«Caso o apoio seja cortado, é impossível o Santa Clara manter-se numa ilha», torna a avisar Vicintin
Em entrevista à Sport TV, Bruno Vicintin, acionista maioritário da SASD do Santa Clara, voltou a ameaçar deixar os Açores, caso o Governo regional corte o apoio de 1 milhão de euros na época de 2026/27. Se tal suceder, Vicintin considera que o clube açoriano não terá condições para se manter em São Miguel, pelo que terá de se mudar para o continente, em que os custos serão mais baixos, estabelecendo uma «parceria» com outro clube para o «uso dos seus equipamentos, como o estádio».
«Na verdade, nem é o valor que está em causa. O que me incomodou mais é aquilo que considero uma falta de respeito. Quando o clube tinha problemas financeiros e processos criminais, nunca ninguém cortou apoios. Agora que há um investidor a colocar dinheiro na região, emprega pessoas, coloca-se este problema. Considero muito infeliz por parte do Governo Regional dos Açores. Esta época temos um protocolo assinado e vamos jogar em São Miguel. Na próxima época, caso este apoio seja cortado e não exista apoio logístico, é impossível para o Santa Clara manter-se numa ilha», afirmou.
«Atualmente temos quatro equipas e só em viagens gastamos 600/700 mil euros por época. Ou seja, praticamente esta verba do Governo Regional é canalizada para aí. Agora, com esta informação de que o Governo Regional dos Açores vai cortar os apoios… Não é uma ameaça nossa. É impossível jogar na ilha. Até porque economicamente seria muito mais vantajoso jogar no continente. Claro que seria economicamente uma tragédia para a Região, para o povo açoriano e para os nossos adeptos. Ninguém quer isso. Financeiramente acho uma medida muito infeliz por parte do Governo Regional dos Açores», vincou.
O empresário disse ainda que a hipótese de fusão com outro clube do continente não se coloca, mas sim uma parceira: «Existe, sim, caso o Santa Clara seja obrigado a jogar fora dos Açores, a possibilidade de fazer uma parceria com outro clube do continente para podermos usar os seus equipamentos, como o estádio. Há a opção de jogar no continente, sim. Ainda não conversámos com clube nenhum. Creio que para qualquer clube do continente na Liga, seria uma situação vantajosa. Só de impostos, o Santa Clara paga cerca de 9 milhões de euros. Fora tudo o resto.»
«Vim para os Açores, comprei casa aqui. Investi 6 milhões de euros no Centro de Treinos, estamos a investir muito na formação, subimos a equipa de sub-19 à I Divisão Nacional. Não temos qualquer interesse em jogar fora dos Açores. Mas também não posso ser tratado como o bobo da corte. A partir do momento em que investimos na região, tiram o apoio. Não acho isso correto. No passado, a SAD do Santa Clara estava nas páginas dos jornais, mas não na secção de desporto. Estava nas páginas criminais. Agora que há um investidor, começa esta conversa e isso incomodou-me muito. Mas claro que temos abertura para o diálogo e a prioridade é o Santa Clara ficar nos Açores», apontou.
Entretanto, o PS/Açores entregou nesta terça-feira uma proposta na Assembleia de Regional para garantir a manutenção dos apoios desportivos. «A iniciativa surge na sequência do anúncio do fim do apoio à ‘Palavra Açores’ e da suspensão dos apoios previstos no regime de financiamento público de iniciativas com interesse para a promoção do destino turístico Açores, situação que tem gerado forte incerteza junto de clubes, associações e entidades promotoras de eventos», informou o PS em nota de imprensa divulgada pela agência Lusa.
«A proposta socialista visa garantir estabilidade e previsibilidade aos clubes desportivos, associações e entidades promotoras de eventos, assegurando a continuidade de instrumentos essenciais para a promoção externa da região e para a dinamização das economias locais das várias ilhas», refere ainda a nota de imprensa do Partido Socialista.