Italianom abordou a partida da 31.ª jornada, na Reboleira

O clássico, o pé de Gonçalo Inácio e o ataque portista: o que disse Farioli

Treinador italiano do FC Porto fez a antevisão da partida da 31.ª jornada, frente ao Estrela da Amadora

É uma deslocação difícil, frente a uma equipa que luta pela permanência. Será preciso um FC Porto parecido com aquele que ganhou ao Estoril?

— É um jogo muito importante, historicamente complicado. É normal, é uma equipa que está na luta, tal como todos, por pontos importantes, neste momento da época. É uma equipa da qual gosto e que tem muitos padrões. De certa maneira, têm uma abordagem semelhante em momentos diferentes do jogo. Há muito trabalho feito, jogadores de qualidade individual. É um jogo que temos de abordar muito bem, num campo que conhecemos muito bem. Sabemos o ambiente que vamos enfrentar. Vamos com a atitude correta para jogar o jogo.

Um dirigente do Nice disse que Moffi não vai regressar ao clube, independentemente de o FC Porto acionar ou não a cláusula. Isso pode mexer com a cabeça do jogador?

— O aconteceu entre Moffi e o Nice é público, as duas partes têm muito clara a vontade de separar caminhos. Temos uma opção de compra [de 8 milhões de euros] e, após estas declarações do vice-presidente, estamos mais do que felizes em ouvir as novas condições para comprar o jogador.

Após estas declarações do vice-presidente [do Nice sobre Moffi], estamos mais do que felizes em ouvir as novas condições para comprar o jogador.

Sente necessidade de explicar ao Thiago Silva a razão pela qual não tem tido tantos minutos, num ano de Mundial?

— Para ser honesto, acho que é vontade do clube, de todos os jogadores e é uma vontade minha em particular ver Thiago Silva no Mundial-2026. Era um dos objetivos e uma das ambições do jogador quando falou comigo e mostrámos abertura para o colocar a jogar, dentro de algumas condições, no futebol europeu e num nível alto de exigência e de intensidade. Estamos no ritmo certo, é um jogador que vai a caminho de ter mil minutos de jogo, o que é um número grande para o meio da temporada. Mas não podemos esquecer que a prioridade é o FC Porto. O FC Porto está à frente de toda a gente: de mim, do Thiago Silva, do Diogo Costa e de todos. Nos últimos jogos decidi uma tática que não tem nada a ver com a forma física do Thiago Silva. Trabalha muito forte, está numa corrida muito competitiva e que já mostrou que pode dar um contributo muito grande dentro e fora de campo.

Na Amadora, vai somar o jogo 50. Se conseguir ganhar, sentirá já que pode ser campeão nacional?

— Como disse após o Tondela, vamos passo a passo. Estamos na nossa bolha e só ouvimos a 'Famiglia' Portista, queremos ganhar o Estrela e vamos passo a passo.

O FC Porto apresentou queixa contra Gonçalo Inácio. Acredita haver uma inclinação da arbitragem para o que chamou área verde?

— Se voltarmos a analisar o jogo da Taça, houve um jogo antes e depois do quinto minuto. Havia três pessoas bem próximas do lance e vários monitores para ver a jogada. As lesões de William e Inácio após isso e os três possíveis penáltis percebe-se que o jogo mudou.

O resultado não foi satisfatório, mas o desempenho global da equipa foi bom. A voz do Dragão falou bem alto e não foi a primeira vez que isso aconteceu.

O que viu do jogo com o Sporting, que não correu como pretendia, e o apoio dos adeptos dá-lhe força para pensar que se pode sagrar campeão nacional?

— O resultado não foi satisfatório, mas o desempenho global da equipa foi bom. A voz do Dragão falou bem alto e não foi a primeira vez que isso aconteceu. É muito comum ouvirmos este apoio mesmo quando perdemos. Estamos muito conectados para dar aos adeptos o que eles merecem, estamos muito focados nisso e queremos transportar isso para dentro de campo.

O castigo que o Sporting pede para Gabri Veiga, pela entrada sobre Hjulmand, fá-lo recear ficar sem o jogador por alguns jogos?

Vi o pé do Morten [Hjulmand], também estou curioso por ver o pé do Gonçalo [Inácio].

— Penso que fui bastante claro: a minha análise ao encontro parou ao quinto minuto. Se analisarmos lance a lance, a nossa lista é mais longa comparativamente a todos os outros. Lesão de Hjulmand? Claro que nunca ficamos contentes com atletas lesionados, mas faz parte do futebol. Quando a bola está a ser disputada, relaciona-se com futebol. O que vimos várias vezes esta época, sublinhe-se, trata-se de lances onde a bola já está longe. Vi o pé do Morten [Hjulmand], também estou curioso por ver o pé do Gonçalo [Inácio].

