Do orgulho da defesa das cores do Benfica, à promessa de não 'meter o autocarro' — tudo o que disse Filipe Coelho
— Que ilações retirou desta semana sobre a estreia com o Marítimo que não correu da melhor maneira [0-1, no Funchal]?
— As melhores possíveis. Abraçamos tudo o que nos acontece para transformar em aprendizagem e crescimento e, na verdade, retirámos uma boa análise da primeira parte, com um bom controlo do jogo e da bola, da forma que queremos. Não da forma como queremos chegar ao último terço. Precisamos de ser mais agressivos e acutilantes e de ter melhores decisões e execuções. E também aprendemos muito com o nosso pior período na segunda parte, na qual o Marítimo marcou depois de nos ter ameaçado com algumas situações de perigo. O André Gomes foi importante para travar o golo do Marítimo, que acabámos por sofrer. Tudo o que foi aplicado em treino esta semana tem o objetivo de não voltar a cometer os mesmos erros. Sabemos que os erros têm um impacto grande. A aprendizagem, neste momento, é acelerada. Portanto, independentemente do resultado, trazemos sempre coisas boas para acrescentar para a semana seguinte e para fazer crescer a equipa.
— Como sente o plantel antes do jogo com o Benfica? Talvez seja o adversário ideal para a equipa ganhar confiança.
— Sinto o grupo exatamente da mesma maneira que na semana antes da viagem à Madeira. Nada mudou. É verdade que não ganhámos na Madeira, mas a abordagem desta semana foi exatamente a mesma, sabendo que vamos enfrentar um excelente adversário. Mas nada mudou depois do resultado na Madeira. A preparação foi boa, mais longa também. Foi um microciclo que permitiu gerir as cargas de outra maneira, porque jogamos apenas segunda-feira. Isso também permitiu em alguns conteúdos importantes para a nossa forma de estar, mais do que alguma abordagem estratégica para o jogo de amanhã. É importante cimentar as nossas ideias, obviamente que com um ou outro apontamento estratégico tendo em conta as forças do Benfica.
— Benfica empatou com o Académico de Viseu e com o Hearts. Que fragilidades identifica no Benfica e de que forma pode o Casa Pia aproveitá-las?
— As fragilidades do Benfica são poucas e não é por não terem conseguido vitórias nos últimos jogos que a nossa sensação vai mudar. É uma equipa fortíssima, com muitos argumentos, uma equipa grande, que gosta de ter a bola, que gosta de apertar assim que a perde. Conhecemos as forças do adversário. A nossa preparação foi exatamente igual, independentemente dos resultados do Benfica. Foi exatamente da mesma forma. Foi a abordagem que teríamos se o jogo fosse outro, com outro adversário. A nossa preparação semanal depende muito de nós, da nossa forma de estar. Obviamente precisamos de ter muita atenção às forças que o Benfica vai demonstrar amanhã. Tratando-se do clube que é, a única coisa que pode haver é pressão de sentir que começou um campeonato com apenas um ponto, que quer rapidamente chegar ao topo da tabela e não pode facilitar. Mas nada muda na abordagem ao jogo das duas equipas.
— O Casa Pia tem histórico recente feliz contra o Benfica, apesar de ter sido com outras equipas técnicas. De que forma pode aproveitar esse fator para motivar ainda mais o seu plantel?
— Esses resultados são a prova de que o Casa Pia, nos últimos anos, tentou intrometer-se na história dos melhores clubes em Portugal e tentou competir por patamares superiores. Mas, na verdade, esse historial não vai fazer com que se parta de uma premissa diferente. Estamos a iniciar o campeonato, a equipa está a crescer, a compor-se nas suas ideias e com novos elementos. O Benfica estará, obviamente, noutro patamar. Tem uma bagagem um bocadinho maior que a nossa em termos de competição porque já vem com [jogos nas] competições europeias. Mas, acima de tudo, em agosto ainda estão a estruturar as ideias, a fazer com que elas ganhem força semana após semana. Não vejo que a história mais recente tenha qualquer impacto no desfecho do jogo de amanhã.
