O treinador do Benfica, Marco Silva - Foto: Catarina Morais/Kapta+
O treinador do Benfica, Marco Silva - Foto: Catarina Morais/Kapta+

«Identidade», não marcar cedo e a nova dupla maravilha: tudo o que disse Marco Silva

Técnico dos encarnados elogiou a atitude da equipa, do início ao fim, mesmo que não tenha feito golo cedo. A primeira parte deixou-o «muito satisfeito» e o duo Schjelderup-Prestianni... ainda mais

— Que análise faz ao jogo e porquê Schjelderup à esquerda e Prestianni mais ao meio, mas perto dele?

— Foi uma vitória justa. Fomos muito acutilantes na primeira parte e, mesmo sem conseguir marcar, mantivemos a nossa intensidade e identidade bem presentes. Deixa-me feliz a forma como a equipa reagia, pressionava e a qualidade de jogo que conseguimos. Fomos muito acutilantes à esquerda. No princípio, havia algumas dúvidas no corredor direito, mas depois o Banjaqui foi crescendo também. As conexões depois com o Barreiro, com o Prestianni e com o Rafa também foram melhorando. Na primeira parte, faltou-nos um pouco explorar um pouco o jogo interior, faltou-nos um pouco usar mais o Pavlidis em alguns momentos, porque estava lá a solução para nós usarmos num primeiro momento. Faltou-nos um pouco isso, mas temos outros caminhos para chegar lá. Deixa-me satisfeito. Era uma questão de tempo até o Schjelderup estar dentro do campo, uma questão de ele ganhar mais condição e mais confiança. Os sinais que me deu no último jogo quando entrou na Madeira foram muito fortes e nada que me surpreendeu. Só estava à espera desse tipo de exibição da parte dele e hoje deixei-o propositadamente uns minutos a mais porque ele precisa de ganhar mais condição para ser capaz de jogar da forma como queremos, quer com bola, quer sem bola. Foi uma grande exibição, juntamente com o Prestianni também. Naturalmente, foram substituições para gerir, quer a do Pavlidis, quer a do Prestianni, e ao mesmo tempo colocar jogadores que precisam de minutos dentro do campo. Depois do segundo e do terceiro golo, a equipa naturalmente baixou um pouco mais a intensidade do jogo, porque temos vindo a jogar muitos jogos de três em três dias.

— Estava muito nervoso e exaltado até ao primeiro golo. O que é que não estava a gostar até ali?

— Não, até gostei muito mais da primeira parte do que da segunda. Vocês chamam-me nervoso… Eu estou a viver o jogo e a tentar ajudar os meus jogadores. Não vejo isso como nervosismo, estou envolvido no jogo. Se puder ajudar, se puder dar feedback… Se olhar para as duas partes, de uma forma geral, foi muito boa. Estou muito satisfeito com a primeira parte. Nos últimos dois jogos fora, tínhamos marcado cedo, o que nos deu uma… não uma calma, porque a minha equipa em nenhum momento pode ter calma, mas deu-nos confiança para procurar o segundo mais cedo. Nem sempre vamos marcar cedo. Tendo o exemplo deste jogo, criámos logo oportunidades no começo, mas não conseguimos. É importante que a equipa continue a jogar da mesma forma, com a nossa identidade bem presente, e continuar a procurar outras formas de criar oportunidades de golo. Mas não me senti exaltado. É a forma como vivo o jogo, simplesmente isso. Tentar, se calhar, em alguns momentos, não acalmar, mas não ser tão exuberante. Já não é a primeira vez que me perguntam isso, se calhar é mais culpa minha.

— É a sexta vitória seguida. Nos últimos dois jogos, a equipa marcou sete golos, não sofreu nenhum. Está satisfeito com estes números, numa fase em que a agenda será exigente?

— O mais importante era a vitória e os três pontos, num jogo que tínhamos em atraso, em que foi opção nossa jogar nesta altura. Também não tínhamos muito por onde escolher, mas foi opção nossa não jogar com o Moreirense no meio dos dois jogos do play-off. Havia essa possibilidade e optámos por fazê-lo, sabendo que tínhamos de suportar um pouco mais nesta altura, mas numa altura em que temos já mais jogadores com condição física, mais opções para rodarmos, mais jogadores para fazermos a gestão se assim o entendermos e um plantel um pouco mais identificado com a nossa forma de jogaro. Mas era fundamental para nós, depois das boas exibições e dos bons resultados no jogo que tínhamos em atraso, ganharmos novamente. Sim, estou muito satisfeito por não sofrermos golos, foi uma exibição muito sólida. Tirando um livre, um pontapé longo nas nossas costas… O Moreirense tem ali esse lance de perigo, não me lembro praticamente de mais nada. É sinal de que nós fizemos um bom jogo em termos ofensivos, mas fomos sólidos em termos defensivos — praticamente não permitimos nada ao adversário. E é importante, mesmo a ganhar 2-0, 3-0, 4-0 não perder o foco, não haver ali um momento de desatenção, perdermos um ou outro passe já nos últimos dez minutos que os jogadores sabem que não fico satisfeito. É para manter o foco até ao fim. Mas estou muito satisfeito. Disse-lhes: estamos de parabéns, mas são só três pontos. A minha intenção é que descansem, porque no domingo temos mais uma batalha pela frente.

