Só SC Braga fez mais que Casa Pia contra o Benfica
Oitenta e seis anos é muito tempo e foi o tempo que o Casa Pia teve de esperar para voltar a celebrar um triunfo sobre o Benfica — aconteceu a 25 de janeiro de 2025, em Rio Maior, e, desde então, não mais os gansos voltaram a perder com os encarnados, que reencontram, no mesmo palco emprestado, segunda-feira, para a segunda jornada do campeonato. Dá-se a coincidência, ainda, de se completarem, amanhã, véspera da partida, dois anos desde a última derrota do Casa Pia com o Benfica. Seguiram-se, então, dois empates e duas derrotas.
Casa Pia empatou com o Benfica (1-1), em Rio Maior, na 19.ª jornada do campeonato, na época passada. Richard Ríos abriu o marcador aos 68' e Rafael Brito igualou aos 78'. Pontinho importante para os gansos, que ocupavam, então, a antepenúltima posição, da qual não saíram até ao fim da competição. José Mourinho, treinador à data do Benfica, atirou a toalha o chão na luta pelo título. Benfica ficou 10 e três pontos atrás em relação a FC Porto e Sporting, respetivamente. O treinador das águias acusou os jogadores de não terem fome de futebol, ao contrário do adversário, que «fez o que pôde»
O Casa Pia é, aliás, a equipa em Portugal que há mais tempo não perde com o Benfica em todas as provas, embora o SC Braga, desde fevereiro de 2025, tenha feito quatro jogos contra as águias, com um saldo de três empates e uma derrota. Neste ranking dos últimos jogos, ainda sem derrotas, conta o FC Porto, com duas vitórias e um empate.
Renato Nhaga (na imagem à esquerda) marcou o golo do empate do Casa Pia contra o Benfica (2-2), no Estádio da Luz, no primeiro minuto de compensação, na 11.ª jornada do campeonato. Jogo superpolémico, com José Mourinho a disparar contra a arbitragem, por penálti assinalado por mão de António Silva. «O empate é culpa nossa, do árbitro [Gustavo Correia] e do VAR [João Bento]. Há um erro gritante», acusou o treinador. «Os jogadores foram fenomenais», disse Gonçalo Brandão, então técnico do Casa Pia, que preferiu não comentar a arbitragem
O registo dos gansos elevam-nos a uma espécie de patinho feio — há aqui algum exagero, seguramente, no recurso a esta expressão idiomática — dos encarnados. Mas é, reconhecidamente, digno de elogio, por tratar-se o Casa Pia de uma equipa sem recursos de FC Porto ou SC Braga e, no entanto, conseguir bons resultados com o Benfica.
O Casa Pia até começou mal o jogo e Di María adiantou o Benfica no marcador, mas Cassiano, Nuno Moreira e Livolant deram a vitória à equipa em Rio Maior, na 19.ª jornada do campeonato, e desencadearam uma crise no Benfica. Bruno Lage foi contestado logo no estádio e, mais tarde, confrontado por adeptos na garagem do Estádio da Luz. Foram depois partilhados áudios do técnico dos encarnados que obrigaram a conferência de Imprensa de esclarecimento
Clube histórico e que esteve afastado da I Divisão 83 anos, o Casa Pia acabou em 9.º, 10.º, 9º e 16.º (venceu play-off das I/II Ligas) nas últimas quatro temporadas.
Números e memórias que não entram em campo, mas poderão servir de inspiração à equipa agora treinada por Filipe Coelho, 41 anos, que passou 12 anos da carreira na formação do Benfica e que na última época trabalhou como adjunto no Estrasburgo.
Os casapianos entraram com o pé esquerdo no campeonato, com derrota na Madeira, contra o Marítimo (0-1). «Foi o jogo típico de início de época, as equipas estão a tentar crescer em alguns conteúdos que não estão bem trabalhados. Na primeira parte, tivemos bons momentos de posse e de controlo. Deveríamos ter aproveitado alguns espaços para ferir o Marítimo», partilhou Filipe Coelho, no final do jogo no Funchal.