— O que se pode esperar do jogo? Será um Casa Pia a tentar dividir a posse de bola? Será um Casa Pia a jogar mais recuado, dando iniciativa ao Benfica, que tem essa obrigação de ganhar a partida?
— Já conseguimos mostrar, na semana passada, um pouco a ideia que queremos implementar. A resposta é simples: nós vamos querer dividir o jogo. Mas uma coisa é o que queremos, outra é aquilo que o adversário nos permite fazer. Será certamente difícil conseguir ter períodos de posse de bola como na Madeira, mas vamos tentar fazê-lo. Vamos tentar dividir o jogo. Não vamos baixar linhas, não vamos defender num bloco baixo. Vamos tentar que este jogo sirva para continuarmos a implementar as nossas ideias, sabendo que o adversário nos vai dificultar ainda mais a vida. Acredito muito na capacidade de resposta do plantel. Agora, se isso será suficiente ou não para ter mais bola, para conseguir levar de vencida algumas investidas do Benfica, não sabemos. As sensações de crescimento da nossa forma de jogar e de querer ter bola são muito boas. Mas do outro lado estará uma equipa muito capaz que vai tentar evitar que isso aconteça.
— Na primeira jornada, saltou à vista a ausência de alguns jogadores que na última época tiveram papel importante. O que pode dizer de Patrick Sequeira, Iyad Mohamed, Livolant, Nsona e Cassiano? Poderá contar com algum destes durante a época? Estão todos na porta de saída?
— Desde a nossa entrada, a visão do Patrick Sequeira e do clube foi clara para que se encontrasse um caminho diferente para a carreira dele. Essa opção nunca chegou a ser técnica, já estava praticamente tomada. Trouxemos o André Gomes para junto de nós. Gostaria também de reforçar que, mesmo com esta perspetiva, o Patrick tem sido um profissional exemplar, alguém, no grupo dos guarda-redes, que tem estado a ajudar de forma fantástica ó André, o Daniel [Azevedo] e o Ivan [Mandic]. Clube e jogador estão muito alinhados em dar um excelente futuro ao Patrick. O Livolant, como referi na semana passada, está com processo disciplinar por ter mostrado uma vontade grande de sair, o que até não seria um problema, mas passa a sê-lo quando essa vontade acaba por não respeitar os valores e os princípios que o Casa Pia defende para um comportamento normal no dia a dia do clube. Acredito que o processo vai ter um desfecho bom para ambas as partes, mas é certo que não conta para a equipa técnica neste cenário. Tanto o Kelian Nsona como o Iyad, neste momento, estão um pouco mais atrás, tendo em conta os valores que temos no plantel. Continuam a treinar-se connosco, mas entendemos que talvez não seja a época para o Casa Pia lhes poder oferecer um volume de jogo adequado às suas reais capacidades. São dossiers que estamos a tratar. A situação do Cassiano posso esclarecer rapidamente: não há dúvidas algumas da energia e da qualidade do Cassiano e queremos muito que ele continue connosco; e certamente continuará. Portanto, está convocado para o jogo de amanhã e pronto para ajudar a equipa.
— É a primeira vez na carreira que jogará contra um grande. Qual é o seu estado de espírito?
— Estou muito orgulhoso em fazer parte deste projeto e em fazer crescer esta ideia de que o Casa Pia se pode afirmar na Liga, com as nossas ideias e com uma proposta de jogo diferente daquela que foi apresentada. Na verdade, não há ansiedade. Vou dormir bem. Talvez depois do jogo tenha outras dores de cabeça, mas até lá não vejo isso acontecer. Tenho enorme vontade de ajudar o clube. Nada de diferente por ser o Benfica. É óbvio que o Benfica marca aqui também a minha história. Foram muitos anos a defender aquelas cores. Orgulho-me muito do meu passado, do meu percurso. Crescemos muito em conjunto e guardo boas memórias do tempo que passei no clube. Mas a preparação do jogo e o nosso profissionalismo enquanto equipa técnica leva-nos a encarar este jogo exatamente da mesma forma como encarámos o anterior e encararemos o próximo.