O português Nelson Oliveira é um exemplo de consistência no ciclismo mundial. IMAGO
O português Nelson Oliveira é um exemplo de consistência no ciclismo mundial. IMAGO

Faltam 89 kms para Nelson Oliveira bater recorde no Tour

A chegada a Paris, este domingo do corredor de Vilarinho do Bairro, em Anadia, vai deixar o português como o ciclista com mais presenças em Grandes Voltas sem desistências. No sábado, completou a 500.ª etapa!

Enquanto as atenções se centram na mais que provável vitória de Tadej Pogacar no Tour de France, um recorde menos mediático está prestes a ser quebrado pelo ciclista português. Nelson Oliveira, da Movistar, prepara-se para se tornar no ciclista com mais Grandes Voltas concluídas na história.

Salvo algum imprevisto, o corredor de 37 anos completa este domingo, em Paris, a 24.ª Grande Volta da carreira, superando o recorde de 23 que atualmente partilha com o polaco Sylvester Szmyd. Ao longo destas 24 competições, Oliveira completou 500 etapas consecutivas - número celebrado sábado no Alpe D´Huez - , distribuídas por 10 Tours, 10 Vueltas e quatro Giros.

Profissional desde 2010, quando representava a já extinta Xacobeo-Galicia, Nelson Oliveira estreou-se numa Grande Volta em 2011, na Vuelta a Espanhaa, ao serviço da RadioShack. Desde então, consolidou o seu papel de gregário, tendo completado duas Grandes Voltas no mesmo ano em oito épocas distintas.

Com contrato com a Movistar até 2027, o ciclista português não pensa em abandonar a competição. «Vou continuar até que a minha cabeça me diga o contrário», afirmou em declarações ao Cyclingnews.

Curiosamente, Oliveira só soube da possibilidade de bater o recorde durante o Giro d'Italia deste ano. «Quando estava a correr a minha primeira Vuelta em 2011, nunca imaginei que chegaria às 24. E quando era miúdo a andar de bicicleta em Portugal, nunca pensei que faria sequer uma. Por isso, é muito gratificante ter chegado até aqui», confessou.

Apesar do marco histórico, o ciclista mantém o foco no presente. «Recebo muitas entrevistas sobre o recorde, mas na verdade só quero viver o dia a dia. Quando chegarmos a Paris, falaremos mais sobre isso, mas honestamente estou apenas focado na etapa de hoje», sublinhou, acrescentando que a melhor estratégia é «levar as coisas um dia de cada vez e não pensar demasiado».

Único representante português na edição deste ano do Tour, Oliveira lamenta a ausência de João Almeida, afastado por doença, mas nota que em Portugal «as pessoas gostam de ciclismo e isso é o que realmente importa».

Apesar de reconhecer que a idade o torna mais cauteloso – «travo um pouco mais, é verdade, porque estou a envelhecer» –, o objetivo da Movistar, após o abandono do seu líder Cian Uijtdebroeks, passa por procurar uma vitória em etapa. Oliveira, que já integrou quatro fugas nesta edição, recorda a sua única vitória numa Grande Volta, na Vuelta de 2015, em Tarazona. «Foi uma etapa de transição, com uma subida a cerca de 30 quilómetros da meta. Depois, baixei a cabeça e fiz um contrarrelógio até ao fim. É um dia que nunca esquecerei», recordou o tricampeão nacional de contrarrelógio.

Após o Tour, o calendário de Nelson Oliveira inclui a Volta à Alemanha, a Cyclassic de Hamburgo, as duas provas WorldTour no Canadá e os Campeonatos do Mundo de Estrada.

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