Câmara do Porto recusa travar leilão do Estádio do Bessa
A Câmara Municipal do Porto anunciou que não irá participar no leilão do Estádio do Bessa, colocando a responsabilidade pela «resolução estrutural» da crise nos órgãos sociais do Boavista, apesar dos apelos públicos para uma intervenção da autarquia.
Num esclarecimento enviado à Lusa, o município, liderado pelo social-democrata Pedro Duarte, defendeu que «não deve, nem pode interferir num processo desta natureza, condicionando o seu regular desenvolvimento ou impedindo o normal funcionamento do mercado». A autarquia acrescentou ainda que uma eventual participação na hasta pública, que decorre desde segunda-feira, «estaria sempre sujeita à prévia aprovação dos órgãos autárquicos».
«Neste enquadramento, o município não participará no leilão associado ao processo», concluiu a Câmara do Porto na nota enviada à Lusa.
Esta tomada de posição surge num momento de grande instabilidade para o clube axadrezado, cujo estádio e complexo desportivo estão a ser leiloados com um valor base global a rondar os 38 milhões de euros. O leilão, que se prolonga até 20 de maio, insere-se num processo de insolvência em que o passivo do Boavista ultrapassa os 150 milhões de euros.
Na semana passada, o antigo presidente do Boavista, João Loureiro, tinha apelado a uma intervenção pública para salvaguardar o património do clube. João Loureiro alertou para o risco de o estádio cair nas mãos de «abutres do imobiliário» e defendeu que a Câmara Municipal do Porto deveria estar «ao nível das circunstâncias» na proteção de uma instituição com forte relevância social na cidade.
Em paralelo, uma petição pública, lançada em novembro, sugere o reconhecimento do clube como património imaterial de interesse municipal e a classificação do Estádio do Bessa e das suas infraestruturas como bens de interesse público, o que condicionaria a sua venda no âmbito do processo de insolvência.
Apesar de se afastar de uma intervenção direta, a autarquia manifestou «preocupação» com a situação, sublinhando o «peso histórico, desportivo e social» do Boavista. No entanto, ressalvou que «a resolução estrutural desta matéria depende, em primeira linha, dos órgãos próprios do clube e das decisões que competem aos seus associados».
O município afirmou que a sua «principal preocupação se centra na salvaguarda da prática desportiva e da formação de centenas de jovens atletas que diariamente utilizam estas estruturas desportivas». A autarquia mostrou-se disponível para dialogar com as partes envolvidas para encontrar soluções que «assegurem a continuidade da atividade desportiva e formativa, evitando prejuízos para os jovens, para as famílias e para a cidade».
A Câmara do Porto garantiu que continuará a acompanhar o processo «com sentido de responsabilidade, respeito pela legalidade e foco na proteção do interesse público». Contudo, permanece por esclarecer se a autarquia pondera avançar com o reconhecimento formal do clube como património imaterial ou classificar o estádio como património de interesse municipal, medidas que poderiam condicionar a sua alienação.
Artigos Relacionados: