A Assembleia Geral da Liga Portugal aprovou, por expressiva maioria, a chave de repartição das receitas provenientes da comercialização centralizada dos direitos de transmissão dos jogos das competições profissionais.

«É um dia marcante, acordar como se distribui sem saber o valor é um sinal de confiança»

Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal, reagiu à aprovação da chave de distribuição dos direitos televisivos

Após a Assembleia Geral Extraordinária que aprovou, com uma votação de 80%, a chave de distribuição dos direitos televisivos proposta pela Liga Centralização, Reinaldo Teixeira, presidente do organismo que tutela o futebol profissional, falou «num dia marcante para o futebol português», destacando o sinal inequívoco de confiança que as sociedades desportivas transmitiram.

«Se há um ano e tal tive 80% de votação na minha eleição como presidente da Liga Portugal, hoje teve a chave de distribuição 80% de votação. Três sociedades desportivas da Liga e quatro da Liga 2 votaram contra, ou seja, seis votos contra da Liga e quatro votos contra da Liga 2», detalhou Reinaldo Teixeira, destacando, ainda assim, o compromisso evidenciado mesmo pelas SAD que votaram contra.

«Temos de ser justos e verdadeiros. Foi por voto secreto, com a urna devidamente blindada. Às vezes, passam-se mensagens lá para fora, mas há transparência. Há verdade, rigor e transparência. Sabemos quantas sociedades votaram contra, não sabemos quais foram. Há um conjunto de sugestões das sociedades desportivas que têm vindo a dizer, ao longo desta caminhada, que se vê um grande compromisso para continuarem a fazer com que haja melhores experiências no estádio, mais adeptos, mais telespectadores... Este ano atingimos mais de 50 milhões de telespectadores, mais de 4 milhões de adeptos em estádio, um crescimento grande ao nível dos números de presenças e um decréscimo ao nível de maus comportamentos. Isso é mérito das sociedades desportivas», enalteceu o presidente da Liga.

Reinaldo Teixeira falou, ainda, sobre as posições assumidas por Benfica e Nacional ao longo do processo.

«Tivemos agora uma sociedade desportiva que recentemente renegociou as suas condições, que foi o caso do Benfica e o segundo, o terceiro e o quarto que ganham mais também conseguiriam melhores valores se renegociassem agora. Por isso, o produto é apetecível, temos procura por vários operadores televisivos nacionais e internacionais. É um momento histórico que muitos tiveram dificuldade ou algum receio de assumir. Tivemos também um contributo muito grande do Nacional. O seu presidente, Rui Alves, teve uma postura e uma sugestão que defendeu com total correção, transparência e sinceridade para comigo», prosseguiu.

«Agora, é verdade que todos queriam mais. Se me dissessem que todos iriam receber acima de 100 milhões de euros, todos queriam. Mas também é verdade que reconhecem que este é um passo importante. Nesta proposta agora aprovada, passamos de um diferencial de 14.4 — de quem menos recebe para quem recebe mais — para 7.3. Ou seja, uma redução de mais de metade. E fica a indicação de que, na próxima revisão, em princípio nos cinco anos seguintes, esse diferencial não será mais do que 4.5. Ou seja: atual 14.4, fechado neste momento para 7.3 e nova negociação para 4.5. O que prova bem a bondade desta proposta», detalhou Reinaldo Teixeira, urgindo para a necessidade de tornar o futebol «mais competitivo» em Portugal.

O líder da Liga Portugal não quis, por agora, apontar valores de referência para uma eventual negociação. «Seria irracional eu dizer um valor agora. O que pretendemos é o máximo possível. A título de exemplo: na Liga espanhola, o peso do valor internacional no bolo total é cerca de 43%; na Liga inglesa é cerca de 73%. A nossa liga, ao nível internacional, hoje não tem mais de 5%. Por isso, há aqui um crescimento grande para fazermos. Se eu disser 500 milhões podem dizer que é irracional, se disser 100 milhões também será irracional. Vamos tentar bater o recorde, sempre», afiançou.

E concluiu: «Estamos a prever ciclos de cinco anos. Entendemos que é o período que dá mais conforto ao investidor para valorizar o produto. A ideia é vender um produto em que os compradores também ganhem dinheiro com ele. É esse equilíbrio que deve nortear-nos. Foi um dia marcante para o futebol. Os dois pontos mais importantes são o montante do bolo e a forma de o distribuir. Acordar como se distribui antes de saber o valor transmite ao mercado compromisso e responsabilidade», rematou Reinaldo Teixeira.

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