No dia 25 de abril, Rui Borges garante ser livre de falar o que quiser no Sporting

Do possível adeus de Hjulmand, à liberdade de expressão e frases «debitadas de outros»: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting abordou vários temas da atualidade leonina na antevisão ao jogo com o lanterna vermelha, Aves SAD

- O que espera deste jogo contra o último classificado, que matematicamente não tem hipóteses de escapar à descida de divisão?

- De uma forma ou outra, seria um jogo difícil. É um estádio onde, na época passada, perdemos pontos e pusemos em causa até o desfecho da época. Tivemos essa dificuldade. Esta época, também já a tivemos, para a Taça de Portugal, em nossa casa, o que demonstra o que pode fazer o Aves SAD. Tem melhorado bastante, na segunda volta, mesmo no aspeto defensivo, com muito menos oportunidades concedidas. É uma equipa muito competitiva. O facto de já estar despromovido liberta-os da pressão do jogo. Vão jogar contra uma equipa grande, a atual campeã, vão estar super motivados. Não têm nada a perder, o que os leva a estarem com mais vontade de demonstrarem o seu real valor individual e coletivo. Espera-nos um jogo difícil, por tudo o que já foi demonstrado.

- Vimos ontem uma fotografia do pé do Hjulmand. Qual o estado clínico do capitão? Já sabe o tempo de paragem? Que comentário lhe merece a entrada de Gabri Veiga?

- Já era para sair ao intervalo, o treinador é que foi teimoso [risos] e tentou que o capitão se mantivesse em campo, porque achava que era importante. Ele disse logo que não conseguia. O pé já estava num estado difícil. Possivelmente, não teremos o Morten até ao final da época. Correrá esse risco, infelizmente. Vou deixar a entrada para quem toma essas decisões. Agora, acho que foi uma entrada não muito bonita, mas é seguir e pensar no jogo com o Aves SAD. Se foi o último jogo pelo Sporting? Da época pode ter sido.

- Com todos estes condicionalismos sente que tem equipa para segurar o segundo lugar?

- Já demos essa demonstração ao longo da época. Em vários momentos, os jogadores têm dado essa resposta, essa confiança para aquilo que a equipa técnica em como todos contam e querem uma oportunidade para jogar. Vamos jogar com onze, de certeza absoluta. Nunca fui de me lamentar, é o que é. Já ganhámos sem o Morten [Hjulmand] e sem outros jogadores também. Amanhã, entrarão onze cheios de vontade de continuarem a lutar. Matematicamente, o campeonato ainda é possível, é nisso que estamos focados.

- Então qual o nível de esperança para chegar ao título?

- Nível de esperança? Muito. Disse logo depois, até do jogo com o Benfica, em que perdemos e ficámos mais longe desse objetivo, que, enquanto há vida, é lutar por ela. Tudo o que tem sido o meu trajeto dita o que é a minha confiança.

- Morita surge nesta reta final como um dos jogadores que tem ajudado bastante a equipa a conseguir lutar pelos objetivos. Está em fim de contrato, ainda não renovou. Se pudesse, fazia com que ficasse?

- É um jogador importantíssimo. Desde o primeiro dia no Sporting, e até já antes, disse que era um grande fã das qualidades do Morita. Agora, trabalhando com ele, mais fã sou. A renovação não tem muito a ver só com clube e treinador, tem a ver com o jogador. Há várias partes envolvidas. Dentro do que é possível, é claro que gostaríamos de continuar a contar com o Morita, mas há coisas que, por vezes, não são possíveis, por um lado ou outro, por não haver entendimento, faz parte. Às vezes, os jogadores querem outros desafios e temos de entender tudo isso. Contamos muito com ele, acreditamos muito nele, é acarinhado por todos, é-lhe reconhecida uma qualidade acima da média. Que continue a ser esse Morita, até final de época. Depois, logo se verá. A decisão é entre todos, não vou empurrá-la para ninguém. Há várias partes envolvidas.

- FC Porto devia pedir desculpa pelo caso do Hjulmand? Farioli diz que a partir do minuto 5 houve um jogo diferente e que já viu o pé do Hjulmand e que está curioso para ver o pé do Inácio. O que sente em relação a estas declarações?

- Para já, não ouvi nem li. Estou preocupado com o Aves SAD, não com o FC Porto. O FC Porto já passou, não jogo mais contra o FC Porto. O Inácio está entre duas a três semanas fora da equipa. Estará fora do jogo de amanhã e dos próximos, o que também diz muito do pé do Inácio. Em relação ao resto... Não sei. Se calhar, é memória seletiva. Também podia falar do jogo de Alvalade, para a primeira mão da Taça, em que o Alberto podia ter sido expulso. Podia estar aqui a falar de várias coisas. Acho que há erros em todos os jogos, de toda a parte. Não vou falar. Vou falar, sim, do Aves SAD, que é o meu foco. Não jogamos mais com o FC Porto. Passámos à final, que era o nosso objetivo, e temos de estar felizes.

