Carapaz, o menino da bicicleta da sucata que se tornou campeão olímpico
Richard Carapaz foi eleito o ciclista mais combativo do Tour 2026 que este domingo termina em Paris. Na penúltima etapa, cortou a meta na frente, somando o segundo triunfo nesta 113.ª edição da Volta a França e desabou em lágrimas, emocionado.
Antes de ver Paris, o corredor de 33 anos, da EF Education-EasyPost, assegurou o merecido triunfo na classificação da montanha. «Acima de tudo, penso que a mereço, porque lutei muitíssimo neste Tour», confessou. «Quando partimos de Barcelona, sabia que não podia aspirar à classificação geral. Tinha um objetivo muito claro em mente, e concretizámo-lo com duas vitórias de etapa e a camisola às bolinhas vermelhas», contou, feliz.
💪 🇪🇨 Richard Carapaz has been named the #TDF2026 Most Combative Rider. After combining the public vote with the jury’s individual votes, the Ecuadorian has been named, just as in 2024, the Tour de France’s Most Combative Rider with @century21fr!
— Tour de France™ (@LeTour) July 26, 2026
💪 🇪🇨 Richard Carapaz est élu… pic.twitter.com/40mjXAQjQq
Com esta atuação, a Locomotora del Carchi tornou-se o ciclista latino-americano com mais vitórias de etapa em Grandes Voltas (10)e deixou um país inteiro sonhar!
Quando venceu o Giro d'Italia em 2019 tornou-se o primeiro equatoriano a conquistar uma grande volta, mas a sua ascensão começou de forma humilde, com uma bicicleta encontrada num monte de sucata e foi marcada pela superação de um grave acidente que quase pôs fim à sua carreira.
𝐋𝐀 𝐋𝐄𝐘𝐄𝐍𝐃𝐀 𝐃𝐄𝐋 𝐈𝐍𝐃𝐎𝐌𝐀𝐁𝐋𝐄.
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) July 25, 2026
Richard Carapaz firma su segunda victoria de etapa en el doblete de Alpe d'Huez y Tadej Pogacar, que gana virtualmente su quinto Tour de Francia, guía a Isaac Del Toro al podio.#TDF2026 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/fTHolnmWJK
O início improvável nas montanhas do Equador
Nascido em El Carmelo, uma pequena paróquia rural na província de Carchi, Richard Antonio Carapaz Montenegro cresceu no campo e o primeiro contacto com o ciclismo aconteceu de forma inesperada, quando o pai, Antonio, trouxe para casa um carregamento de sucata da cidade de Lago Agrio. No meio dos destroços, Richard, juntamente com as suas irmãs Marcela e Cristina, encontrou uma bicicleta BMX oxidada, sem selim e com os pneus vazios.
Apesar do pai a considerar inútil, Richard dedicou-se a recuperá-la, utilizando peças de outras bicicletas da sucata. Este veículo improvisado tornou-se o seu meio de transporte para a escola e para as tarefas familiares, percorrendo as exigentes e frias montanhas do norte equatoriano, a mais de 3200 metros de altitude. As subidas íngremes e o clima adverso forjaram a sua resistência desde tenra idade.
🗣️Richard Carapaz confesó que fue una jornada muy exigente. Tras superar los dos primeros puertos, comenzó a creer que la victoria era posible, aunque sabía que tenía a grandes corredores a su lado. Una vez más, nuestro tricolor demostró que nunca deja de luchar hasta el final.… pic.twitter.com/5uwrD64Xnu
— Machdeportes ✨ Gente Que Sabe De Radio (@MachdeportesFM) July 25, 2026
Os primeiros passos na competição e um grave revés
Aos 15 anos, cruzou-se com o do ex-ciclista Juan Carlos Rosero, que se tornou o seu mentor e o convidou para a sua escola de ciclismo, proporcionando-lhe o primeiro contacto com a competição e mais tarde, juntou-se à equipa amadora Panavial – Coraje Carchense e, em 2013, conquistou os primeiros títulos: o Campeonato Pan-Americano de Sub-23 e a Volta à Guatemala.
Contudo, o ano de 2014 trouxe-lhe o maior obstáculo da carreira.
