A Medicina Dentária Desportiva exige conhecimentos e competências próprias e tem sido de muita utilidade para jogadores como Cristiano Ronaldo - Foto: Imago
A Medicina Dentária Desportiva exige conhecimentos e competências próprias e tem sido de muita utilidade para jogadores como Cristiano Ronaldo - Foto: Imago

A importância da Medicina Dentária Desportiva

'Tribuna livre' é um espaço de opinião em A BOLA aberto ao exterior, este da responsabilidade de Iolanda Sousa Azevedo, Assistente Convidada da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Católica Portuguesa

Não existe desempenho desportivo sem saúde. E não existe saúde plena sem saúde oral.

O desporto evoluiu e tornou-se cada vez mais exigente. Em paralelo, a Medicina Dentária acompanha essa evolução, assumindo um papel integrado no acompanhamento do atleta, desde a avaliação clínica e prevenção de lesões orofaciais até à intervenção em contexto competitivo.

Esta realidade traz consigo novas responsabilidades. A formação deve acompanhar a evolução da Medicina Dentária e responder às necessidades emergentes da sociedade e do desporto, preparando profissionais capazes de integrar equipas multidisciplinares, compreender as exigências específicas da prática desportiva e contribuir para uma abordagem integrada da saúde do atleta. A Medicina Dentária Desportiva exige conhecimentos e competências próprias. Não basta reconhecer uma lesão; é necessário compreender o mecanismo do trauma, interpretar as estruturas envolvidas e decidir a abordagem mais adequada em cada situação clínica.

Hoje, a Medicina Dentária Desportiva assume um papel determinante ao integrar a saúde oral numa abordagem global do atleta. Ao aliar prevenção, avaliação clínica, atuação em contexto de urgência e acompanhamento continuado, contribui para proteger a saúde do atleta, otimizar a resposta perante situações de urgência e promover uma prática desportiva mais segura, mais informada e centrada no atleta.

Perante um traumatismo orofacial, onde muitos veem apenas sangue, o médico dentista com formação específica consegue interpretar o que está por detrás da lesão. É essa leitura clínica que orienta a decisão e a intervenção imediata em contexto de sideline.

A Medicina Dentária Desportiva não vive da reação. Vive da antecipação.

A consulta de pré-época começa por uma pergunta essencial: o que deve ser avaliado no atleta?

O atleta não pode ser visto apenas quando se lesiona. Tem de ser acompanhado antes, durante e depois da época competitiva. A avaliação clínica, a identificação de fatores de risco e a definição de estratégias de prevenção e proteção permitem antecipar problemas antes de se manifestarem clinicamente.

Ensinar Medicina Dentária Desportiva implica aproximar os profissionais e estudantes da realidade clínica e desportiva, porque é no contacto com o atleta que o conhecimento ganha verdadeiro significado. É essa proximidade entre a formação, a investigação e o terreno que prepara profissionais mais competentes e uma Medicina Dentária capaz de responder aos desafios do futuro do desporto.

A excelência clínica não se mede apenas pela forma como se trata uma lesão. Mede-se pela capacidade de a antecipar, interpretá-la e acompanhar o atleta antes, durante e depois da competição.

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