Chegou a Portugal para jogar no Sporting, mas foi no FC Porto que encontrou «clube sem comparação»
A BOLA esteve à conversa com Domingos Andrade. O médio, ligado aos dragões até 2028, falou sobre a época positiva na equipa B e do desejo de atingir outros paramares.
— Que balanço faz da época?
— Foi uma temporada positiva para a equipa. Conseguimos dar a volta às adversidades que tivemos no início e alcançar o quinto lugar. A nível particular, também foi uma época incrível, melhorei bastante o meu jogo e consegui consolidar-me na equipa B.
— Nesse plano individual, foi a sua melhor temporada?
— Pode dizer-se que sim, a nível de exibições. Além disso, consegui marcar um golo, ao contrário do que tinha acontecido na época passada. Ainda por cima, foi um golo muito importante para a equipa, porque ainda nunca tínhamos vencido ao Chaves e ganhámos em casa deles [jornada 11 da Liga 2]. Fui o homem do jogo.
— Terminada esta época, o que projeta para o futuro?
— Como qualquer jogador que está na equipa B, o objetivo é chegar à A e à Liga. Quero dar esse salto, seja na equipa A ou outro clube do campeonato português. A minha ambição é essa.
— Ainda tem mais dois anos de contrato. Sair do FC Porto é opção?
— Eu estou feliz no FC Porto e tenho um grande amor pelo clube. Vai depender do que a estrutura decidir o que será melhor para o meu futuro. Seja o que for, vou receber essa decisão com as duas mãos e continuar a trabalhar.
— Veria com bons olhos uma saída de Portugal?
— Vai depender muito do projeto que o FC Porto tem para mim. Depois disso, decidiremos o que vai ser o meu futuro.
— Em que outras ligas se via a jogar no futuro?
— Na Premier League [Inglaterra] e na Bundesliga [Alemanha]. São ligas que aprecio bastante.
— E, de resto, quais são os seus grandes objetivos de carreira?
— Conseguir assegurar o meu lugar na seleção. Estou na fase de conquistar o meu espaço, cada vez mais quero ser uma uma presença notória na seleção e, consequentemente, ser um dos jogadores influentes de Angola.
Gosto de ninjas, porque têm uma ação discreta. Eu acho que reflito isso no meu jogo. Parece que não estou lá, mas quem entende vê a importância que tenho dentro de campo.
— O seu amigo David Nzanza (jogador do Leça) disse-me que tinha uma boa relação com ninjas…
— Sim, é um festejo nosso [risos]. Nós gostamos de anime e eu, em particular, gosto de ver como é que os ninjas agem. Têm uma ação discreta, mas estão sempre presentes, sempre atentos, e eu acho que reflito muito isso no meu jogo. Parece que não estou no jogo, mas quem entende vê a importância que tenho dentro de campo.
— Como é a vossa relação?
— O Nzanza é um irmão para mim, crescemos juntos, fizemos a formação no Interclube, então, temos uma relação extracampo incrível. Ele é um irmão que o futebol me deu e levo-o para a vida.
— No Interclube jogaram muito jovens na primeira divisão...
— Sim, sim…
— Como é que vê a atualidade do futebol angolano?
— Eu acho que o futebol angolano tem crescido bastante, porque agora nós temos visto vários jogadores angolanos a virem não só para Portugal, mas também para outras partes do mundo. E isso é bom, porque é sinal de que a seleção vai estar muito competitiva, futuramente, e de que nós, jogadores, precisamos de trabalhar cada vez mais, porque há sempre novos talentos a aparecer e a ir atrás do sonho de todos os jogadores, que é representar o seu país.
— Saiu do Interclube para o Sporting. Como aconteceu?
— Foi após o mundial de sub-17. Surgiu a oportunidade de ir para o Sporting [em 2021], onde estive duas épocas. Depois estive um ano no Felgueiras e em 2024 fui para o FC Porto.
— Como foi essa mudança para os dragões?
— Foi incrível, porque foi algo que nunca esperei. Quando um clube da dimensão do FC Porto, com a história e a mística que o FC Porto têm, entra em contacto contigo, não consegues negar, porque é um privilégio. E quem está dentro do clube sabe. Quando entras no FC Porto, começas a amar o FC Porto, porque a cultura lá dentro é diferente. Vir para cá, foi a melhor coisa que eu fiz até agora. Estou muito grato por tudo o que a estrutura do portista e os meus colegas fizeram por mim. Ajudaram-me não só a ser uma pessoa melhor, mas também a ser um jogador melhor. É por isso que eu tenho um amor incondicional pelo FC Porto, hoje em dia. Deu-me tudo.
— Essa cultura de que fala é diferente da que encontrou no Sporting?
— O FC Porto é o FC Porto. Não há comparação.