James, Jordan, Messi, Ronaldo… Eu vi-os!
LeBron James vai trocar os Los Angeles Lakers pelos Philadelphia 76ers e, aos 41 anos, prepara-se para entrar na 24.ª temporada da carreira, um dos inúmeros recordes que ostenta na NBA. Sem me dar conta, olho para trás e constato que tenho sido um sortudo. Costumamos entreter-nos naquelas discussões intermináveis sobre quem é o melhor, no caso do basquetebol a envolver king James e Michael Jordan.
Sim, o debate eterno e planetário é outro, protagonizado por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Conversas apaixonantes, mas que impedem-nos tantas vezes de apreciar o essencial — gastamos demasiadas energias a argumentar sobre quem deve ser o número um sem percebermos que o verdadeiro privilégio foi vê-los em ação do primeiro ao último capítulo de histórias de encantar.
Um argentino a tornar-se num génio que obrigou os compatriotas a compará-lo a Diego Maradona, ou seja, a Deus. Lionel Messi fez-nos acreditar de novo que a bola podia ser uma extensão do corpo e continua a provar que nunca houve um jogador tão sublime a assistir como a faturar.
Um português a conquistar o mundo com arte única para gritar golo. Cristiano Ronaldo fez do talento o ponto de partida e com uma ética de trabalho indestrutível o improvável é só rotina.
Um rapaz de Akron, no Ohio, a desafiar os limites. LeBron James é a imagem da excelência que atravessa diferentes gerações, treinadores, estilos de jogo, companheiros e adversários.
Ou aquele senhor de língua de fora que parecia voar sempre um pouco mais alto do que a concorrência. Michael Jordan jogava como se cada posse de bola fosse uma questão de vida ou de morte. Air Jordan transformou a NBA num fenómeno global e criou uma imagem de invencibilidade que ainda hoje serve de medida para todos os que vieram depois.
Jordan não diminui LeBron. LeBron não apaga Jordan. Messi não retira um centímetro à grandeza de Cristiano. Cristiano não apaga as pinceladas fantásticas de Messi. Pelo contrário. Uns engrandeceram os outros.
Será difícil às gerações futuras entenderem o que significava viver numa época em que, jogo após jogo, éramos capazes de abrir a boca de espanto. Um drible impossível. Um remate do meio da rua. Um lançamento sobre a buzina. Um afundanço com estrondo. Os recordes serão batidos, os títulos poderão ser igualados. É a natureza do desporto. O que dificilmente voltará a repetir-se é a coincidência histórica de quatro atletas com impacto tão profundo.
Eu tive a sorte de os ver aos quatro!