Así recibió Richard Carapaz la medalla que lo acredita como el gran vencedor de la etapa 20 del Tour de Francia. Un premio al esfuerzo, la valentía y la garra de un campeón que volvió a dejar el nombre del Ecuador en lo más alto. 💛👏🇪🇨
— Machdeportes ✨ Gente Que Sabe De Radio (@MachdeportesFM) July 25, 2026
📹: @EFprocycling
🤳#LaDinastíaContinúa… pic.twitter.com/PH1EMM3km9
Carapaz foi atropelado e ficou afastado das estradas durante seis meses. Os prognósticos médicos eram pessimistas, sugerindo que poderia não voltar a andar, e poucos acreditavam que regressaria ao ciclismo. Contrariando todas as expectativas, o jovem de Carchi recuperou e, em 2015, mudou-se para a Colômbia para competir pela equipa Strongman-Campagnolo.
Na Colômbia, tornou-se o primeiro estrangeiro a vencer a Volta da Juventude e conquistou uma etapa no Clássico RCN, o que despertou o interesse de olheiros europeus. Em 2016, viajou para Espanha para um período de testes de três meses na equipa Lizarte, onde venceu a Volta a Navarra, garantindo a primeira vitória de um ciclista equatoriano na Europa.
O seu desempenho chamou a atenção de Eusebio Unzué, diretor-geral da Movistar Team, que o contratou. Logo no seu primeiro ano, alcançou o segundo lugar no GP Industria & Artigianato e participou na Volta a Espanha, tornando-se o primeiro equatoriano a disputar uma grande volta.
🥹🇪🇨 La emoción lo dijo todo. Richard Carapaz cruzó la meta entre lágrimas, reflejo del esfuerzo, el sacrificio y la valentía de un hombre que luchó hasta el final. ❤️🚴
— Machdeportes ✨ Gente Que Sabe De Radio (@MachdeportesFM) July 25, 2026
Con esta actuación, la ‘Locomotora del Carchi’ se convierte en el ciclista latinoamericano con más victorias… pic.twitter.com/0dz86JwiBu
O ponto alto da sua carreira chegou em 2019. Apesar de não iniciar o Giro d'Italia como líder da sua equipa, Carapaz soube aproveitar as oportunidades e conquistou a vitória final em Verona. Com este feito, não só fez história para o Equador, como também se tornou o terceiro ciclista latino-americano a vencer uma grande volta, depois dos colombianos Lucho Herrera e Nairo Quintana.
Richard Carapaz cimentou o seu lugar na história do ciclismo com uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e a proeza de subir ao pódio nas três Grandes Voltas. O ciclista equatoriano é um dos apenas 20 atletas a alcançar tal feito.
No dia 24 de julho de 2021, apenas um dia após terminar o Tour de France, Carapaz viajou para o Japão e conquistou a medalha de ouro na prova de ciclismo de estrada dos Jogos Olímpicos. Consciente de que outros rivais eram mais rápidos num eventual sprint, o equatoriano lançou um ataque a 26 quilómetros da meta, juntamente com o norte-americano Brandon McNulty.
A dupla conseguiu uma vantagem de 40 segundos sobre o grupo perseguidor, mas Carapaz acabaria por se isolar nos quilómetros finais, pedalando rumo à vitória. Nem o calor intenso nem a humidade o impediram de garantir a primeira medalha olímpica do Equador no ciclismo e a terceira na história do país. O pódio, no Fuji International Speedway, ficou completo com Wout van Aert (Bélgica) e Tadej Pogacar (Eslovénia).
Richard Carapaz and Tadej Pogačar after stage 18#TDF2026 #cycling #ciclismo #cyclinglife #love pic.twitter.com/Tg9hbtDhWI
— categorycafe (@categorycafe) July 23, 2026
Com o terceiro lugar no Tour de France de 2021, ao lado de Pogačar e Vingegaard, Richard Carapaz juntou-se a um clube de elite de ciclistas que subiram ao pódio no Giro d'Italia, na Vuelta a España e no Tour de France. Esta lista exclusiva inclui lendas como Anquetil, Merckx, Hinault, Indurain, Contador e Froome.