Bruno Varela soma 8 internacionalizações A por Cabo Verde - Foto: D. R.
Bruno Varela soma 8 internacionalizações A por Cabo Verde - Foto: D. R.

«Cabo Verde no Mundial? Podemos bater-nos com Uruguai e Arábia Saudita»

Bruno Varela vai ver a primeira participação dos 'tubarões azuis' na competição do lado de fora, mas acredita num possível brilharete

— Não fosse a lesão, estaria no Mundial por Cabo Verde. Têm alguma meta definida para a estreia?

— Não temos um objetivo definido em termos de fases a atingir. O que queremos é desfrutar do Mundial. Às vezes, ainda olhamos uns para os outros e dizemos: 'Pessoal, vamos estar no Mundial!' Para um arquipélago tão pequeno, com meio milhão de habitantes, estar na maior competição de futebol do planeta é algo extremamente gratificante. Vamos jogo a jogo, mas acredito que vamos estar mais bem preparados do que as pessoas pensam… Cabo Verde ficou à frente dos Camarões na qualificação e fez uma excelente CAN. As pessoas desconfiam, mas respeitam. Sabemos que contra a Espanha será muito difícil, mas sinto que contra o Uruguai e a Arábia Saudita podemos bater-nos olhos nos olhos. Estar entre os melhores já é a nossa vitória. Quanto a mim, tenho de acreditar que terei outra oportunidade de jogar um Mundial. Vai ser difícil, basta ver como foi esta qualificação, mas tenho de manter essa esperança sempre comigo.

— Curiosamente, e apesar do seu currículo, o titular da baliza de Cabo Verde é o Vozinha. Como lida com essa situação?

— Com naturalidade e, acima de tudo, muito respeito. O Vozinha é uma lenda da seleção, está lá há muitos anos e tem um rendimento incrível. Eu costumo dizer que ainda está para nascer o guarda-redes que vá alcançar os calcanhares do Vozinha no que toca à história na seleção de Cabo Verde. Quando decidi representar o país, disse ao míster Bubista que estaria lá de corpo e alma, a 300%, fosse para jogar de início ou para ser terceira opção. Todos queremos jogar, mas só podem entrar onze. O Vozinha merece todos os créditos que tem. E o mais importante é o treinador saber que tem três guarda-redes, porque ainda há o Márcio [Rosa] preparados e que respeitam as suas opções.

— Antes da opção por Cabo Verde, chegou a ser convocado por Portugal, mas não se estreou. Ficou alguma frustração?

— Frustração, nunca. Obviamente que gostaria de ter jogado pela Seleção A de Portugal, mas tenho olhos na cara. Nas vezes em que fui convocado, o Rui Patrício era intocável. Eu ia sempre como terceiro guarda-redes, com o Beto ou o José Sá. Mais tarde, quando o Diogo Costa apareceu, todos percebemos logo que é um superguarda-redes, muito novo e ainda com muitos anos pela frente. Seria hipócrita se dissesse que jogar por Cabo Verde era o meu sonho desde os cinco anos quando só lá cheguei aos 30. É legítimo um jogador que nasceu e cresceu em Portugal pensar na seleção portuguesa. Mas sempre disse que, quando sentisse que não tinha espaço em Portugal, entregar-me-ia de alma e coração a Cabo Verde, que é a terra da minha família e pela qual tenho um carinho enorme. Sinto-me um cabo-verdiano puro. Agora, é um orgulho representar esta nação e incentivar os mais novos a representarem as suas raízes, porque só assim o futebol africano vai crescer. É algo que tento sempre fazer.