Diogo Costa encheu a baliza na receção ao City - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Diogo Costa encheu a baliza na receção ao City - Foto: Catarina Morais/Kapta+

Nem todo o ouro reluz. Às vezes, defende — e chama-se Diogo Costa (as notas do FC Porto)

O n.º 99 portista assinou várias defesas de nível mundial diante do Manchester City, apesar do bis do avançado norueguês. Alberto e William Gomes alinhados na revolta, perante ingleses implacáveis
O melhor em campo: Diogo Costa (8)

Duas perguntas impõem-se: como é que o mercado de verão não levou Diogo Costa? E por que carga de água está fora dos nomeados para o prémio de Guarda-Redes do Ano de 2026, integrado na gala da Bola de Ouro? A noite de ontem mostrou, se ainda era preciso prová-lo, que o n.º 99 está entre os melhores do mundo na posição. Extraordinário o voo a negar o que parecia golo certo de Haaland, numa defesa de nível Champions que levou o estádio ao rubro. Repetiu a proeza, desta vez junto ao relvado, ao travar um remate de Phil Foden, mas fez rebentar a escala sonora com uma dupla intervenção quase à queima: primeiro, a negar Haaland; depois, a deter a recarga de Cherki. Ao seu alcance, defendeu tudo. Era impossível evitar a execução perfeita do gigante norueguês. Continuou seguro no longo intervalo em que não voltou a passar pelos apertos da primeira parte. Ainda tirou um remate promissor de Elliot Anderson, mas já nada podia fazer perante o bis de Haaland. Antes de o pano cair, Enzo Fernández tentou de longe, mas o n.º 99 voou ao primeiro poste, felino, para desviar para canto.

7 Alberto — Exibição muito personalizada, com uma dose de autoridade que surpreendeu Semenyo, incapaz de ter a influência habitual no ataque dos cityzens perante o acerto do lateral portista na primeira parte. No golo, a presença da sua referência pelo meio, a somar à perda de bola de André Silva, trouxe uma nota sombria que não altera a ideia essencial: foi um dos mais seguros da equipa. Aos 54’, convocou André Silva para o golo, mas o relógio do avançado estava atrasado.

6 Nehuén Pérez — Não se percebeu bem o posicionamento no lance do golo de Haaland, quando se exigia maior presença física na zona de influência do goleador do City — sem que isso elimine a responsabilidade de Kiwior. Primeira parte de maior sobressalto do que tranquilidade, embora tenha respondido bem aos fogos na área. Aliás, a serenidade exibida deixa perceber que a sua melhor versão está de volta.

4 Kiwior — O primeiro impacto de Haaland deixou-o sem a referência de marcação, valendo a defesa de outro mundo de Diogo Costa, aos 21’. Teve um segundo aviso, sem consequências, mas, à terceira, o norueguês apareceu furtivo e sem a marcação que se impunha para celebrar. Acabou o jogo, porém, com uma sucessão de cortes preciosos.

6 Martim Fernandes — Ter Phil Foden pela frente é sempre uma receita para uma noite complicada, e isso ficou claro num lance em que o inglês conseguiu furar, desenhar a diagonal e ameaçar Diogo Costa, aos 29’. Teve trabalho redobrado no seu corredor, mas manteve índices defensivos elevados, consciente da missão que tinha pela frente.

6 Alan Varela — Atento a Cherki, fez-se notar ofensivamente num remate de longe, cheio de efeito, que por pouco não surpreendeu Donnarumma — no Dragão, chegou mesmo a dar sensação de golo. O lance impulsionou o FC Porto a procurar mais vezes a baliza adversária, forçando o City a reorganizar-se para não perder o controlo do jogo.

6 Pablo Rosario — Na ausência de Froholdt, o dominicano avançou para médio interior direito. Baixou várias vezes perante a pressão intensa criada pelo adversário, mas procurou manter uma linha de coerência estratégica que permitisse também saídas promissoras. Implacável nas marcações, puxou pela agressividade sempre que foi necessário — numa dessas ocasiões desencontrou-se com Haaland, e ambos acabaram com amarelo.

6 Gabri Veiga — Quase ficou ‘KO’ após uma entrada muito dura de Guéhi, pouco antes do intervalo, que nem sequer mereceu ação disciplinar por parte do árbitro. O lance não condicionou a sua noite, feita essencialmente de compromisso defensivo inabalável, embora menos produtiva do ponto de vista atacante, em função da exigência imposta pelo City. Deu tudo.

7 William Gomes — Escapou ao amarelo pela reação num duelo com Guardiola, mas condicionou o croata, que viu cartão depois de travar o brasileiro. Este cruzamento de estilos foi uma das notas do jogo e da estratégia portista para encontrar atalhos até à área adversária. A pressão exercida pelo extremo foi um dos aspetos defensivos de maior destaque do FC Porto, pelo acerto, mas também procurou várias vezes o remate, sem a eficácia desejada — aos 67’, apertou Donnarumma, mas a bola saiu pela linha de fundo.

4 André Silva — Perda de bola altamente comprometedora, a lançar a resposta do City, concluída com o golo de cabeça de Haaland. Podia — e devia — ter sido implacável num dos raros momentos em que a defesa inglesa ficou a dormir, mas deu a sensação de não ter lido o cabeceamento de Alberto para o segundo poste. Tão prometedor quanto frustrante.

6 Pepê — Teve a primeira boa iniciativa numa combinação com Gabri Veiga. O espanhol rematou, mas estava em fora de jogo. Procurou ligar o jogo e criar desequilíbrios, numa noite de exigência elevada perante Matheus Nunes e Marc Guéhi. Nem sempre tomou as melhores decisões, mas não se lhe pode apontar falta de entrega a defender.

5 Inbeom Hwang — Farioli depositou fé nos níveis de acerto do sul-coreano. O passe foi entrando — que o diga Fofana —, mas o City também soube interpretar esses momentos do jogo e reduzir-lhe o espaço de manobra.

5 Borja Sainz — Rendeu o esgotado William Gomes para dar mais vida ao corredor. E deu-a, efetivamente, mantendo o Dragão preso à esperança de chegar ao empate.

5 Gimenez — Grande cruzamento do mexicano, desperdiçado por uma abordagem infeliz de Pepê, que tentou finalizar de primeira. Promete.

5 Francisco Moura — Mais uma prova de confiança de Farioli. Entrou para refrescar o corredor esquerdo e envolveu-se bem na dinâmica da equipa.

5 Fofana — Muita fé depositada no costa-marfinense. Não houve milagre, mas ficaram algumas notas positivas no relvado.

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