Último treinador a vencer o Benfica na Liga recorda segredos e deixa alerta
João Pereira, de 34 anos, permanece como o último treinador a vencer o Benfica num jogo do campeonato português — um feito alcançado a 25 de janeiro de 2025, na 19.ª jornada da Liga, quando liderava a equipa técnica do Casa Pia, precisamente o adversário que as águias vão defrontar na próxima segunda-feira, na 2.ª ronda da edição 2026/27 da Liga. «Puxando um pouco a brasa à nossa sardinha, recordando esse jogo, a última derrota ter sido connosco já mostra o difícil que é ganhar ao Benfica, é sempre difícil», recorda João Pereira, em conversa com A BOLA, sublinhando a complexidade de superar uma equipa com a qualidade encarnada.
Atualmente sem clube e a analisar novos projetos profissionais, o treinador português, ao antecipar o duelo de segunda-feira, não esconde que o «favoritismo estará sempre e muito do lado do Benfica», reconhecendo a diferença de recursos e de estatuto entre os dois clubes. No entanto, alerta também que, «num contexto de clube como o Casa Pia», os encarnados precisam de redobrar a atenção, pois a equipa da casa costuma crescer em jogos de grande exigência:
«Acredito que os jogadores do Casa Pia vão estar ligados à corrente, com muita ambição», prevê, lembrando que o fator psicológico e a motivação podem equilibrar um confronto teoricamente desfavorável. Recuperando a vitória por 3-1 de janeiro do ano passado — com golos de Cassiano (32’), Nuno Moreira (60’) e Livolant (90+4’), enquanto pelo Benfica marcou Ángel Di María (14’) —, João Pereira detalha a semana que antecedeu aquele duelo, sublinhando que o resultado e a exibição resultaram de uma conjugação de fatores.
O único golo da equipa encarnada da última derrota do Benfica no campeonato, frente ao Casa Pia (1-3), adversário de segunda-feira, foi apontado por Di María. O astro argentino marcou logo aos 14 minutos, de penálti. Cassiano empatou aos 32'; Nuno Moreira (60') e Livolant (80+4') fixaram o resultado favorável aos gansos.
«Resultaram do facto de estes jogos serem mais fáceis de preparar, porque os níveis de motivação dos jogadores estão muito elevados, e também devido ao plano de jogo, que foi cumprido de forma muito rígida pelos jogadores. E acabámos por ser felizes», sustenta.
A conversa que manteve ao intervalo com os jogadores, quando o resultado era um empate a uma bola, também teve um peso decisivo na viragem do jogo. O técnico português confidencia que procurou «dar um sinal de esperança» aos jogadores, até porque «a resposta positiva com um golo em quinze minutos», depois da equipa se ter encontrado a perder, justificou a mensagem de confiança que transmitiu no balneário: «Se conseguimos fazer um golo, conseguimos fazer mais.» E fizeram, com o Casa Pia a mostrar uma capacidade de reação e uma frieza notáveis.
No banco de suplentes do Benfica para o jogo com o Casa Pia, de janeiro de 2025, sentaram-se alguns jogadores que dificilmente conseguimos, mesmo esta temporada, imaginar fora da equipa inicial: Aursnes, Schjelderup e Pavlidis (Beste na ponta direita) foram lançados na segunda parte, mas não conseguiram evitar a derrota por 1-3.
«A abordagem que tivemos também foi completamente diferente daquela que apresentámos no Estádio da Luz, na segunda jornada, quando perdemos por três a zero. A mentalidade foi diferente, jogámos de igual para igual e queríamos muito vencer», explica João Pereira, lembrando que nesse encontro de Rio Maior com as águias, à 19.ª jornada, a equipa vinha de uma série de sete jogos só com uma derrota e tinha a possibilidade de subir ao sexto lugar da classificação, o que acabou por suceder, consolidando uma das melhores fases do clube.
Jogámos de igual para igual e queríamos muito vencer.
Voltando aos minutos de intervalo, João Pereira recordou mais um pormenor que considera ter feito a diferença naquele jogo.
«O Casa Pia não vencia o Benfica há 86 anos, falámos disso ao intervalo e creio que ajudou, que impactou para a segunda parte. Serviu de motor para os jogadores», recorda, revelando como o peso da história e a quebra de um jejum tão longo funcionaram como um estímulo adicional para a equipa.
A derrota em Rio Maior causou onda de contestação dos adeptos encarnados, que se manifestaram fora do estádio e também nas garagens da Luz, quando o autocarro chegou. Bruno Lage, treinador das águias, teve bate-boca com os adeptos e o áudio foi tornado público. A polémica aumentou e motivou uma conferência de Imprensa do técnico benfiquista.
O final desse jogo ficou muito marcado pela contestação dos adeptos do Benfica no exterior do estádio em Rio Maior, e que se prolongou até às garagens do Estádio da Luz, refletindo o impacto que a derrota teve na massa adepta encarnada. Terá o Casa Pia sentido, nessa noite, que além de vencer o Benfica também abalou profundamente o clube da Luz? «Não, de todo. Estávamos muito focados nos festejos», diz João Pereira.