No final do jogo com o Sporting disse que o FC Porto está de volta. Por que disse isso neste jogo em particular?

— A minha frase está relacionada com o espírito, e, quando vemos uma equipa a lutar com este desejo, a colocar tudo em campo, a conseguir duplicar o esforço, de correr 49 vezes mais do que o adversário, podemos dizer, claramente, que estamos no caminho indicado para devolver o FC Porto onde pertence.

Quando vemos uma equipa a lutar com este desejo, a colocar tudo em campo, a conseguir duplicar o esforço, de correr 49 vezes mais do que o adversário, podemos dizer, claramente, que estamos no caminho indicado para devolver o FC Porto onde pertence

— Desde que Samu se lesionou, os golos não têm aparecido. Já lhe passou pela cabeça mudar alguma coisa no ataque?

— Nesse capítulo, estou bastante confiante. É claro que os números se fazem ouvir, não podemos negar. O Deniz marcou um golo em Famalicão anulado por 13 centímetros. Talvez não seja o momento de maior sorte dele. Contra o Estoril, contra o Nottingham Forest e contra o Sporting, fez bons jogos. Parte da evolução do avançado tem a ver com o contributo de golos. Aí, é claro que há uma falta de números, mas, na realidade, o que dão à equipa continua a ser um contributo bastante importante. A última assistência do Deniz, contra o Tondela, a entrada do Terem [Moffi] contra o Sporting foi muito positiva, quase marcou, mas o guarda-redes fez uma defesa muito boa. Temos apenas de continuar a trabalhar, a acreditar que os golos vão aparecer e manter as exibições ao maior nível possível.

É claro que os números se fazem ouvir, não podemos negar. O Deniz marcou um golo em Famalicão anulado por 13 centímetros. Talvez não seja o momento de maior sorte dele. Parte da evolução do avançado tem a ver com o contributo de golos. Aí, é claro que há uma falta de números

— Confirma a ausência de Zaidu? Poderá Martim Fernandes jogar na esquerda da defesa?

— O Martim [Fernandes] está a voltar. Na semana passada, já estava melhor, mas só completou um treino com a equipa. Ontem e hoje era suposto estar totalmente com a equipa, por isso, penso que será uma forte opção para o jogo. Quanto ao Zaidu, ainda está parcialmente em recuperação.

Entre seleções e clube, vários jogadores do FC Porto têm mais de 50 jogos. Rodri, médio do City, disse recentemente que havia necessidade de rever o calendário de jogos. O que podem os treinadores fazer para criar uma vaga de fundo nesse sentido?

Tento sempre ter cuidado com o bem-estar dos jogadores, mesmo com a recuperação entre jogos. Parece-me que está para chegar uma regulação da FIFA para limitar minutos dos jogadores, porque os minutos que cada jogador fazem agora não me parece viável a longo prazo

— Penso que nesta parte temos gerido muito bem o nosso plantel. Mesmo a jogar com 10 frente ao Nottingham e nos minutos finais contra o Sporting conseguimos dar uma resposta e tivemos pernas. Há que dar crédito ao Departamento de Performance e aos jogadores. Como disse há bocado, corremos mais do que os adversários 49 vezes e isso diz bem da força desta equipa. Tento sempre ter cuidado com o bem-estar dos jogadores, mesmo com a recuperação entre jogos. Parece-me que está para chegar uma regulação da FIFA para limitar minutos dos jogadores, porque os minutos que cada jogador fazem agora não me parece viável a longo prazo. Rodri é um excelente exemplo pelo que diz e por ter uma longa paragem. Por isso, alguma coisa terá de ser feita para proteger os jogadores.

O FC Porto tem estado habituado a jogar a cada três dias. Como vai gerir agora um calendário mais desanuviado?

— Nesta altura estamos bastante conectados com estas semanas de jogar, recuperar e jogar. Agora, vamos ter uma semana completa para trabalhar e temos de estar em forma. Onze jogadores vão ser titulares e cinco vão entrar, por isso 16 jogadores têm de estar sempre prontos nos próximos 4 jogos. Acho que os jogadores estão mais preocupados com os minutos que podem fazer e menos nos que vão falhar e penso que vão estar prontos para a missão que lhes espera nas próximas quatro semanas.