Yaya Sithole foi titular pela África do Sul frente à Coreia do Sul
Yaya Sithole foi titular pela África do Sul frente à Coreia do Sul - Foto: IMAGO

De vilão a herói: a redenção de médio do Tondela no Mundial 2026

Yaya Sithole teve um início de torneio «para esquecer», com golo oferecido e expulsão, mas regressou a titular com a Coreia do Sul em jogo histórico. «É assim que se dá a volta...», disse

Sphephelo Yaya Sithole, médio dos Bafana Bafana e jogador do Tondela, foi a figura central na histórica vitória por 1-0 sobre a Coreia do Sul, que garantiu à África do Sul a primeira passagem de sempre à fase a eliminar de um Campeonato do Mundo da FIFA. A sua exibição monumental completou uma reviravolta notável, transformando-o de alvo de críticas a pilar da equipa em menos de duas semanas.

O percurso de Sithole neste torneio começou da pior forma. No jogo de abertura contra o México, o médio teve uma noite para esquecer, perdendo a bola que deu origem ao primeiro golo adversário e sendo expulso na segunda parte após uma entrada imprudente. Este desempenho tornou-o alvo de piadas e de uma tempestade nas redes sociais.

Após cumprir castigo no empate contra a Chéquia (1-1), o jogador de 27 anos regressou ao onze por aposta do selecionador Hugo Broos, que precisava de colmatar a ausência de Teboho Mokoena, também por motivos disciplinares. A pressão era imensa, mas Sithole respondeu com uma exibição magistral no meio-campo, pautada por disciplina, antecipação e domínio físico.

No final do encontro em Monterrey, que selou o apuramento sul-africano, Sithole caiu de joelhos, num momento de pura catarse. Em declarações à SportyTV, o jogador desabafou: «Não tive um bom começo no torneio. Havia muitas pessoas a duvidar. Mas é assim que se dá a volta por cima, e estou orgulhoso de mim mesmo. Quero agradecer à minha família... apoiaram-me no momento mais difícil da minha vida. Agora todos estão felizes!»

Atuando como o único médio defensivo à frente da defesa, com Thalente Mbatha a ter mais liberdade para subir no terreno, Sithole foi fundamental para a estratégia de pressão da sua equipa. Intercetou inúmeras jogadas, realizou desarmes cruciais e dominou os duelos aéreos. A sua calma com a bola nos pés foi decisiva para a África do Sul aguentar a pressão sul-coreana na segunda parte, especialmente após a entrada da estrela Heung-min Son.

Foi a sua capacidade de ditar o ritmo desde trás que permitiu ao suplente Tshepang Moremi construir a jogada do golo da vitória, marcado por Thapelo Maseko aos 63 minutos. A aposta de Hugo Broos no médio que atua em Portugal foi totalmente justificada, com Sithole a dominar por completo o centro do terreno. Agora, os Bafana Bafana preparam-se para um histórico confronto com o Canadá nos 16 avos de final do Mundial, contando com um médio que renasceu das cinzas das críticas, mais forte e confiante do que nunca.

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