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De la Fuente elogia Portugal, mas garante confiança de Espanha
DALLAS — A menos de 24 horas do apito inicial no Dallas Stadium, Luis de la Fuente, selecionador espanhol, fez a antevisão ao duelo com Portugal, dos oitavos de final do Mundial 2026. O técnico espanhol deixou elogios a Cristiano Ronaldo, de quem garantiu ser «confesso admirador», e à Seleção Nacional, que equiparou a la roja em qualidade, mas revelou confiança na turma castelhana e garantiu que a Espanha tudo fará para dominar o jogo com os seus princípios. Mas, se não der, é para ganhar a «final».
— Pedro Porro continuará no onze?
— O motivo de uma troca não é só por aquilo que tenha Portugal, que tem uma enorme equipa. Neste caso, também temos de ter o adversário em conta, mas queremos que eles estejam mais preocupados connosco, com quer que esteja na direita, seja o Marcos [Llorente], o Porro, o Lamine, quem quer que jogue. Tenho absoluta confiança em todos os nossos jogadores.
— O que significa Cristiano Ronaldo para o futebol?
— Sou um confesso admirador de Cristiano, de pessoas e de futebolistas como ele, com caráter, com ambição, com vontade de crescer e de ser melhor todos os dias. Incansável. É um exemplo para os jovens e para os menos jovens. Rendo-me ao Cristiano. Acredito que não deu tudo o que tinha a dar, que vai continuar a dar mais. É um futebolista que pode ser perigoso em qualquer circunstância. Isso não significa que temos de lhe fazer marcação individual, mas, em determinadas zonas temos de nos preocupar com ele. Com o talento e a classe que tem, é o melhor nas zonas onde se decidem os jogos. Prefiro que não jogue, mas acredito que vai jogar. Desfrutaremos do espetáculo de um dos melhores jogadores da história. Vamos tentar fazer o nosso jogo, ser superiores a eles, e a ele.
— Espanha está a melhorar a cada dia?
— Sim, mas não é uma liga, não há 38 jornadas. Amanhã é uma final. Pode ser o último jogo, se não acertarmos e se Portugal acertar, ou podemos fazer mais três jogos. As melhorias têm de ser progressivas, constantes, mas imediatas. Estamos nesse caminho. Creio que há margem de melhoria. Sou tão otimista e tenho tanta fé nestes futebolistas que acredito que podemos melhorar todos os dias. Amanhã, com respeito ao último jogo, vai-nos exigir sermos um pouco melhores do que fomos.
— Vai pedir esforço extra a Lamine Yamal na defesa?
— Está sempre disposto a trabalhar mais, mas não temos de lhe pedir mais. Estamos encantados com o que nos dá. Sabe que o crescimento passa por esses aspetos. Quero que faça sofrer a defesa adversária. Se eles tiverem a iniciativa, todos terão de sofrer. Vejo o Lamine mais motivado a cada dia que passa, com mais vontade. Fica encantado com estes jogos, com a responsabilidade. Isso é bom, mas tem de estar para lá da ansiedade. Zero ansiedade e 100% de motivação. Um futebolista assim dá muita tranquilidade aos treinadores.
— Vai dar instruções especiais aos jogadores para ganharem o meio-campo?
— A nossa ideia é facilmente reconhecível. Vamos tentar fazer o que temos feito, mas de maneira a causarmos dano ao adversário. Na Liga das Nações [do ano passado, perdida para Portugal] fiquei com a sensação de que podíamos ter conseguido algo mais. Foi um jogo de um grande nível técnico e tático. Portugal pode ganhar por vezes sem fazer as coisas bem, tal como nós. Queremos ser fiéis à nossa ideia. Queremos ganhar a Portugal. Essa é a nossa ideia.
— Está tranquilo com Cubarsí a marcar Cristiano Ronaldo?
— Com Cristiano nunca podemos estar tranquilos, tal como com Lamine ou Oyarzabal. Mas tenho total confiança nos meus jogadores. Temos de superar o adversário em todas as áreas. Mostraram, ele e o Laporte, total capacidade. São excecionais. É uma luta e vamos ver quem consegue mais. O futebolista não é futebolista só pelas suas condições, mas também por outros mil fatores. E meninos como o Cubarsí, o Lamine, o Nico [Williams] têm um controlo genial dessas situações. Essa é a diferença. São muito bons tecnicamente, mas a diferença está na forma como controlam esses momentos. Em momentos pontuais, um jogador como Laporte dá a experiência. Completam-se de forma fantástica.
— Yamal teve dificuldades contra Nuno Mendes na Liga das Nações.
— Nuno Mendes já causou dificuldades a muitos, é muito bom. Tal como o Lamine, que já provocou noites desagradáveis a muitos defesas. Temos de o acalmar, ainda que não precise muito, é muito seguro. Não pode ter ansiedade. Que pense nele e na equipa, tal como faz. Cada jogo é diferente. Não pensemos que, por um adversário te ter ultrapassado uma vez, ultrapassar-te-á sempre. Esperemos que nos dê uma tarde de glória.
— Há sede de vingança por causa da Liga das Nações?
— Temos de procurar os pontos fracos deles. Será diferente, não no jogo jogado, porque é muito similar, mas sabemos que o Mundial é uma oportunidade única e teremos de jogar pela vitória.
— Como está a viver este Mundial?
— Com calma e tranquilidade. Tenho de estar atento a todos os detalhes, centrado puramente no futebol. Se estivéssemos atentos ao que acontece nas ruas estaríamos mais nervosos. Na nossa bolha estamos muito cómodos. Estou muito tranquilo.
— Como está Nico Williams?
— Veremos como vai a jogo. Logo se vê se terá minutos ou não. Pensaremos no melhor para ele e para a equipa. Poderá participar mesmo com as limitações, mas não é o mesmo entrar em vantagem ou em desvantagem. Veremos. Podemos ter uma ideia, mas o futebol leva e traz, como o mar. Vamos ver, tanto com ele como com o Victor [Muñoz].
— Todo o país quer que Espanha vença.
— Vivemos por eles, através das famílias e dos amigos chegam centenas de mensagens. Não somos ignorantes. Não conhecemos a magnitude, mas agradecemos. Temos orgulho de sermos espanhóis. Que continuem a apoiar-nos, que precisamos. É muito importante ter esse motorzinho, que é um impulso quando cai a gasolina.