- O FC Porto devia pedir desculpa ao Sporting por causa de Hjulmand?

- Deixo isso para quem de direito.

- Que comentário lhe merece a exibição de Quenda no Dragão? Pode continuar no onze para fazer descansar Trincão?

- O desgaste físico não é só do Francisco [Trincão], é de vários jogadores. O Quenda fez um belíssimo jogo. Está a voltar de uma lesão, de alguns meses de paragem, e temos de tentar perceber como gerir a condição dele. Deu uma resposta dentro do que é o Quenda, é um jogador importantíssimo. Queríamos muito não ter pedido o Quenda, porque teria sido importante. Que nos ajude muito nesta reta final. Agora, é mais uma grande solução para a frente de ataque, para conseguirmos gerir, nalguns momentos, alguns jogadores.

- Apesar de ainda ser possível chegar ao título, ficou mais difícil depois da derrota com o Benfica. Como consegue motivar os jogadores para o que falta disputar?

- É a imagem desta equipa. É uma equipa que mostra sempre essa ambição, não se cansa de ganhar, quer ganhar sempre e percebe que alguns momentos não vão correr bem. Faz parte, mas tem uma mentalidade muito diferente, por isso é que decide que ainda são campeões nacionais, dita bem a qualidade humana e desportiva de todos eles. Tenho um orgulho imenso no meu grupo, na minha equipa, e deram essa demonstração de estarem vivos, de quererem demonstrar a ambição da equipa no Dragão. Acredito que, amanhã, darão uma grande resposta, de demonstração que ainda estamos a acreditar.

- O que diz sobre o Torreense, que será o adversário na final da Taça de Portugal?

- Fico feliz pelo Torreense, porque já estive do outro lado, em equipas de escalões inferiores. Sei bem o quanto se sonha com isso e o quanto se motiva com isso. Feliz por terem conseguido, que seja uma final bonita, contra uma equipa que, apesar de tudo, está a fazer uma grande época. Dentro das suas armas, irá dificultar ao máximo. É um jogo difícil, contra uma equipa super motivada, mas, acima de tudo, feliz por estar em mais uma final.

- Hoje comemora-se data importantíssima, com liberdade que comentário faz às críticas que chegaram do lado do FC Porto? Sente que é uma tentativa de desvalorizar o mérito da vossa passagem à final ou frustração de quem foi eliminado?

- Felizmente, estou num clube que me dá liberdade para falar, sempre, da melhor forma e como quero. Se calhar, noutros, debitam o que lhes mandam. Eu não debito. Digo sempre o que quero. A minha liberdade de expressão tem a ver com o que acho e sinto, não perco tempo com coisas que não fazem sentido para mim. Estou focado no jogo com o Aves SAD, não vou comentar declarações de um treinador de uma equipa que já joguei. Já passou. Naturalmente, estão muito tempo, às vezes, preocupados com aquilo que é o Sporting. É bom sinal, é sinal de que o Sporting é mesmo grande. Não vou comentar. Faz parte de mim, tem a ver com não dar valor ao ruído, seja que ruído for.

- Pode fazer um ponto de situação do boletim clínico?

- O Fotis [Ioannidis] está a recuperar, está em campo, mas ainda não com a equipa, a passar pelo processo que tem de passar, pelas etapas que tem de passar. Está melhor e acredito que ainda vai ajudar a equipa até ao final da época. Além de Hjulmand e Gonçalo Inácio, o Iván [Fresnedaainda é baixa para este jogo e o [João] Simões. O Maxi [Araújo] está bem. O Nuno Santos voltou hoje. Convocado? Pode estar ou pode não estar [risos].

- O que considera que vai ser mais determinante nesta reta final? A motivação ou a condição física dos jogadores? O que lhe dizem os registos do GPS?

- É lógico que a sobrecarga tem sido imensa, por todas as contrariedades que temos tido, com lesões que nos retiraram muitos momentos de gestão. A parte da motivação está lá. Independentemente de tudo, estão motivados a acabar a época da melhor forma, a lutar por tudo aquilo que é possível. Sabemos que o campeonato é difícil, mas vamos lutar por isso. Temos de fazer a nossa parte, não adianta pensar no resto. Estamos motivados por estarmos na final da Taça de Portugal e poder ganhá-la novamente. A gestão física... Há cansaço, e não fugimos a isso. Há essa sobrecarga, é notório em alguns jogadores, mas a motivação de jogar e querer ajudar é maior do que esse cansaço. Acredito que essa motivação os vai levar a passar esta parte difícil. Há estes dois jogos, e, depois, teremos semanas normais, o que facilita no sentido de baixar um bocadinho essa parte de sobrecarga. O GPS está bom [risos]. Eles correm e trabalham dentro do que fazem sempre, agora, o sumo, às vezes, não é o mesmo. Estou muito orgulhoso por tudo o que fizeram, mesmo neste mês difícil de jogos com um grau elevado de exigência, que levou a alguma sobrecarga de muita malta.