Choupana é teste à fibra do FC Porto e há recordação amargas
Há saídas que valem mais do que três pontos. A deslocação do FC Porto à Choupana encaixa nessa categoria — por tudo o que representa do ponto de vista emocional e desportivo. O Estádio da Madeira convoca más recordações: há um ano, foi palco do início do fim da era Vítor Bruno. Os madeirenses venceram por 2-0, o FC Porto falhou o ataque ao 1.º posto e os problemas internos acentuaram-se.
Antes do Nacional, o FC Porto fora eliminado pelo Sporting nas meias-finais da Taça da Liga e no compromisso seguinte ao da Choupana, em Barcelos, frente ao Gil Vicente, a derrota por 3-1 precipitou o despedimento de Vítor Bruno, ao cabo de meio ano, 29 jogos, 18 vitórias, três empates e oito desaires — um dele traumatizante, 4-1 na Luz.
Hoje, o contexto é muito diferente. Farioli não tem sobre si o peso da contestação, nem a equipa vive mergulhada no caos competitivo. Pelo contrário: o FC Porto chega à 22.ª jornada no topo da Liga, com mais quatro pontos que o Sporting, em vantagem no confronto direto e firme nas restantes frentes — Taça de Portugal e Liga Europa. Tem uma identidade definida, um treinador respeitado pelo grupo e uma base tática consistente.
Ainda assim, o vento sopra forte. Depois da derrota frente ao Casa Pia e do empate no clássico com o Sporting, é a primeira vez que os azuis e brancos passam dois jogos sem ganhar na Liga. À lesão grave de Samu, melhor marcador e figura galvanizadora do ataque, junta-se à ausência de Kiwior, um dos rostos da segurança defensiva. O FC Porto perdeu alguma da energia contagiante do início da época, aquela que fazia parecer simples o que agora se tornou mais complexo.
É redutor olhar para esta deslocação apenas em tons de ameaça. Este FC Porto mostrou caráter quando precisou. Resistiu a pressões, venceu jogos exigentes e mostrou maturidade. A vantagem pontual e o domínio no confronto direto com o Sporting oferecem-lhe um pequeno colchão, que pode ser mais ou menos confortável em função do resultado na Madeira.
A Choupana é um teste à fibra portista. Caberá ao FC Porto demonstrar que mantém a consistência e que a vantagem no topo da classificação assenta em bases sólidas.
Na 1.ª volta, na 5.ª jornada, o FC Porto ganhou ao Nacional por 1-0, justamente com um golo de Samu (31’), mas a estratégia de Tiago Margarido provocou muitos dissabores aos dragões.
Na melhor fase em termos de forma física e de concretização, os dragões viram-se amarrados pelo adversário, e com dificuldades em sair do colete de forças. O encontro na Choupana poderá oferecer os mesmos ingredientes, mas com o fator casa a galvanizar os madeirenses, mestres no domínio do contra-ataque.