«Ronaldo como símbolo», orgulho e cansaço: tudo o que disse Jorge Jesus
Jorge Jesus, selecionador nacional, fez, este sábado, a antevisão ao encontro com a Noruega, agendado para as 19.45 horas de domingo, no Estádio do Dragão, a contar para a quarta jornada da Liga das Nações. A equipa das quinas venceu os três jogos já realizados na prova, podendo garantir desde já o apuramento para os quartos de final.
— O que espera do jogo com a Noruega?
— O que quero é que possamos ganhar para praticamente estarmos qualificados para os quartos de final. Se conseguirmos fazer o que fizemos com a Dinamarca, com momentos com muita qualidade... era aquilo que queria mais, mas nem sempre no futebol o que queremos conseguimos. Gostava que Portugal ganhasse. Que no nosso país ficasse com o carimbo da qualificação.
— Está disponível para uma reconciliação com Ronaldo?
— O foco tem que ser a Seleção por tudo. A Noruega, aquilo que temos que fazer bem, que o nosso povo também esteja em sintonia com a bandeira e com o objetivo. Ronaldo é um símbolo da Seleção e de Portugal. Depois do jogo há muito tempo para se falar sobre isso.
— O mundo inteiro olha para a Seleção. Como tem lidado com isso?
— Vou-me focar na equipa, no adversário. A Noruega é uma equipa do top 5 da Europa, com grandes jogadores. Temos que estar focados. Depois temos todos tempo para analisar, até mesmo em relação aos jovens jogadores portugueses. Depois temos mais dois jogos, mas primeiro temos que carimbar a qualificação.
— Teve algum contacto com Ronaldo?
— O carinho que procuro e gostava não passa do símbolo da seleção. O carinho é para a equipa e não para mim. Eu faço parte de uma equipa, sou o comandante. Esse afeto que os adeptos têm pelo país. Antes de ser selecionador também era adepto da seleção ferrenho e doido. Olhava para o país. Não quero estar à parte de nada da Seleção.
— Cristiano Ronaldo tem estatuto, mas Jorge Jesus também o tem. Esta situação pode afetar o Mundial 2030?
— Não me vou desviar... já estamos a ir para 2030. O futebol é dia a dia, jogo a jogo. O jogo amanhã é o mais importante. Um jogo que se espera bem jogado. É para aí que eu quero ir. O problema neste momento chama-se Noruega.
— Tem repetido que o foco de Portugal tem de estar no jogo com a Noruega, quão difícil tem sido manter o foco no jogo? Estes foram os dias mais difíceis de gerir na sua carreira?
— O mais difícil na carreira de um treinador é sempre resolver e tentar, quando não se ganha, de arranjar formas que a vitória esteja sempre próxima a cada jogo. Por muito que possa dizer que a vitória na Dinamarca me encheu de orgulho a mim como treinador, por aquilo que os os meus jogadores fizeram, mas também posso dizer que quando acabou o jogo fiquei muito feliz, mas podia estar mais feliz.
— Está a pensar fazer mudanças? Como estão as situações de João Félix e Francisco Conceição?
— Temos feito 4 alterações, tudo depende das condições dos jogadores. Vamos para o quarto jogo. Os jogadores que jogam mais minutos começam a estar no risco da lesão. Amanhã, vamos mudar alguns jogadores mais carregados. O Félix recuperou, acho que recuperou... ainda temos que fazer um treino.
— Que ajuste pode fazer na pressão?
— Temos vantagens numas coisas e desvantagens noutros momentos. A questão física, aí perdemos. Têm cinco jogadores entre 1,90m e 1,88m. Mas temos vantagens, não somos tão grandes mas somos rápidos. Os nossos médios são todos jogadores com 1,70m, mas com bola nos pés é difícil pará-los. Tentar que isso entre dentro do jogo. O treinador da Noruega já viu o filme do primeiro jogo.
— Vamos ter Portugal a medir mais o risco? Noruega causou problemas a Portugal...
— A Noruega é uma equipa com muita qualidade. Eu já disse isto aos meus jogadores. Apareciam em Portugal jogadores altos, grandes, mas não tinham muita qualidade técnica. Hoje em dia não. Têm técnica. Vamos jogar para ganhar, não vamos mudar as nossas ideia.
— Do meio-campo para a frente, Pedro Neto tem mantido a titularidade... Está acima dos outros?
— Nestes três jogos, deu indicações. Perdemos Francisco Conceição e, portanto, isso também lhe deu alguma vantagem. Mas amanhã é o quarto jogo e as campainhas já tocam.
— Portugal fez com a Noruega o que o Brasil não conseguiu...
— O que o Brasil não fez, o Ancelotti certamente agora tem uma opinião diferente. Aquilo que identificámos como estratégia foi fechar alguns momentos, não vou dizer quais. Três ou quatro momentos com bola e conseguimos fazer, por isso é que conseguimos vencer.