compensação, mas o destino estava traçado. O prolongamento era inevitável.
A inércia permaneceu nos primeiros minutos, até que Lucumi, no coração da área, deixou a barra a abanar aos 99'. Campaz seguiu o exemplo e quis ser herói à lei da bomba. Kobel, de forma pouco ortodoxa, voltou a salvar a Suíça (102').
Nunca ninguém foi dono e senhor da partida e o prolongamento não foi exceção. Na melhor fase da Colômbia, o antigo jogador do Benfica Zeki Amdouni, que entrara há 30 segundos, podia ter sido herói, não fosse Vargas nome de guarda-redes competente (104'). O nulo continuava a imperar.
Só um erro podia desbloquear a partida e no melhor pano quase caiu a nódoa. Granit Xhaka, após uma enorme exibição, quis aliviar a bola, mas acabou por isolar Campaz, a quatro minutos dos 120'. O extremo do Rosario Central já estava a pensar nas honras de herói quando o pé direito atraiçou-o e a bola levantou voo.
Tudo se decidiu da marca dos 11 metros. Sánchez atirou à trave, Akanji seguiu o exemplo e nem na baliza acertou... até ao momento da noite. Cucho Hernandez até rematou colocado, mas não estava a contar com um voo monumental de Kobel.
O guarda-redes do Dortmund vestiu a capa de herói antes de emprestá-la a Ruben Vargas. O avançado do Sevilha teve nervos de aço e colocou a Suíça nos quartos de final de um Mundial pela primeira vez desde 1954.
Os helvéticos intensificam o peso europeu nos quartos de final. Argentina e Marrocos são as exceções à regra de domínio do Velho Continente.
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