Mundial 2026: Viva Portugal (1), é preciso acreditar
No arranque para um Mundial, devemos, de imediato, encorpar uma cultura de honestidade, autenticidade, ética, resiliência e altruísmo no sentido de preparar uma tarefa de gigantes, onde os jogadores se possam bater e lutar com a bravura dum guerreiro, na obtenção da conquista dum sonho, dum povo envolto na sua/nossa seleção.
E os sonhos refrescam a emoção, animam o estado de vigília, reforçam as forças dos ansiosos e ajudam a construir a própria história.
Após desgastantes compromissos nos seus clubes de origem, os jogadores naturalmente estarão numa fase crítica de adaptação a uma enorme e desgastante exigência competitiva, muito dos quais esgotados ao nível físico e mental, estando alguns mais felizes pelos objetivos conquistados, outros, porém, mais expectantes pelos rastos de alguma intranquilidade e insegurança, gerada pelo rendimento e resultados não conseguidos.
Por isso, entendo que as seleções que sejam mais capazes de ultrapassar as exigências competitivas de forma emocionalmente mais equilibradas, identificadas com a génese do seu estado de alma e confiança a converter, na felicidade em o realizar, na motivação em se envolver e no orgulho coletivo a desempenhar, claramente estarão mais próximas do êxito.
É preciso acreditar?!... SIM. Como tenho habitualmente afirmado, uma das estratégias para a obtenção da vitória, advém dum estado de crença como força motriz de intencionalidade operante e como refere Ghandi: «Acreditar em algo e não o viver é ser desonesto».
As seleções, onde esse estado de confiança, motivação, espírito de coesão, atenção e concentração e que vejam associadas essa condição de crença, permitem assumir e sustentar uma felicidade ganhadora, que por natureza perdurará mais no tempo. E como tantas vezes repito, as equipas felizes são aquelas que ganham mais vezes, transportando da vida para o treino e do treino para o jogo um relato ancorado duma consciência autenticada pelos hábitos onde imperam o entusiasmo, confiança, alegria, otimismo, capaz de ver estimulado os mecanismos do reencontro do êxito pensado com o sucesso conseguido.
É claro que tudo isto faz parte dos conteúdos duma nova visão do treino, sendo de fundamental importância associar às vertentes tático-físico-atléticas uma ordem experimental ao nível psicológico, mental e comportamental.
A título de exemplo e com base de experiências de êxito pessoalmente confirmadas, a técnica de visualização criativa dos gestos técnicos, associada a imagens mentais de sucesso, são um reforço insubstituível como fontes de convicção para o êxito. Ainda a administração no microciclo semanal de estratégias comunicacionais associadas a técnicas de relaxamento muscular progressivo, capazes de transmitir paz, serenidade, tranquilidade, ajudando a libertar tensões acumuladas, vendo fortalecido o domínio da autoconfiança, o controle de emoções, a capacidade de autocontrolo, sendo capaz de selecionar os melhores níveis de eficácia na tomada da decisão. A acrescentar o estudo e a formulação de objetivos de conquista, análise dos rankings individuais/coletivos de sucesso ... etc.… serão fontes para um desempenho superior.
O conhecimento a todo o momento se vê renovado, mas os processos que estão na base do treino orientado para o sucesso, não são novos. Já nos finais da década de 70 o nosso querido e saudoso Professor Doutor Manuel Sérgio (meu pai afetivo), a propósito do conceito do treino desportivo dizia: «não pode haver preparo físico independentemente do modelo de jogo, adiantando que na preparação física, técnica, tática, psicológica, o todo é uma referência constante pela sua complexidade, onde a ciência e a consciência não se podem limitar aos gastos neuromusculares e energéticos.»
Por isso, continuava: «a importância de trazer à planificação do treino não apenas a educação de físicos comprovadamente atléticos ou técnicos estruturalmente eficazes, ou táticos substancialmente competentes, mas a educação do que está para além do jogador que é o homem como pessoa.» E completava ainda o Professor: «estamos em confronto com pessoas pelo movimento intencional de transcendência, em que do corpo em ato emerge a carne, mas também a paixão, o sangue, o desejo, o prazer, a rebeldia, as emoções, os sentimentos, tudo isto visando a transcendência ou a superação.»
Muito mais se poderia acrescentar a este domínio. Não pretendo dar lições a quem quer que seja. Registo, contudo, a atenção e o aplauso para o perfil de liderança dum Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com base numa experiência prática ganhadora, assente num critério de autenticidade e duma estrutura técnica e operacional humanamente irrepreensível, estaremos prontos para fazer das pegadas da experiência vivida o tesouro da nossa existência.
É preciso por isso acreditar. Jamais nos deixemos atormentar. Todos sabemos que aqueles que se deixam mover em atitudes de passividade e quietude sucumbem mais depressa às suas desculpas e submetem-se de forma mais drástica aos seus temores.
Temos de encontrar um sinal de luz cintilando com o brilho da esperança… talvez enriquecendo a nossa motivação intrínseca envolta numa frase que a melhor equipa de rugby no mundo (os All Blacks, Nova Zelândia), frequentemente se deixava exaltar:
Whãia te kahurangi ; ki te tuohu koe, me he maunga teitei.
(Atira-te às estrelas para que, se as falhares, atinjas uma nobre montanha.)
VIVA PORTUGAL
Observação: Questões relacionadas com viagens, mudança de fusos horários, (jet legs), temperatura, e demais situações que forem objeto de reflexão, entretanto criadas, farão parte de novo artigo (VIVA PORTUGAL, 2) a publicar oportunamente.