— Como avalia a resposta em campo do Banjaqui na ausência do Bah?

— O Banjaqui está no nosso plantel porque acreditamos nele. Essa é a realidade. No ano passado, havia três laterais direitos com ele. Vendeu-se um lateral que tinha feito uma grande temporada, que era o titular e decidimos ficar com o Bah e com o Banjaqui e ter três laterais à esquerda. Dois dos cinco laterais são dois jovens de 18 anos em que nós, Benfica, acreditamos e, passo a passo, temos de ir dando a confiança. No princípio, esteve um pouco nervoso, alguns passes e mesmo sem pressão percebeu-se que sentiu que havia ali algumas dúvidas, alguma indecisão naquilo que era a tomada de decisão, mas depois foi crescendo. A equipa também o ajudou nisso mesmo e deixa-me satisfeito. O apoio do público naquele lado direito mais ofensivo num ou noutro momento em que falhou um passe também foi importante para um jogador jovem. E é isto que me deixa satisfeito: esta conexão que há entre os jogadores dentro do campo e também dos adeptos com a equipa, porque todos juntos seremos mais fortes.

— A posição onde o Prestianni jogou o que diz sobre o crescimento do jogador?

— Não tenho a menor dúvida do que o Prestianni é e do que será no futuro. No primeiro momento que o tive disponível para jogar, vocês viram a exibição que teve, jogando na esquerda. Tem jogado muito mais na esquerda, mas noutros jogos já esteve à direita, noutros jogos já esteve na mesma posição que começou hoje. É um jogador que pode fazer as três posições atrás do avançado e muito bem. Pode jogar como interior à direita, à esquerda é mais forte, nos movimentos que faz daquele espaço para dentro. Muito satisfeito. É um jogador que a intensidade com que joga é a intensidade com que treina, depois isso reflete-se durante o jogo. É um jogador que está com uma confiança muito grande, porque também trabalha forte. Torno a referir: o grande momento que está a viver tem muito a ver com a pré-temporada e com o modo como ele se preparou sabendo que não ia jogar os primeiros dois jogos, e como desde o primeiro dia quis mostrar a qualidade. Caladinho, percebendo que não ia jogar os dois jogos, mas sempre a trabalhar forte. É uma excelente base, ainda muito jovem, tem apenas 20 anos, mas cheio de talento, cheio de qualidade. Compete-nos a nós continuar a guiá-lo da melhor forma que conseguirmos, dar-lhe caminhos para que ele jogue da forma como tem jogado, desfrute do seu futebol. É um jogador que também gosta de vir, trabalha forte, como sabe que tem de ser apanágio da nossa equipa. Muito satisfeito por ele. Foram 60 minutos, mas podiam ter sido mais, ele sentiu alguma coisa no aquecimento, tivemos algumas precauções. Já tinha feito grande parte do trabalho, era o momento de geri-lo um pouco porque tem jogado sempre. Mas estou muito satisfeito com ele e com outros jogadores também, não gosto de individualizar.

— O que é que causou a diferença de eficácia entre a primeira e a segunda parte no ataque?

— Continuámos a criar. Não sei bem o número de oportunidades claras que tivemos na primeira parte e na segunda, mas começámos muito cedo a ter oportunidades. Tivemos duas boas oportunidades na primeira parte, mesmo em lances de bola parada. Nós na primeira parte claramente merecíamos estar a ganhar o jogo já de uma forma clara. Foi, claramente, uma primeira parte de um nível muito bom com o adversário a defender muito baixo, nós obrigámos o adversário a defender muito baixo, muitas vezes com uma linha de cinco e uma linha de quatro quase em cima da área. Nós fomos capazes, mesmo assim, de conseguir criar oportunidades de golo, o que é um muito bom sinal e deixa-me muito satisfeito. A dinâmica foi muito boa no nosso corredor esquerdo. No nosso corredor direito também, com algumas dúvidas e incertezas nos primeiros 15 ou 20 minutos, mas depois fomos crescendo. Não havia muito espaço por dentro, era o momento de esticar a linha defensiva ao máximo que conseguíssemos do Moreirense com alguns movimentos. Eles estavam a jogar com o central praticamente a marcar o Prestianni por trás e nós queríamos tirá-lo de lá. Era importante ele vir a uma zona mais baixa para rodar ou para pelo menos tirar mais um jogador daquela linha de cinco. Foi o que fomos fazendo. Preparámo-nos bem, os jogadores entenderam bem, conseguiram depois expressar o nosso futebol e a nossa organização, quer com bola, quer sem bola. Deixa-me muito satisfeito por isso. A dinâmica foi boa, não quero só falar do lado esquerdo, porque é importante também falarmos do outro corredor, porque queremos que o adversário se preocupe com os dois corredores e com o corredor central. Hoje não estava tão fácil chegar pelo meio, o Moreirense tinha muita gente por dentro, conseguimos em alguns momentos atrair para depois ir fora e é uma das formas que temos de chegar.»

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