Haaland com Diogo Costa. Duelo foi intenso na Champions: o norueguês 'bisou', mas não foi fácil - Foto: Imago
Haaland com Diogo Costa. Duelo foi intenso na Champions: o norueguês 'bisou', mas não foi fácil - Foto: Imago

«Diogo Costa é o melhor do mundo e nem há discussão»

Diamantino Figueiredo, treinador de guarda-redes que acompanhou o internacional português durante sete anos, destaca a ambição, a liderança e a leitura de jogo do capitão portista. Estranha que os grandes clubes europeus não avancem pelo n.º 99 e considera «chocante» a ausência dos nomeados da 'France Football'

A grande exibição de Diogo Costa frente ao Manchester City correu mundo e deixou a Inglaterra espantada. Como é que nenhum dos grandes da Premier League tirou ao FC Porto o n.º 99, também titular da baliza da Seleção Nacional? Há 60 milhões de razões para isso, se as razões forem traduzidas em euros: o montante da cláusula de rescisão do guardião, que, antes da renovação até 2030, era ainda mais alta, de 75 milhões.

Os números da exibição de Diogo Costa foram impactantes, mas não propriamente uma novidade para quem o conhece bem. «Para mim, foi o normal, números do melhor guarda-redes do mundo, que nunca se contenta com pouco, quer sempre mais.» Quem fala assim é Diamantino Figueiredo, o treinador de guarda-redes que mais tempo trabalhou com o titular da baliza dos azuis e brancos: sete anos. Foi no consulado de Sérgio Conceição que Diogo Costa subiu ao plantel principal, fez a estreia e, por fim, cavou em definitivo o seu espaço na equipa.

Diamantino Figueiredo trabalhou sete anos com Diogo Costa no FC Porto

Mas, antes de falar disso, vamos ao desempenho de Diogo Costa frente ao City, que tanto deu que falar em Inglaterra e em vários pontos do globo. Na primeira parte, o internacional português somou cinco defesas — oito no total do jogo —, quatro delas a remates dentro da área, e chegou ao intervalo com 1,96 golos esperados evitados. Entre os lances mais marcantes estão a defesa espetacular a um cabeceamento à queima de Haaland, aos 21’, e a dupla intervenção aos 33’, quando travou um remate de primeira do norueguês e, na recarga, negou o golo a Cherki.

«Conheço bem a exigência que Diogo Costa coloca no seu trabalho, por isso digo que é normal e estou seguro de que, para ele, também foi normal. Ele quer sempre mais, e essa ambição de querer fazer melhor faz dele, efetivamente, o melhor do planeta, para mim. Estará, se não concordarem, no top 3, mas não vejo melhor do que ele», resume Diamantino Figueiredo, também ele espantado com os movimentos de mercado.

Conheço bem a exigência que Diogo Costa coloca no seu trabalho, por isso digo que é normal e estou seguro de que, para ele, também foi normal

«Não se percebe. Gasta-se tanto dinheiro por determinados guarda-redes, portanto, não percebo como é que as pessoas que trabalham nos grandes clubes mundiais não investem num guarda-redes como o Diogo. Falo nisso há três ou quatro anos, não é de agora», destaca.

E é precisamente para lá das defesas que Diamantino encontra uma parte decisiva da diferença. A leitura do jogo, a capacidade de decidir quando acelerar ou manter a posse e a influência sobre os colegas fazem, na sua perspetiva, de Diogo Costa um guarda-redes completo.

«Pela postura e liderança que revela, está sempre ligado ao jogo e consegue contagiar os colegas com essa atitude. É isso que também faz a diferença. Para mim, é o melhor do mundo pela forma como lê o jogo, sabe quando jogar rápido e curto, quando a equipa está sob pressão, e pela comunicação que mantém com os companheiros. Tudo isso é, por vezes, ainda mais importante do que as grandes defesas que faz.»

Para mim, é o melhor do mundo pela forma como lê o jogo, sabe quando jogar rápido e curto, quando a equipa está sob pressão, e pela comunicação que mantém com os companheiros

Até pela qualidade que já demonstrava ainda muito novo, Sérgio Conceição e a sua equipa técnica não hesitaram, a dada altura, em entregar-lhe a baliza do FC Porto. «Em boa altura o pusemos como número 1, com certeza que muitos não o fariam, porque tínhamos o Marchesín. Mas aquilo que era a base de um grande guarda-redes estava lá. Todos evoluímos, mas a técnica de base que lhe vai dar sustento para o resto da carreira estava lá toda, além da exigência que tem diariamente e que o leva a este patamar», aponta.

Também por isso, e não apenas por causa de uma exibição mais mediática no palco da Champions, contra um Manchester City candidato a vencer a competição, Diamantino Figueiredo considera «chocante» a ausência de Diogo Costa dos nomeados da France Football' para melhor guarda-redes de 2026.

«Não lembra a ninguém essa situação. Para mim, é o melhor, nem há discussão, mas ver ali outros guarda-redes que pouco fizeram deixa-nos a pensar sobre quem decide estas nomeações.»

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